É João Donato

Show do João Donato, do álbum Quem É Quem – 45 anos depois do seu lançamento – no sábado, 4 de agosto, na Sala Baden Powell. Primeiro show da Série “Discos Históricos da MPB”, idealizada e produzida por Arnaldo DeSouteiro.
É João Donato, é show do João Donato, é trabalhar mais uma vez com João Donato. E não preciso explicar. Assessoria com Ana Paula Romeiro.

Clipping: https://drive.google.com/open?id=1Ztq8m_OVErBMwPY8mEjxvv-z3dR0ZQO4

 

 

Cartas e fotografias

Acredito que ouvir faz parte do caminho de aprender e ontem fui ouvir e aprender no enconro com a amiga-querida Ana Holanda (www.anaholanda.com.br). Durante o dia, emoções e desafios para uma turma repleta de mulheres maravilhosas e corajosas, expostas com os seus anseios. Quase ao fim do dia, no slide, uma foto com algumas cartas empilhadas. Ana diz: “Olhem a imagem e façam um parágrafo em dez minutos”. Hoje com o peito repleto de gratidão por tanto partilhar, exponho aqui o pequeno texto “Cartas e Fotografias”.
Trouxe na mudança o que era mais importante e isso incluia uma daquelas caixas antigas de camisa, repleta de fotografias do casamento. Mamãe estava doente e já não poderia morar mais sozinha. Optei por levar suas coisas para a minha casa como se fosse uma pequena viagem, sem ela perceber que estava em outro endereço. Sua memória já confusa pelo Alzheimer não apagou momentos felizes como contidos naquela caixa de fotos do casamento, com cartinhas, bilhetes e postais que papai enviava quando namoravam. Enquanto revirávamos a caixa, e as lembranças, mamãe remontava o seu quebra-cabeças de memórias felizes. E, naqueles dias, foi bom vê-la feliz por alguns instantes.

Foto da foto do casamento da mamãe (Jacy) e do papai (Antônio Hilton), em 1963.

 

ENQUANTO ISSO

Enquanto disfarça que está tudo bem que não pensa que ele não faz falta (nenhuma) vai conversando com os amigos fala bobagens passa as horas, que os minutos estão contados. Segue parece sem pressa tenta passar o tempo, não adianta pensar como será amanhã, amanhã é amanhã e ponto, dorme e acorda para ver e para de ter pressa. Enquanto disfarça que não liga que a comunicação está ruim que os encontros quase se foram enquanto isso você tenta parar de fumar parar de pensar encontra um ex namorado um ex caso um ex assistente um quase ex amigo vai ao terapeuta chora as suas loucuras e nem comenta sobre ele. Ele definitivamente não faz a menor diferença agora. E enquanto você finge que se engana aprova uma proposta um texto briga ao telefone liga para a mãe pensa que vai dormir bebe um vinho come uns biscoitos que não combina mas é isso que tem agora, então, ok, come o biscoito toma vinho e some daqui. Enquanto você se prepara para ir dormir escova os dentes olha no espelho com quase decepção pensa pega Clarice, encontra aconchego na cama larga, deita. Enquanto você acha que vai dormir ainda pensa acha que não tem a menor importância estar pensando naquele que passeia pelos seus sonhos quase ao acordar como hoje cedinho. Enquanto você pensa esquece de pensar que já foi o tempo de inquietar desliga o abajour. Enquanto você dorme ele dorme também. Boa noite!

Recreio, 2009
Foto Silvana Cardoso, 2018

Viagem ao universo de Rosario

Quando fui convidada para fazer a assessoria de Rosario, de Márcio Cunha, imediatamente fiquei animada com a proposta artística do coreógrafo e pesquisador para o espetáculo de dança que investiga a vida e a obra de Arthur Bispo do Rosário. A montagem fecha a trilogia criada e protagonizada pelo bailarino, onde une artes plásticas e dança – os outros foram Frida-me e Céu de Basquiat. Em curtíssima temporada no Mezanino do Sesc Copacabana (RJ), na última quinta-feira fui impactada com a estreia do espetáculo, que contou com a presença de Arlindo, ex interno da Colônia Juliano Moreira que assina o “Barco” da instalação cenográfica. Arlindo foi convidado e, inesperadamente, participou ativamente da cena e nos levou ao melhor lugar que o teatro pode nos levar. Assim, entre o sagrado e o profano, sai da apresentação com a certeza de que Rosario foi para mim um espetáculo inesquecível. Até domingo ainda da tempo de conferir as últimas apresentações da montagem. A imagem deste post é a crítica que tivemos no O Globo, assinada pela Adriana Pavlova. Foi intenso, Márcio Cunha. Obrigada.

Clipping: https://drive.google.com/open?id=1wpNVBBZEBK7-RwtxHTziLUOHucwiKwBj

 

Visita Ilustre

Estava eu por aqui com a internet sem funcionar por todo o dia, nenhuma notícia do devedor que não me paga e o som do pinga-pinga no balde, nas minhas costas, goteira que insiste em vazar do teto do escritório há quase um ano. Toca a campainha, abro a porta e, finalmente, mais um bombeiro entra com a promessa de tentar findar o vazamento.
Me retiro do recinto, abandono o texto que estava fazendo, os e-mails que estavam todos no rascunho e levo os telefones para a varanda. Quem sabe uma brilhante ideia, uma ligação espetacular para mudar o rumo da conta bancária.
Desisto. Divido o sofá com os cachorros, coloco as duas mãos no rosto em forma de oração e peço. Sinto cheiro de vela e descubro que é a solda no cano e sua junção sendo frita pelo fogo. Fico em silêncio, já que para mim não importa a hora para agradecer ou pedir auxílio e, assim, peço ao Senhor do Universo que não me deixe fraquejar diante das dúvidas, que me mantenha acreditando na fé que salva e no amor que consola.
Saio daquele momento ao ouvir o bombeiro chamar, vou até o local do conserto. Chegando lá, meio sem graça, pergunto seu nome, já que não me lembrava de tê-lo ouvido ou perguntado. E a resposta foi: “Jesus”.
Fiquei muda, falei que ele era, naquele momento, uma visita muito ilustre, que me encontrava falando com o Senhor, que ele voltasse sempre que quisesse para tomar um café e nada de canos pingando, por favor. Creio que ele me achou meio louca, mas não me importei.
Jesus me levou um cheque pré, me prometeu que não havia mais goteira, me brindou com um largo sorriso e isso me encheu o coração de esperança para seguir em frente.
Agradeci pelo trabalho, fechei a porta e pensei em voz alta: hoje Jesus me visitou. Obrigada!
Obs: o conserto ficou 100% e está ok até os dias atuais. Tentei contatar Jesus meses depois para indicar um trabalho, mas nunca mais consegui falar com ele. Algumas situações não precisam ter uma explicação racional.

Recreio, RJ, 22 de abril de 2009.
Foto Silvana Cardoso, Lagoa Rodrigo de Freitas, RJ, 25 de dezembro, 2014.

FUGA DO TEMPO

Buscar ou desistir… (?) as palavras, o silêncio que cala o tempo dentro, sufoca e, guardado, não ameaça. Corre nas lembranças da cronologia, estar lá e não ser nada daquilo nas imagens, nos corpos, na ilusão. O caminho, distância, chegar a hora do momento, o dia, ser mais que os corpos, sentidos, cheiros, fluidos que infinitam o tempo neste tempo que passa, foge e persegue os segundos contados da apinéia ouvida em um só.
Onde encontrar… (?) no casulo que se constrói o altar do prazer, da dor, do amor, estar lá, no mistério além do casulo de cascas pintadas de várias cores, a caixa fechada, guardada com tudo que não sai de lá, fica lá, fechada, até já.
Onde está agora… (?) passeia alheio pelo infinito desconhecido, que vagueia até a morte súbita de um próximo, mas volta, fica, permanece no tempo do pensamento estático, sublime que devora e se vai outra vez. Na fuga, esquece que o tempo se fez assim, com tempo, sem pressa, mas demora quanto ausência.
Quando… (?) agora e pelo todo que completa o que falta e faz falta por isso fica. Não sabe ir de vez, o vício, ansiedade que vem na volta, controlada as vezes, descontrolada quando mimada, narciso quando saciada. Aguarda o tempo com a perda irreparável do já reconhecido tempo perdido que, ausente, já não se faz presente quando aclamado, chamado, clamado sem palavras.
Rascunho ou esboço de alguma coisa que se esconde do todo que habita cada e acomoda a mudez embaixo da tinta gasta que se mistura nas cores do que colore o dia.
Na fuga do tempo encontra o consolo do reconhecido silêncio que cala dentro de um… de dois…
e vai…

RJ, Recreio, 17 de abril de 2009
Foto Silvana Cardoso, RJ, Posto2, fevereiro de 2018

parecia um banho de pequenas gotas
chuva fina
seu rosto coberto de orvalho
minutos também passavam em lentidão
dava tempo para pensar
deixava pra trás algumas dores
não queria mais a solidão
pequena cortina de água, luz e fumaça
buzinas
forte chuva
agora a água lavava seu rosto
suas mãos geladas procuravam abrigo
encontrava ali a dor de estar só
não sabia mais se despedir
longa espera
longo caminho
não partiria mais

Rio de janeiro, 2009
Foto Silvana Cardoso, RJ, Petrópolis, 2018

Silvio Tendler coloca “Dedo na Ferida” do captalismo |nos cinemas 31 de maio

Um documentário incomodamente atual sobre o captalismo, as sucessivas crises que paises vivem a partir de falta de políca que prevaleça a população e não apenas os donos do dinheiro. “Dedo na Ferida”,  do nosso insubstituivel cineasta Silvio Tendler,  o professor que discute, bebate e coloca na tela, o cineasta que considero a maior voz documental política do Brasil. Os jornais da cidade do Rio – JB (sábado, 26/5) e O Globo (Hoje, 29/5) – apoiaram a “grita” e lá vamos nós abrir o circuito nos cinemas do Rio de Janeiro (6af, 31/5), Fortaleza (5 de junho), Brasília (7/6), São Paulo e Porto Alegre (21/6).
Como sempre em casos do “Seu Silvio”, convidei Susana Ribeiro para fazer a parceria comigo. E vamos gritar juntos por um país melhor e mais justo para todos. Espero vocês nos cinemas!!!

Clipping: https://drive.google.com/open?id=1Txrs6k-S-NKEQFdnYSbckDRrp6sueycW
Trailer do filme: https://youtu.be/FGj4d-FrxL0

Foto montagem capas @PatriciaFernandes

Música, trabalho e paciência | Bourbon Festival Paraty 10 anos

“Ainda não sabemos como vamos voltar, se teremos combustível, mas estamos adorando estar aqui mesmo assim”, ouvi a moça falar para a amiga no gramado repleto do Palco Santa Rita – com famílias com suas crianças, jovens, casais e amigos de todas as idades, cachorros. É a programação que acontece durante a tarde, no palco que fica à frente da Igreja de Santa Rita, na décima edição do Bourbon Festival Paraty, que acontece no meio desse caos no Brasil. Nem tudo foi só alegrias e a tensão invadiu com a possibilidade de não ter equipamentos de som para a montagem, mas tudo foi se resolvendo, a turma ficou de vigília, a estrutura de camarim ficou meio de improviso, mas em cada ruela, em cada muro que se transforma em fundo de palco aconchegante, lá está ela: a música.
Enquanto o Brasil está lutando por dias melhores, nós estamos aqui fazendo cultura pelo país, em Paraty, assim como em outros festivais que estão acontecendo neste momento, como em Curitiba, como o BB Seguros de Blues e Jazz.
Parece que estamos numa bolha, mas não, apenas estamos fazendo a nossa parte para que algo bom não seja diminuído diante da urgência da causa dos caminhoneiros, da causa de dias melhores para todos nós. Estamos fazendo festivas e música por todos eles e por todos nós também, já que a cultura é a identidade de um povo e não pode ser calada.
Hoje, mesmo com as atenções nos noticiários, tivemos uma tarde de celebração e paz e já já o Palco Matriz (montado na praça da Igreja da Matriz) recebe o show do nosso querido Cesar Camargo Mariano com a jovem Madison McFerrin. A noite fecha com a belezura da revelação Blackalbino, que nos brinda com Tony Tornado, o aniversariante da noite, que comemora no palco os seus bem vividos 88 anos.
Como tudo neste país, da muito trabalho, tem que ter muita paciência, mas quando olhamos em volta é um prazer ter a coragem de não desistir e ver que a música está por toda parte, por dentro de todos nós.

Foto Pedro Guida
Rio de Janeiro, 26 de maio de 2018.

III Jantar Sim à Igualdade Racial

Que tenhamos sempre muitos veiculos interessados na luta pela igualdade no Brasil. O III Jantar Beneficente Sim à Igualdade Racial, realizado no Copacabana Palace, RJ, no último dia 17 de maio, foi um sucesso. A foto traduz um pouco do nosso trabalho neste lindo projeto. Nós também dizemos sim à igualdade racial.
Assessoria de imprensa do ID_BR com Ana Paula Romeiro.

Clipping III Jantar Sim à Igualdade Racial: https://drive.google.com/open?id=1vdEoTyD6Tv_JBu7AUha-T7FxUheOIY6C

http://simaigualdaderacial.com.br/idbr/
Foto, Silvana Cardoso

Para pais e filhos, para Diego e para minha mãe

Cadê o pai e a mãe que estavam aqui? Cadê o filho que estava aqui? E quando nos deparamos sem mãe pai ou sem filho a ficha cai, sentimos saudade imensa até mesmo do que já esquecemos ter vivido. Seja por uma guarda compartilhada um casamento uma doença ou morte, não importa, vai fazer uma falta danada – um ou outro – pais ou filhos.
Olhamos fotografias e lá está aquela criancinha no colo dos seus pais que nos faz resgatar a sensação das emoções vividas e na outra ponta das lembranças a imagem daquela criancinha no seu colo te leva às lágrimas de tanta emoção. E, assim, nos sentiremos sempre protegidos e protetores, para os dois lados.
Independente do tempo, do espaço físico, das diferenças: filhos serão sempre filhos e pais a referência do seu DNA. Mas um dia, de repente, o papel se inverte, seja pela velhice, por uma doença, pela necessidade de acolhimento de quem te deu a vida, seremos mais amorosos, deixaremos as diferenças de lado e amaremos nossos pais como eles nos amam, sem ressalvas, até quando não concordam continuam nossos pais e, com o pé fincado no chã dizem: “estou com você meu filho”.
Acordamos um dia e falamos: estou tão parecida com a minha mãe, com o meu pai. Isso pode ser péssimo, mas se temos boas lembranças no meio daquelas diferenças que achávamos que não sobreviveríamos a elas, o tempo se encarrega da gratidão pela vida gerada naquele ventre, a partir de dois seres que se gostaram, numa centelha de amor e gozo, para criar um novo ser: você, eu, seu filho, meu filho, sua mãe, minha mãe, seu pai, meu pai. Estão todos lá naquele documento oficial de nascimento. E enquanto habitarmos esta órbita, serão a nossa referência, que com o tempo vamos descobrindo em nós e neles – os nossos.
Mamãe era uma pessoa muito boa de coração, generosa com os amigos, mas tinha um temperamento considerado muito difícil. Com o tempo, o Alzheimer, a minha maturidade, encontramos a paz e o amor. Quando ela partiu me senti o filho do filme “Peixe Grande”, quando todos os personagens das histórias fantásticas do pai chegam para o velório. Aquele pai que não se ajustava com aquele filho foi, sim, uma pessoa e tanto. Mamãe também.
Hoje, como em muitos dias, acordei com imensa saudade do meu filho, que está alguns poucos quilómetros de distância de mim, no seu dia a dia que segue o rumo como pessoa adulta e responsável que muito me orgulho – com a vida dele a família dele o trabalho dele o cansaço dele os amigos dele. Um bom homem, de bom coração, calmo, de sábia sabedoria, que me ensina o amor de verdade todos os dias.
Sei que vou estar onde ele precisar e ele estará onde eu precisar também. Estamos unidos pelo amor, pelo elo daquelas mãos que se atavam para atravessar a rua e que aos poucos foi se soltando para andar sozinho e confiante, mas que jamais vai deixar de precisar de um colo, um ombro, um conselho, uma ajuda. Elo eterno ancestral e para todo o sempre de nossas existências.
Hoje, como todos os dias, acordei com o imenso desejo de continuar por aqui por mais alguns anos, ter a dádiva de ser uma velhinha fofa e de cabelinho lilás, ter as mãos seguras de Diego e Carol, minha nora querida, para atravessar uma rua e algumas estradas dessa vida que nos desafia todos os dias.
Acordei – também – com a belíssima canção do filho de Paula Lavigne nos meus ouvidos, “Todo homem precisa de uma mãe”, diz Zeca, em nome de todos os filhos – homens e mulheres – desse universo.

Foto eu, Diego e mamãe pelas lentes da querida Cristina Granato, em 1999 no Metropolitan, no show Quattro Estações da dupla Sandy & Junior.

Na segunda foto, Dico e Eu na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Tiradentes, MG, no 29 de março, feriado da Semana Santa deste ano de 2018. Sim, Diego foi comigo, Tia Marlene e Deise (autora da foto) “pagar’ uma promessa de vida muito importante para mim, e para a minha fé cristã.

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2018.

Detonautas Roque Clube e Lucas Lucco em parceria inédita

E lá vamos nós, eu e Ana Paula Romeiro, fazer mais este sucesso do Detonautas Roque Clube: Por Onde Você Anda? A canção do álbum VI chega agora em gravação com a participação especial do cantor e compositor Lucas Lucco. E você sabia que Lucas Lucco cantava músicas do Detonautas quando cantava na noite?  Pois é, vai lá conferir, Já em todas as plataformas digitais.
https://onerpm.lnk.to/DetonautasRoqueClube

 

Uma jovem senhora

“A culpa é daquele irresponsável que fui, quando achava que ter cinquenta anos estava muito distante e isso não era problema meu.”. E gargalhei com prazer ao ouvir a sentença de alguém que quase morreu perto de completar meia década de vida. Percebi naquele momento que não foram muitas as minhas irresponsabilidades enquanto tentava fazer tudo dar certo, como a mãe do Diego, que também não imaginava muita coisa, pois também era jovem.
Mas o tempo, esse caprichoso e desobediente, passou. E, um dia, já perto dos meus cinquenta anos, cheguei à banca de jornal do Sr. Luiz e, com a festa habitual dos nossos encontros, de repente, o senhorzinho de quase oitenta anos falou com aquele sotaque italiano: “Siuvlana, você é uma jovem senhora muito bonita”.
E ganhei o fim de semana com o elogio. Sim, eu já me sentia uma jovem senhora e já começava a delinear um recomeço, após tanta responsabilidade. Também já estava na hora de ser irresponsavelmente livre, cuidar um pouco mais exclusivamente de mim, voltar a estudar, encontrar a minha essência, buscar um plano para antigos desejos, colocar uma nova vida em prática.
Em pleno processo olho em volta e vejo os que amo, procuro me manter por perto, mas percebo também que começo a aprender a caminhar por mim, enquanto mantenho as duas gotas de óleo na colher, enquanto aprendo a ser mais leve, enquanto recomeços, enquanto melhora a confiança para os novos tempos.
Meio de careta, a mãe do Diego continua a andar por ai sem medo de bicho papão, na companhia de uma xícara e café pela manhã, uma taça de vinho à noite, rodeada dos meus, contando boas histórias e sorrindo, na construção se ser uma sábia senhora, apenas.

Foto pelo veloz olhar do amigo-irmão-amado Marcos Hermes, em um dia de encontros felizes, de amigos e trabalho, na CDA, no Rio de Janeiro, em abril.

Para ouvir: Alma Nua (Vander Lee)

Ó, Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra Tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestesDá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempoPro templo do amorQue se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela ruaDeixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cimaÓ meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido

De me apaixonar todo dia
E ser mais jovem que meu filho
De ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho

Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio deus
Viver menino, morrer poeta

Maio de 68 – 50 Anos Depois | Assessoria de Imprensa

E quanta história temos para contar, quantas lágrimas e muitas canções inesquecíveis, para falar de Maio de 68  – 50 Anos Depois, título da grande homenagem que o Consulado da França realiza neste mês de maio, para relembrar o ano que foi um marco na história do Brasil e da França – com concerto, mesa de debates, exposição e mostra de filmes.
Com roteiro da querida Luciana Medeiros, no dia 4 de maio, 6af, na Sala Cecilia Meireles, às 20 horas, acontece o concerto Maio de 68 – 50 Anos Depois, 
A noite conta com a Orquestra Sinfônica Cesgranrio, Soraya Ravenle e as participações especialíssimas das cantoras Cynara e Cyva (do Quarteto em Cy), como intérpretes de Saiá, música de Chico Buarque e Tom Jobim, que ganhou o Festival da Canção daquele ano (defendida pelas irmãs  Cynara e Cybele). No roteiro, Soraya Ravenle interpreta algumas das canções mais importantes da música popular brasileira, como: Andança, de Paulinho Tapajós, Edmundo Souto e Danilo Caymmi, na época, defendida por Beth Carvalho e os Golden Boys;Para não dizer que não falei de flores”, mais conhecida como “Caminhando”, de Geraldo Vandré; “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso; “Saveiros”, de Dorival Caymmi e Nelson Motta;  “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil.
Tudo sob a regência e a direção musical do maestro Eder Paolozzi.
Tenho certeza que será uma noite inesquecível.

Clipping assessoria de imprensa do projeto:
https://drive.google.com/open?id=1o2fl761Y0K3baKrHY8Vq5bJAWVUewRml

A enquete: “o que te faria feliz HOJE, com apenas três palavras?”

Queridas,
Ao chegar para trabalhar, resolvi perguntar “o que te faria feliz HOJE, com apenas três palavras?”. O intuito era lembrar o quanto podemos querer com limites, o quanto tão pouco pode nos dar alegria – momentânea ou duradoura; como lembrança; como desejo; como possível alegria; como paz interior. Não importa o tamanho do desejo, apenas lançar um pedido para vocês, já que acordei com este sentimento de querer algo simples, bobo, mas sem saber se seria possível dividir com alguém. Assim, mandei a brincadeira por e-mail e descobri, nas respostas, que é bom querer o sexo do amor que está longe, numa viagem – e me fez lembrar de um belo encontro recheado de sentidos. Percebi a simplicidade de um estrogonofe que cheirava da cozinha. Uma foi objetiva: viajar. E assim, quase emiti meus bilhetes. Na brincadeira, descobri que uma amiga precisa de um dublê para ela mesma. Também se deseja uma viagem para Paris, grana e amor, e esse foi o pedido mais exigente. Gosto dessa moça querendo tudo isso numa simples sexta chuvosa. Também tivemos vinho, edredom e flores, a caixa de chocolate de grife estava inclusa num dos pedidos. Isso me fez lembrar de outros divinos momentos. Teve beijo na boca, que eu adoraria tê-los agora. Um sol lindo lá fora, que seria lindo também. Um “mega edredom e cama”, sentenciou a simples resposta de outra querida. Preciso confessar que corri por fora e perguntei para um moço o que ele poderia me responder na enquete das garotas. Fiquei feliz quando ele disse, rapidamente: estar em casa. Pensei: eu também. Segui lendo as breves respostas, pensei no meu pedido, mas não queria falar muito sobre isso, tão simples era o sentido do sentimento. Fui em frente nesse dia colorido de cinza, pedindo para vocês algo que nem eu mesma saberia descrever em três palavras. Mas a primeira resposta foi a de uma pequena menina de nove anos, que me disse: brincar com minha amiga.
No final do dia, após perceber o quanto é simples falar sobre desejos entre amigos, cheguei à conclusão que adoraria ser a menina de nove anos para brincar com vocês, fazer um piquenique e rodar a garrafa.
Obrigada pelas respostas. Elas me ajudaram a estar carregando uma sacola (corri ali no mercadinho) com um vinho, uma massinha e um manjericão, a caminho de casa, finalmente.
Após deliciosa troca de boas e deliciosas palavras com o moço da enquete, fico por aqui com algumas livremente inspiradas no poeta português Eugénio de Andrade e seu poema “Frutos”, para colorir o fim de semana.

Lichia, a fantasia
Morango, cereja, amora,
framboesa, pitanga, acerola
as vermelhas, água na boca,
lindas, cheirosas e gostosas;
de todas, la divina, la divina,
desejo e cobiça,
sua forma, sua cor, seu sabor,
seu cheiro de flor,
sua calda, que delicia!
prazer, escorre e alucina,
te possuir me fascina,
insinua e fantasia:
a lichia, a lichia

Foto de Miriam Juvino que intitulo “Feliz Por Nada”, nós na Urca.
Texto de 2009

Carta para Miriam | Sim à Igualdade Racial

Sábado, 27 de janeiro de 2007, meio-dia, sala de embarque do Aeroporto Santos Dummont, Rio de Janeiro, Brasil. Foi neste cenário cosmopolita e data contemporânea, em um fim de semana de sol, que vivenciei uma cena que poderia ter ocorrido numa estação ferroviária no século XIX, quando os passos leves e silenciosos de uma senhorinha me chamaram atenção, com a certeza de que a vestimenta branca não era de um profissional da área de saúde. Tinha perto dos setenta anos, cabelos grisalhos, quase brancos, amarrados num coque baixo. A pequena cabeça estava adornada por uma faixa da mesma cor da sua roupa. As perninhas magras e um pouco arcadas lhe davam um ar frágil, mas ao mesmo tempo firme.
Pisava em silêncio e caminhava atrás de um veloz menino de cachinhos loiros, de uns quatro anos de idade. Mais à frente, uma moça altiva e muito branca, com idade próxima de trinta anos, também caminhava. Buscavam alguma coisa ou alguma informação entre as cadeiras, pessoas comuns dentro do aeroporto. A cena que foi se desencadeando na minha frente e me sugou – a senhorinha negra e miúda estava ali: era a babá, a mucama do pequeno veloz. Provavelmente herança da mãe daquela moça branca que caminhava com ela pela sala do aeroporto num fim de semana de sol.
Olhei bem para o seu rosto e fiquei imaginando os filhos que aquela senhorinha não teve, mas quantos ela embalou, amamentou/alimentou e cuidou no seio daquela família. Sua imagem serena, sem expressão de angústia ou descontentamento, me mostrava uma vida inteira conformada com a sua condição de “escrava de estimação”. Pensei que seus olhos pequenos e já cansados viram muita gente partir, mas não da sua família; suas mãos duras e firmes lavaram muita roupa, fizeram muitos bolos, doces e carinhos, mas não entre os seus. Ela caminhava, em silêncio, atrás daquele menino. Depois, sentou ao seu lado e, com carinho de quem cuida, arrumou sua roupinha, ajustou o cadarço dos seus sapatos e ali ficou, quieta, ao lado do seu sinhozinho.
A emoção da cena me levou às lágrimas, ali sentada, vendo pessoas comuns no aeroporto. Lembrei de você imediatamente, minha amiga. Lembrei do meu filho, descendente de negros e índios, que aos nove anos ganhou o apelido de Chocolate na escola. Pensei em muitas situações que vivi com minha comadre, também negra, que me ajudou a dar conta de ser mãe e profissional. Fiquei ali na mea-culpa por um dia também ser parte da estatística de empregar pessoas negras, mesmo que ela fosse minha comadre, mesmo que ela tenha estudado, mesmo que eu não a tratasse com diferenças.
A diferença existe e ainda haverá muita culpa para se carregar neste mundão afora. Sabemos que o preconceito ainda mora ao lado, que a falta de oportunidades ainda é gritante, que a miséria ronda o nosso povo e ainda temos muitas mucamas e sinhozinhos espalhados pelo Brasil.
E agorinha, dez anos após aquela cena no aeroporto, li há pouco o relato de uma amiga branca e descendente de japoneses, residente nos Estados Unidos. Estava emocionada como eu naquele dia, revoltada como eu naquele dia. Comentava o diálogo que havia tido com um rapaz negro, dentro de um supermercado americano. Agradecia a ela por ter falado com ele naturalmente, como uma pessoa comum, já que por ali todas as pessoas o enxergavam como um pária, um indigente, quase um marginal. Século XXI, junho de 2017. Alô, mundo! Alô, mundo! Eu te pergunto: por mais quanto tempo vamos carregar essa herança maldita da escravidão, da diferença entre os povos?
Por isso te escrevo, para pedir que você mantenha viva a sua coragem de mulher negra. E não desista, minha querida Mi, estamos juntas. Um beijo imenso. Silvana

Foto de Silvana Cardoso: a amizade de Dindi e Tonha, abril 2017

Impressões do Outono

Luz do outono ilumina os cantos da casa, clareia em volta de mim as formas que passo, por vezes, sem perceber. Sua intensidade que faz doer a retina inaugura uma nova cor. Facho de luz que passa por entre os prédios, chega ao mar e numa faixa de areia. Outono é como parar para olhar com atenção uma pitanga madura, rosada, avermelhada e, ainda azeda. Ventos avisam que é outono. Cortam a noite fria, passam pelo rosto da moça que caminha desavisada, descalça, pela rua estreita. Passam pelas janelas, balançam as cortinas e gelam a cama vazia. Outono é claro ao amanhecer, é azul intenso, rosa para os que gostam de contemplar o final. Chuva que chega de surpresa na manhã, ao anoitecer. Ventos fortes que assustam as estrelas, ficam guardadas até tarde para quem tem insônia ver que amanhã terá sol. Outono faz a passagem para o inverno com delicadeza, mas faz gelar o nariz. Melhor deixar um cobertor no braço do sofá da sala, enquanto ainda é outono.

Rio, abril, 2009
Foto: Parque Rodo, Montevideo, Uy | Outono, 2017

 

Lourinelson Vladmir estreia “Rua Augusta”, no TNT |A Gente Se Fala

Por vezes é corrido para dar conta de um projeto em cima da hora, mas conhecer mais de perto Lourinelson Vladmir foi uma grata surpresa. Ler as respostas das suas entrevista está sendo um grande deleite, entre a arte e o direito, na forma literal das palavras, já que o ator é advogado.
No melhor estilo “Corra-Lola-Corra”, Miriam Juvino me passou a incumbência do suporte para a divulgação do Lourinelson, já que é um personagem de destaque na série “Rua Augusta”, prodizida pelo TNT com a O2. A estreia no Canal é dia 15 de março, nesta 5af AGORA, na faixa das  22h30 – o 1o capítulo será duplo, às 23h nos próximos. Melhor de tudo, ainda, é fazer um relase às pressas, uma reunião às pressas e, depois, ficar jogando conversa ao vento com Lourinelson e Miriam, onde o ator autodidata e muito esperto para a vida, conta como são suas investigações, como se transformou no costureiro informal em pequenos consertos da família. Pode? Pode. Com este nome de artista ele pode.
Bem, corre dali, corre daqui, hoje acordei com esta belezura de página sobre “Rua Augusta” no SC do O Globo, feita pelo Alessandro Giannini, com entrevista do Lori. Pois é, já chamo de Lori. 😉
Link O Globo deste domingo:
https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/para-viver-stripper-em-serie-fiorella-mattheis-fez-aula-de-pole-dance-frequentou-inferninhos-22477449

Foto de Renato Amoroso, divulgação TNT.

Coragem e conquistas para ser desnecessária

Como assim, acabou? Pois é moça, acabou a família que você acreditou estar em sólidas bases de amor e confiança. Acabou a parceria moça, as conversas ao jantar, os passeios com os amigos e, assim, a certeza que também acabou a história de amor. Assim, um dia a vida estava fora do eixo, a partir da perda de sonhos em comum. Assim, um dia, sem emprego fixo, sem, sem, sem, sem um pai por perto para ajudar a criar e a educar um filho, sem o parceiro do sexo seguro e amoroso, do Natal e do Ano Novo em festivas comemorações de amor e paz.

A-ca-bou-se-o-que-era-do-ce-meu-bem. E o que sobrou além do filho amado, do cachorro e dos boletos para pagar? Sobrou coragem, cansaço e amor.

Duas décadas e meia depois, olho no espelho e reconheço em mim aquela mãe de 27 anos que optou pelo amor e seguiu sem olhar para trás, que cuidou do menino Diego, aquele pequeno que um dia aparou com a tesoura da casa os cílios e as sobrancelhas, após perceber o distanciamento do pai – a partir da separação e da mudança dele do estado e do país.
A minha história começa assim, como a de muitas e muitas mulheres independentes e empoderadas, para usar o termo do momento, hoje uma nomenclatura que ajuda o feminino a ter mais coragem na luta pelos seus direitos, no coletivo, como foi há cem anos. Entretanto, acredito que estávamos correndo de um lado para o outro na conquista do mundo e o sentimento do coletivo ficou adormecido nos últimos tempos desse último século, neste início de todas as conquistas, na independência da mulher ocidental. Uma tarefa hercúlea e solitária, mas que nos fez chegar até aqui.
Hoje, já no finzinho das comemorações do Dia Internacional da Mulher, relembro mulheres contemporâneas bradando que “na próxima vida quero voltar homem”, independente do credo. Hoje, cem anos daquelas conquistas, percebo um orgulho, uma determinação para novas conquistas, para um novo século de mudanças reais, onde ainda temos muito a fazer para as próximas gerações, independente do gênero. Penso também que podemos dar bonecas para os meninos ninar quando crianças, podemos ensiná-los a plantar uma flor além de ir ao jogo de futebol com o pai, podemos dar uma vassourinha de brinquedo, como fazemos com as meninas, para que possam ajudar nas tarefas domésticas, podemos também ensiná-los a gostar de bebes e crianças enquanto também são crianças, podemos ensinar os valores humanos que estão sendo colocados de lado.
E desejo que todas nós possamos ser desnecessárias para os nossos filhos. Como disse Dalai Lama, “Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.” Assim, após as novas conquistas para o novo milênio, desejo também que a mulher-mãe-profissional-independente-dona-do-seu-nariz esteja sentada em seu jardim, menos cansada e empoderada de paz.

Rio de Janeiro, 8 de março de 2018.
Foto, Dia das Mães de 2016, Eu e Diego, pelo olhar amoroso de Susana Ribeiro.

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