Release Trilha DO FILME Minha Fama de Mau

Foi uma honra ser convidada pela equipe de imprensa da Universal Music para escrever o release da Trilha Sonora do longa-metragem Minha Fama de Mau, lançada pela gravadora que um dia fiz parte da equipe de gerentes, onde atuei no marketing e na produção dos DVDs da cia.
E com vocês o meu release da trilha do longa-metragem sobre o nosso tremendão Erasmo Carlos. A-do-r-e-i!

Universal Music Brasil orgulhosamente apresenta a trilha sonora do filme “Minha Fama de Mau”
Mergulho emocionante na música de Erasmo Carlos chega às plataformas digitais no dia 11 de fevereiro de 2019

Eu digo não, digo não,
Digo não, não, não …
Perder uma namorada é uma coisa normal,
Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau!
Tenho que manter a minha fama de mau!
Tenho que manter a minha fama de mau!

Erasmo Esteves conquistou sucesso e ganhou o mundo com os versos da canção que embalou gerações. A música “Minha Fama de Mau”, da dupla Roberto & Erasmo, é de 1964, quando o cantor tinha em Elvis Presley seu maior ídolo. Influenciados pela nova música americana, Erasmo e seus amigos criaram uma sonoridade original para um novo movimento musical, que passou a ser reconhecido pelo nome de Jovem Guarda.
A trilha sonora “Minha Fama de Mau” é um mergulho emocionante na música do “Tremendão” Erasmo Carlos, que a Universal Music tem a honra de lançar, no dia 11 de fevereiro (de 2019), quando chega às plataformas digitais o álbum da trilha sonora do filme de Lui Farias. O longa-metragem “Minha Fama de Mau”, a cinebiografia sobre o cantor e compositor Erasmo Carlos, chega aos cinemas de todo o país no dia 14 de fevereiro de 2019.

 “Queria que as pessoas que assistirem ao filme sentissem a pressão sonora para complementar as alegrias e aventuras que estão rolando na tela. A Jovem Guarda é foda!”, declara Erasmo Carlos

Sob a direção artística do aclamado Max Pierre, a trilha sonora original conta com 17 faixas, sendo nove canções na voz do ator e cantor Chay Suede, que interpreta Erasmo Carlos no longa-metragem, seis músicas interpretadas pelo ator Gabriel Leone (Roberto Carlos) e três canções por Malu Rodrigues (Wanderléa). No filme, os atores são acompanhados pela atual banda de Erasmo Carlos, formada pelo maestro José Lourenço (arranjos, órgão Hammond, pianos, harmônica e flauta), Rike Frainer (bateria), Billy Brandão (guitarras, violão e cítara), Pedro Dias (baixo e vocais), Luiz Lopez (violão, voz guia e vocais) e Dirceu Leite (saxes e flautas).

Uma honra produzir a trilha musical do filme sobre a Jovem Guarda e a vida de Erasmo Carlos, um dos compositores mais importantes da música popular brasileira”, disse o produtor Max Pierre.

Interpretada por Chay Suede, a música de trabalho “Minha Fama de Mau” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) abre a trilha sonora do filme. A versão original foi lançada por Erasmo em 1964, em compacto simples. Na sequência, Chay interpreta o hit “Festa de Arromba” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos), outro sucesso na voz de Erasmo, lançado em compacto simples no ano seguinte. Gabriel Leone empresta a sua voz para uma das emblemáticas canções da dupla, “Parei na Contra Mão”, música que inaugura a parceria Erasmo & Roberto e foi lançada originalmente por Roberto Carlos em 1963, no 78 rotações “Splish Splash/Parei na Contramão”.
Chay Suede volta na faixa 4, “Eu Sou Terrível” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos), tema do clássico musical “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, filme de Roberto Farias, lançado em 1967 – a trilha sonora do longa-metragem foi lançada na mesma época, com o mesmo sucesso do filme. Chay segue emprestando sua voz para “Lobo Mau” (The Wanderer), canção de Ernest Marasco em versão de Hamilton di Giorgio.

“A gente não tinha tanto material da época, muita coisa foi perdida ao longo do tempo. E isso acabou nos dando muita liberdade para retratar o universo daquela época e ir atrás das referências deles, o surgimento do rock no Brasil. O fato de a gente cantar foi abrindo certas portinhas para encontrarmos os personagens.”, afirma Chay Suede

Outro grande clássico da dupla Roberto & Erasmo é revisitado por Gabriel Leone. O rockabilly  “É Proibido Fumar”, originalmente lançado em compacto em agosto de 1964, é considerada uma das canções mais representativas do período. Posteriormente, a faixa foi regravada por diversos artistas, como Raul Seixas, A Bolha, Rita Lee, O Terço, Skank e o próprio Erasmo Carlos, coautor da letra. A música ainda ganhou uma versão em língua espanhola, “Es Prohibido Fumar”, que foi lançada no álbum “Canta A La Juventud”, de 1965. Em 2001, Roberto Carlos também fez uma nova versão da canção para o seu álbum “Acústico”.
A bela e talentosa atriz Malu Rodrigues também apresenta a sua voz em “Prova de Fogo”, clássico de Erasmo Carlos eternizado na voz da “Ternurinha” Wanderléa. Ocupando a oitava faixa, Chay Suede interpreta a balada “Sentado à Beira do Caminho”, também fruto da parceria com Roberto Carlos, gravada originalmente no álbum “Erasmo Carlos e os Tremendões”, de 1970. Chay segue em ritmo de brasa com “Vem Quente Que Estou Fervendo” (Carlos Imperial/Eduardo Araújo), registrada originalmente por Erasmo no compacto simples de 1967. De uma safra menos conhecida, Gabriel Leone agora apresenta “Susie”, um rockabilly de Roberto Carlos, gravada em LP de 1962. Na letra, o Rei revela as aventuras que fez para tentar conquistar um “broto”.
Malu Rodrigues interpreta ainda “Meu Anjo da Guarda” (Rossini Pinto/Fernando Costa), canção gravada originalmente no disco de 78 rotações que marcou a estreia de Wanderléa, lançado em 1962. A balada “Gatinha Manhosa”, outro clássico da dupla Roberto & Erasmo, também não ficou de fora, e agora ganha a interpretação de Chay Suede. Uma curiosidade: a faixa foi gravada primeiramente no álbum do Renato e Seus Blue Caps (Viva A Juventude, de 1965).
Gabriel Leone encarou o desafio de interpretar “O Calhambeque” (Road Hog), versão de Erasmo Carlos para a música de Gwen Loudermilk & John Loudermilk. Malu e Chay ainda fazem um emocionante dueto na canção “Devolva-me” (Renato Barros / Lilian Knapp), balada que na década de 60 ganhou interpretação de Erasmo e Wanderléa, da dupla Leno e Lilian (em 1962) e hit na voz de Adriana Calcanhoto, que a reapresentou para a geração dos anos 2000.
Também de outra lavra, “P’rá Sempre (Forever)”, canção de De Angelis & Marcucci, em versão de Paulo Murillo, que foi originalmente registrada por Erasmo em 1960, ao lado do grupo “The Snakes”, agora ganha os timbres de Chay Suede.
Fechando oficialmente o álbum, o hit “Amigo”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, interpretado por Gabriel Leone. A canção representa para os milhões de fãs da dupla de compositores a força da amizade entre eles.
Gabriel Leone também interpreta a faixa-bônus “João e Maria”, um dos primeiros registros de Roberto Carlos (música em parceria com Carlos Imperial), lançado primeiramente em 1959, em formato de compacto simples, e depois integrou o repertório do primeiro álbum do Rei, “Louco Por Você”, lançado em 1961.
Minha Fama de Mau” é trilha que busca um recorte da juventude daquele rapaz que queria ser como Elvis Presley, que usava jaqueta de couro, colares e tinha muita atitude. Hoje, cinco décadas depois, ele é o compositor de mais de 650 canções e tem o amor como sua maior expressão. Da fama de mau dos versos da sua música ficou o sucesso, o reconhecimento e um apelido carinhoso daqueles que cercam Erasmo Carlos: Gigante Gentil.

Tracklist “Minha Fama de Mau”:
Músicas, cantores, autores e editores
Minha Fama de Mau com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Irmãos Vitale)
Festa de Arromba com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. EMI)
Parei na Contra Mão com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Irmãos Vitale)
Eu Sou Terrível com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Cap Music)
Lobo Mau (The Wanderer) com CHAY SUEDE
(Ernest Marasco – Versão Hamilton di Giorgio – ed. Warner Chappell
É Proibido Fumar com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlo – ed. EMI)
Prova de Fogo com MALU RODRIGUES
(Erasmo Carlos – ed. Fermata)
Sentado à Beira do Caminho com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Fermata)
Vem Quente Que Estou Fervendo com CHAY SUEDE
(Carlos Imperial & Eduardo Araújo – ed. Fermata)
Susie com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos – ed. Amigos / Sony Music)
Meu Anjo da Guarda com MALU RODRIGUES
(Rossini Pinto & Fernando Costa – EMI Publishing)
Gatinha Manhosa com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. EMI)
O Calhambeque (Road Hog) com GABRIEL LEONE
(Gwen Loudermilk & John Loudermilk – Versão Erasmo Carlos – ed. Sony Music)
Devolva-me com MALU RODRIGUES & CHAY SUEDE
(Renato Barros & Lilian Knapp – EMI Publishing)
P’rá Sempre (Forever) com CHAY SUEDE
(De Angelis & Marcucci – Versão Paulo Murillo – ed. Universal Publishing)
Amigo com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – Ed. Amigos Sony ATV e ECRA Sony ATV)
Faixa-bônus:
João e Maria
com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Carlos Imperial – ed. Amigos /Sony Music e Templo / EMI Publishing)
Ficha Técnica – Trilha Sonora:
Trilha musical MINHA FAMA DE MAU
“Um filme de Lui Farias”
Uma produção
Universal Music, Indiana Produções Cinematográficas e Coqueiro Verde Records
Dirigida por Max Pierre
Seleção de Repertório: Lui Farias
Cantores atores
Chay Suede (Erasmo Carlos)
Gabriel Leone (Roberto Carlos)
Malu Rodrigues (Wanderléa)
Arranjos, órgão Hammond, pianos, harmônica e flauta: José Lourenço
Bateria: Rike Frainer
Guitarras, violão e cítara: Billy Brandão
Baixo e vocais: Pedro Dias
Violão, voz guia e vocais: Luiz Lopez
Saxes e flautas: Dirceu Leite
Gravação, edição digital e mixagem: Marcelo Saboia
Assistente executiva: Eva Straus
Arregimentador: Genilson Barbosa
Gravado no Cia. dos Técnicos em outubro/novembro 2015
Mixado no Escritório do Saboia
Masterizado na Visom Digital por Ricardo Dias

Sobre a Universal Music:
A Universal Music Group é a empresa líder mundial no mercado de música, com forte posicionamento nos negócios de gravação, edição musical e merchandising, com selos próprios ou licenciados em 60 territórios. O Grupo Universal Music (UMG) possui o mais extenso catálogo da indústria fonográfica, incluindo os mais populares artistas e suas gravações realizadas nos últimos 100 anos. Fazem parte da Universal Music Group a Universal Music Publishing, líder em edição musical, a Bravado, empresa de merchandising de produtos originais dos artistas, e a GTS, divisão global de agenciamento artístico e produção de eventos. A Universal Music Group é uma unidade da Vivendi, companhia mundial de mídia e comunicações.

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Dora Freind é garota do seu tempo!

Aos 16 anos ela ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Veneza. Aos 20 anos Dora Freind é destaque na TV (em Malhação Vidas Brasileiras) e me ensina autoestima. Eita garota porreta que me confiou a sua assessoria de imprensa. Vale conferir o trabalho e ler o artigo que a atriz fez para o site da jornalista Márcia Peltier, que pode ser encontrado no link (https://www.marciapeltier.com.br/meu-corpo-e-unico-e-e-meu-diz-a-atriz-dora-freind-de-malhacao-na-luta-contra-a-padronizacao-da-beleza-feminina/) ou no drive-clipping com as matérias publicadas sobre a atriz.

Foto Pedro Garrido.

Clipping: https://drive.google.com/open?id=18agMtb5opab03F5QXAaDRUumfak49UTI

Escritório da atriz: http://www.agentesefala.com.br

Alguma habilidade ou bobagens de outono

Enquanto guardo agulha e linha num bauzinho, penso que poderiam ter me incentivado a fazer um cursinho de qualquer coisa manual, já que sou uma zero a esquerda para tais habilidades. Nunca tive uma caixa de costura, mas até fazia uma bainha ou outra, até descobrir a moda do desfiado e nunca mais. Me peçam qualquer coisa, menos cortar um pano retinho, ou mesmo escrever numa cartolina. Uma folha em branco são letras ladeira abaixo ou palavras ladeira acima.
Por esta e outras desculpas sinceras, há dois meses venho adiando refazer a cama do Dudu – aquela cama fofa de canos e tecido que DiegoCarol fizeram. Mas como comprei o pano leve, o cão cresceu, pesou, cavou e comeu parte do desfiado, me prometi refaze-la. Comprei um tecido de forrar coisas repleto de cães em homenagem a amiga In-Coelum, uma expert em fazer panos, paninhos, toalhas e afins. Até coleira e guia de cachorro ela faz. E tudo lindo e com acabamento perfeito. Se fosse eu, ganharia era a vida fazendo coleiras.
Nunca fiz uma roupinha de bonecas, aliás, era bem melhor andar de bicicleta ou soltar pipa. Mas tinha um quadro negro que era verde, bem grande, ficava no corredor da casa, para sentar no chão e desenhar, escrever. Era pequena, mas lembro da cena: a prima Deise combinou de fazermos uma fazenda ou algo assim. Fiquei com a galinha, mas não consegui desenhar a penosa e chorei e chorei. Deise, generosa, fez a galinha para mim. Desenhar era traumático.
Tomei coragem e decidi fazer a cama, ou melhor, pedi para a amiga Gila, que estava em casa comigo. Ela cortou, ufa, fez um acabamento à mão para evitar desfiar. Me perguntou se eu estava prestando atenção, que respondi, claro. Fiquei mais uma semana olhando para o pano. A prima Deise veio me visitar e mais uma dose de cara de pau e foi-se os arremates à mão. Mais dez dias e o pano me fitava e a cama se desfazia diante dos meus olhos. Hoje, já com a contagem regulamentar nos acréscimos, peguei o pano, a cama e segui com resignação para a tarefa que me gasta um esforço hercúleo: costurar.
Enquanto me esforçava para me concentrar no pano, as palavras voavam pela minha cabeça, espetei os dedos, mudei de posição, doeu o pulso e no meu melhor estilo fiz o que tinha que ser feito: refiz a cama do Dudu. Não saberia dizer se por tudo isso, quando me perguntam entre fazer uma bainha ou o almoço, vou preferir o almoço. Plantar quinze árvores ou fazer uns enfeites para aniversário, e plantarei uma floresta.
Penso que habilidades são prazeres que nos esforçamos para melhorar e inabilidades são prazeres alheios que insistimos em tentar gostar, sem sucesso. Hoje, sem vergonha pelas palavras voando ou pelos desfiados das bainhas, vejo a cama razoavelmente costuradinha e a alegria do cão e me basta.

herança da Terra

Quando honro as minhas origens de filha de lavrador do Espírito Santo, que me empresta seu nome e me nomeia filha de um ser do campo, da coragem de quem semeia neste imenso país. Aqueles que também abandonam o sonho da terra fertil por dias melhores nas grandes cidades. Assim me fiz filha de um homem da terra, que me deixou a herança do plantar e do colher com a emoção de quem semeia a vida para ver brotar dias melhores. E hoje colho laranja na @casa_passarim e hoje, repleta de amor pelo dia lindo na serra, desejo partilhar com todos esta beleza de luz, de perfume de fruta fresca, por dias mais iluminados e simples, com a bênção da sábia mãe natureza. Gratidão a @joanawv @lobogila Nuxa, Sergio, Fabinho e @antoniocoutinhoc , que me acolheram em familia. #semfiltro #casapassarim #pedrodorio #petropolis #rj #espiritosanto #santaleopoldina #santateresaes 📷@deisecardosodeabreu

Publicado originalmente no Instagram, dia 30 de março

Para todo fim, um recomeço

Por que temos medo de partir, de dizer até logo, de mudar a direção, o rumo ou mesmo dar fim para aquela questão chata que está abandonada na gaveta? Por que?
Ainda busco estas respostas todas as vezes que mudo o rumo dos meus acontecimentos e me deparo com a dúvida, aquela que atormenta quando precisamos esperar pelo que será o amanhã. E a armadilha é querer olhar para o amanhã, sem coragem para mudar e caminhar no agora.
As vezes esquecemos que para todo fim existe um recomeço, uma nova oportunidade, um novo olhar adiante. Mas as vezes o adiante parece um horizonte longe e sem um galho de arvore para agarrar. Mas mesmo assim há horizonte, ele está lá e depende só de nós enxergá-lo. E se não tiver árvore alguma? A voz no meu ouvido dirá: levanta das suas tristezas, vai lá e planta uma árvore. Na dúvida, planta duas, tá? E eu direi: tá.
Vivo de recomeços, todos os dias quando acordo. E vivo de agoras, todas as vezes que me arrisco. Esse “agoras” é o momento atual com as decisões acumuladas dos meus agoras anteriores.
A todos o meu incentivo ao risco do fim, para ir de encontro ao recomeço, pois sempre haverá algo novo para tudo que você sonhava – todos os dias.

Foto Praia da Guarda do Embaú, SC, fevereiro, 2014, por Silvana Cardoso

Para ouvir Milton Nascimento em “Tudo que você podia ser”, de Lô e Márcio Borges
https://www.youtube.com/watch?v=GGmGMEVbTAY&start_radio=1&list=RDGGmGMEVbTAY
Com sol e chuva você sonhava
Que ia ser melhor depois
Você queria ser o grande herói das estradas
Tudo que você queria ser
Sei um segredo você tem medo
Só pensa agora em voltar
Não fala mais na bota e do anel de Zapata
Tudo que você devia ser sem medo
E não se lembra mais de mim
Você não quis deixar que eu falasse de tudo
Tudo que você podia ser na estrada
Ah! Sol e chuva na sua estrada
Mas não importa não faz mal
Você ainda pensa e é melhor do que nada
Tudo que você consegue ser ou nada

o penúltimo dia

acordei cedinho e quando cheguei no mar, sempre muito perto, ele estava longe, muito seco, cheio de poucas surpresas.
me aventurei nos corais, na arrebentação, aquela que passei a semana vendo os jangadeiros, ouvindo as ondas baterem para que a divisa me desse um mar calmo, quase um rio.
agora à tarde, após um dia lindo de sol-chuva, azul-cinza, vento-vento, me ofereci numa maré cheia, de um mar verde claro, águamorna, sempre, quase doce, mar que corre como um rio, lindo, para um final de tarde deslumbrante, silencioso no som das folhas do coqueiral…
penultimo dia…esplendido… vontade imensa de ficar por aqui mais um pouco…
quem sabe volto logo… quem saberá…
Patacho, Al, 12 de junho de 2010.
Foto, Silvana Cardoso

E viver é essa aventura

Doa a quem doer, somente os amigos falam verdades – para o bem e para o mal. Analisando por este ponto, cheguei a conclusão da uma suspeita: tenho um novo amigo e o nome dele é João.
Dias desses, estávamos brincando, imaginávamos andar de bicicleta, quer dizer, ele dirigia a bicicleta elétrica parada, e eu agarrada em sua camiseta enquanto durou o passeio. Em um determinado momento João olhou firme para mim, bem de perto, e disse:
– Sil, você tem bigode!
– Como assim João. Eu?
– Sil, tô vendo aqui ó!, enquanto o dedinho apontava para minha boca eu me contorcia para não gargalhar.
– João, você descobriu o meu segredo. Eu tenho bigodes! Herdei do meu pai, que também tinha um muito mais bonito que o meu.
João colocou a mão na boca, arregalou os olhinhos e sorriu satisfeito com a descoberta.
Costumo ter diálogos divertidos e honestos com o meu novo amigo, lhe faço limonadas e ouço suas histórias com atenção.
Aqui no sítio a vida é compartilhada e quando Joana, mãe do João, vai ao mercado me passa um “zap” para saber se quero algo da rua. Também costumamos ir juntas para a piscina ou acontece um almoço compartilhado com todos, com Nuxa e Sergio. As vezes faço o lanche aqui em casa, como era o hábito antigamente aos domingos, para Diego e seus amigos. Até hoje quando encontro os rapazes já casados, fica a tentativa de reedição do lanche da Tia Sil. E sempre era, e sempre é, divertido construir estas histórias de vida.
Outro dia li uma reportagem do Nexo com o tema “Como a arquitetura urbana pode combater a solidão”, da Juliana Domingos de Lima. Nela, reproduzo um parágrafo sobre a arquiteta Grace Kim, que tem uma pesquisa onde afirma que a solução para a solidão nas cidades não está somente nos espaços públicos, mas na maneira de habitar e na criação de vizinhanças mais coesas. Ela defende o “cohousing”: trata-se de uma “vizinhança intencional”, na qual as pessoas se conhecem e cuidam umas das outras. A ideia é que cada pessoa ou família tenha sua casa, mas compartilhe espaços significativos para a vida cotidiana. Segundo as pesquisas de Kim, quando as pessoas comem juntas, naturalmente criam laços e planejam fazer outras atividades juntas, aumentando o nível de conexão social entre elas.
E cresci vendo vovó compartilhar comida. E como vovó, gosto das amizades, das gentilezas, das trocas, e ter por perto pessoas para a vida. Como a plaquinha da foto, presente da vizinha Helen Maria, – “pela sua escolha, por uma vida simples aqui” (nome também da revista que amo). Ah, e aqui trocamos livros como antigamente.
Quanto ao meu amigo João? Bem, ele me recebeu de braços abertos quando cheguei para morar no sítio e sempre me chama para brincar, além de ser muito franco, claro. João tem quatro anos, adora minha limonada azeda e, com a sua alegria de menino, costuma gritar do seu quintal: “Silll, estou indo aí, tá?”. E viver aqui é essa aventura.
Pedro do Rio, Petrópolis, RJ, 9 de feveiro de 2019.

Link para matéria Nexo:
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/12/15/Como-a-arquitetura-urbana-pode-combater-a-solid%C3%A3o?utm_source=meio&utm_medium=email

Por um jardim verdinho e florido

Traço um plano para as minhas empreitadas. E foi assim, dando voz ao plano de ter um jardim verdinho, florido e com algumas árvores, que hoje tenho um quintal para chamar de meu.
Digo um quintal e não um jardim, digo capim e não gramado, já que a equação chuva versus grama é algo que pode te levar a falência. Por aqui ainda gramo, literalmente, para ter um gramado cuidado, com as árvores sem as touceiras de capim navalha em volta de seus troncos. E flores.
A primeira relação desastrosa com o dia a dia no verde foi a samambaia, quando a deixei na varanda pelos três dias que fiquei no Rio. Quando retornei, todas as folhas haviam se transformado em comida de formiga, onde num trabalho cooperado só restou os caules.
Então a equação é assim: você planta e as formigas comem, chove, e as formigas dão uma sumida, mas a grama cresce absurdamente. É nessa hora que paga-se uma pessoa para roçar a grama, que roça junto o seu jovem e belo Ipê Rosa, presente da sua comadre amada. Então é assim que funciona: se as formigas não comem, um distraído te elimina dois anos de crescimento da árvore que você plantou com tanto cuidado.
Moral da questão: para transformar um quintal num belo jardim verdinho e florido é preciso ter coragem para contratar um jardineiro. Coragem para confessar ao profissional que não sou rica, mas abusada, e que necessito de um jardim bem cuidado e florido. Depois, fazer o cursinho de jardinagem para iniciantes que peguei o telefone.
Logo após vir morar aqui fui convidada para um leilão, dar lance e tudo mais. Foi numa casa lindíssima em Itaipava. Jardim suntuoso de flores e folhagens, com árvores centenárias, parecia locação do núcleo rico da novela das nove. Após a venda da casa tudo que pertenceu aos donos da mansão de oito quartos – de tapetes, camas e quatros, a toalhas bordados e copos diversos, milhares de itens – abasteceu o grande leilão por dois dias.
Derrotada nos lances de uma estante, uma chuva torrencial caiu e resolvi me refugiar na varanda, na cia de dois senhores que estavam lá sentadinhos há horas. Me cheguei e fui entender que ali se tratava de dois funcionários de décadas da família – o motorista e O JARDINEIRO.
Hoje, passado uns meses daquele dia, tomei a decisão de que é chegada a hora de abrir mão daquele vestido novo, daquele armário da lavanderia, do jantar com amigos no Rio, daquela viagem distante. É chegado o momento de todos os fundos de reserva dos próximos meses serem destinados ao quintal. E quem me conhece já imagina que naquela noite chuvosa e frustrante no leilão peguei o telefone do jardineiro da mansão. Sim, peguei.
E aquela garota que plantava margaridas com o pai é hoje uma jovem senhora que pretende transformar o seu quintal num belo e bem cuidado jardim, numa pequena e fofa casa na serra.
Vamos a isso 2019.

 

 

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