SÁBADO À NOITE — TRABALHOS E ATORES

Todo mundo espera alguma coisa, de um sábado à noite. Pois é, como na música, eu esperava atualizar o site, mas fui contar e, desde a última postagem foram muitos trabalhos executados, alguns ainda em curso.

Fiquei pensando e revendo as fotos de montagem de teatro, atores, livros, música, filmes, séries, documentários, que faço a assessoria de forma artesanal, pessoal, com afeto e dedicada aos desdobramentos dos projetos a partir das minhas experiências não só com a comunicação, mas como gerente de markekting e de projetos em cultura e entretenimento. 

Resolvi que vou escrever aos poucos, mas preciso destacar uma parceria linda com a Miriam Juvino, da A Gente Se Fala e, com a Cacá, da Dom Agenciamento, que venho realizando com atores jovens das duas empresárias, repletos de talentos diversos, com trabalhos de repercussão nas artes, mas inexperientes para entender a comunicação além das midias digitais.

E preciso dizer que isso tem me dado um prazer imenso, como ensinar a importância da comunicação como um todo, conduzir e preparar para suas primeiras entrevistas. Ajudar no entendimento dos seus reais posicionamentos, suas verdades a serem apresentadas no primeiro release de suas carreiras.

E, acima de tudo, uma troca linda de experiências — eles, com as alegrias e dúvidas naturais na era digital; eu, mais experiente, vendo de dentro este movimento, enquando conduzo eles para um olhar mais ampliado da comunicação ao grandioso universo que vão trilhar. E agradeço todos as oportunidades.

https://www.agentesefala.com.br

https://www.domagenciamento.com.br/

ESPETÁCULO INSPIRADO NO TEATRO DO ABSURDO ENCERRA TEMPORADA NO RIO

Fazer assessoria de comunicação de espetáculos de teatro é sempre um grande prazer e chega ao fim a temporada da montagem em cartaz no Teatro Vannuccina Gávea (RJ), A Vingança de Shakespeare, qeu chega na sua última semana no dia 1 de maio, domingo, às 20h30 (o espetáculo teve estreia no dia 18/3/2022). Com texto e direção de André Costa e elenco composto por Carlos Bonow, Priscila Ubba, Sérgio Abreu, Renatta Pirillo, Camila Mayrink, e o ator convidado, Roberto Pirillo, que dão vida a uma confraria de atores que se reúnem para prestar homenagem a Dionísio. No encontro, encenam a tragédia de Romeu e Julieta e celebram a chegada de um novo membro, que guarda um segredo fascinante, como a misteriosa confraria.

Inspirado no gênero do teatro do absurdo, A Vingança de Shakespeare é um suspense tragicômico que se passa na noite do encontro da confraria de atores. Se reúnem regularmente para prestar homenagem a Dionísio, quando encenam, para eles próprios, uma tragédia. Sem saber de antemão seus personagens, os atores podem recorrer ao improviso e à espontaneidade, sem jamais alterar o rumo e o desenlace do texto original. 

“Shakespeare e o teatro do absurdo é uma abordagem que tem muito a ver com os tempos de polarizações que estamos vivendo. Na peça, uma confraria de atores é criada para homenagear o legado do teatro. O que seria algo altamente positivo e dignificante se desdobra no seu oposto. Trata-se de crítica direta a todos que acreditam na radicalização das “boas ideias” como maximização do “bem comum”. O resultado alcançado, a história não deixa dúvidas, é sempre o da tragédia”, reflete o autor.

Clipping da assessoria de impresa: https://drive.google.com/drive/folders/18-JtuTE_tElB3jxxeXyo-4H1Bj1-mSBS?usp=sharing

PATRICK SAMPAIO – ATOR, ROTEIRISTA E PROFESSOR

Patrick me chamou para divulgar a sua participação na primeira fase da novela Além da Ilusão (Globo, 18h), como Artur, advogado idealista que entrou para ajudar Davi,  personagem de Rafael Vitti. Já na segunda fase, Patrick retorna com o advogado para elucidar a acusação sofrida pelo mágico.

No cinema, Patrick dá vida a um fotógrafo no longa-metragem “Foram os sussurros que me mataram”, com direção de Arthur Tuoto. O filme retrata os dias que antecedem a estreia de um reality show e o confinamento da celebridade Ingrid Savoy, vivida por Mel Lisboa. Em um quarto de hotel a celebridade sofrerá ataques de fãs, anarquistas e repórteres. Apesar do cerco para protegê-la, um misterioso “paparazzi”, vivido pelo ator, consegue entrar no quarto e os dois vão estabelecer uma conexão franca. O filme tem produção da Grafo Audiovisual e será lançado pela Olhar Distribuição.

Ator e roteirista de Amor & Sexo (Globo, 2018), Patrick Sampaio ganhou destaque em Espelho da Vida, novela de Elizabeth Jhin para a faixa das 18 horas da Globo, em 2018, quando interpretou dois personagens, Felipe (um fantasma ou espírito atormentado por vingança) e Otávio (par da personagem de Alinne Moraes no passado). Em 2021, também atuou na novela Genesis (RecordTV).

Patrick é pessoa gentil, educada e inteligente. Sempre há leveza e profisisonalismo nas nossas parcerias e demandas de trabalho. Creio que esta também seja a receita do seu sucesso.

Clipping matérias publicadas: https://drive.google.com/drive/folders/10TR_XWxN0UAhWpq4UiTC_yJmMsqmDxeX?usp=sharing

Foto de Patrick Sampaio é autoretrato.

JORNALISMO EM TEMPOS DE BBB – HOJE,19H30, LIVE NO INSTAGRAM @MULHERESJORNALISTAS

Com Jorge Luiz Brasil, meu amigo e parceiro de trabalho há mais de duas décadas, editor do @maisnovela. Vamos falar sobre ser jornalista em tempos de mudanças da tecnologia; em tempos de BBB; sem espaço para grandes conteudos; a midia voltada para celebridades que assumem um espaço cade vez maior nos veiculos de comunicacão.
O consumo dessas noticias pelas pessoas, por todo mundo, e a nossa necessária reinvenção na frente das câmeras, com lives, a autopromoção (nós que levaviamos a noticia e o foco era o entrevistado e não a nossa própria pessoa.
A segurança fisica, emocional e profissional em tempos de guerra, ânimos alterados por qualquer assunto e cancelamentos.
Etarismo, claro. Palavra novinha para dizer que os mais velhos continuam sem espaço no mercado de trabalho. E haja informalidade para tantos. Passa lá! Conto com você!

PARA MULHERES JORNALISTAS: EXPOSIÇÕES PARA NÃO PERDER EM SP

https://mulheresjornalistas.com/exposicoes-para-nao-perder-em-sao-paulo/cultura/

Adoraria estar em São Paulo. Amigos para rever, muitas saudades por lá, mas adoraria conferir duas exposições em especial – entrar no universo tão necessario da escritora Carolina Maria de Jesus e me perder nas imagens deslumbrantes de Sebastião Salgado.
E aguardo chegarem pelo Rio e que venha Constelação Clarice, que acabou de sair do IMS, SP.

Abaixo, o inicio do que escrevi para @mulheresjornalistas

Exposições para não perder em São Paulo
Obras de dois artistas de extrema importância para a memória do nosso país estão disponíveis em exposições na cidade de São Paulo, que, além de emocionantes e repletas de informações, são como um “banho” de cultura para quem gosta de arte e sabe o quanto ela amplia os horizontes do ser humano, tão necessitado de beleza e autoestima nacional. Estou falando da escritora Carolina Maria de Jesus e do fotógrafo Sebastião Salgado. No Instituto Moreira Sales São Paulo, até o dia 27 de março, é possível mergulhar no universo da mineira que foi catadora de papel em São Paulo, com a mostra “Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros”, dedicada à trajetória e à produção literária da autora que se tornou internacionalmente conhecida com a publicação de seu livro Quarto de despejo, lançado em agosto de 1960. Já a exposição “Amazônia – Sebastião Salgado”, que abriu no último dia 15 de fevereiro na Área de Convivência do Sesc Pompeia, pode ser conferida até 31 de julho. São aproximadamente 200 imagens, resultado de sete anos de imersões fotográficas do artista na Amazônia brasileira.

Foto do card MJ: Sebastião Salgado

@imoreirasalles
@sescpompeia
@carolina_maria_de_jesus
@sebastiaosalgadooficial

DANÇANDO DO MEU JEITO É ESPETÁCULO DE ANTONIO GUERRA, DE 10 ANOS

Fica em cartaz até domingo no Sesc Copacabana (RJ), o espetáculo infanto-juvenil, Dançando do meu jeito, idealizado pelo pequeno Antonio Guerra no final de 2019, quando tinha 10 anos de idade.
Este é o começo desse post que poderia falar logo sobre o que Antonio queria dizer, mas antes, vou contar que esta montagem estava com temporada marcada para abril de 2020, mas não preciso falar mais nada, pois foi cancelada a temporada.
Quase dois anos se passaram e voltei para a equipe da produtora Cacau Gondomar (@ciadaideia), que me convocou para a estreia em janeiro, que foi adiada de 1 para o dia 22/1, que cumpre sua temporada com as quatro sessões que faltam, sábado e domingo (19 e 20/2/22), às 11h e 16h.
Enquanto o tempo passou, Antonio cresceu, já é um pré-adolescente de 13 anos, que aleem de idealizar, colabora com a dramaturia do espetáculo que ele queria levar para os as crianças e os jovens, para falar sobre o preconceito em aceitar com naturalidade que meninos e meninas possam se expressar de uma forma diferente da convencional. Dançando do meu jeito apresenta um menino que pode parecer diferente, já que não quer andar de skate, brincar de carrinho ou jogar bola, como a maioria dos colegas da sua escola. Ele deseja interagir com a música, o espaço e as pessoas e dançar do seu jeito.
Dançando do meu jeito conta com o jovem Antonio fazendo parceria com a sua mãe, a coreógrafa Sueli Guerra, que está no elenco e assina a dramaturgia com o filho e Daniel Chagas. A equipe é formada: com: Iluminação de Paulo César Medeiros, Cenários de Nello Marrese, Vídeografia e edição de imagens de Lucas Leal, Figurino de Patricia Muniz, Trilha de Rodrigo Russano, Produção de Cacau Gondomar e a Passarim na assessoria de imprensa. No elenco, Andreia Pimentel, Daniel Chagas, Marcus Anoli, Renata Reinheimer, Saulo Eduardo e Sueli Guerra.
Só consegui colocar uma foto do Antonio já imenso, mas nas matérias publicadas, é fácil ver o menino de dez anos, nas fotos de divulgação que não ivemos a oportunidade de divulgar na época, mas que foi um sucesso quando comparamos Antonio em 2020 e 2022.

SERVIÇO: DANÇANDO DO MEU JEITO
Sesc Copacabana | Sala Multiuso
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, RJ
Fevereiro 19 e 20 de fevereiro de 2022 |  domingos às 11h e às 16h
Duração: 50 minutos | Classificação: Livre
Ingresso: R$7,50 (Comerciário)  | R$15,00 (Meia) / R$30 (Inteira)
Bilheteria: Terça a Sexta – de 9h às 20h; Domingos – das 13h às 20h. / Dias de espetáculo de manhã – Domingos de 10 às 20h. 
Crédito foto: Denise Mendes

Clipping assessoria de imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1RZkRx1LQ4uJ6EfP48c1oN3NSHz7tX3Gr?usp=sharing

PARA MULHERES JORNALISTAS: ELZA SOARES FOIS DURA NA QUEDA

https://mulheresjornalistas.com/elza-soares-foi-dura-na-queda/cultura/

Elza Soares costumava dizer que antigamente as mulheres apanhavam caladas. Mesmo que em muitos lugares a mulher ainda seja oprimida e inferiorizada, o legado da cantora pela luta em favor dos direitos das mulheres reverbera por todos os cantos, por onde sua voz ecoou e ainda vai ecoar para as futuras gerações de que não se curvarão para uma vida indigna. “Sou mulher preta, pobre e favelada”, costumava dizer com orgulho de sua incrível história de vida, que merecidamente é um exemplo de superação, já que com apenas 16 anos (foi mãe aos 13 anos) já sabia a dor da perda de dois filhos e do marido.

Também costumava relatar o diálogo com Ary Barroso, quando foi ao programa do compositor na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Pretendia ganhar o prêmio acumulado do concurso de calouros: “Descobri que cantava e fui tentar ganhar o concurso para salvar meu filho João Carlos, que estava morrendo e não queria perder mais um”. Com 32kg, pegou um vestido da mãe que pesava 60kg, colocou alfinetes para ajustar, uma sandália rasteira e foi ouvir de Ary Barroso a pergunta: “De que planeta você veio?”. O que ela respondeu: “Do mesmo que o seu, Seu Ary. O Planeta da Fome”. Elza ganhou o prêmio, salvou o filho e nunca mais calaram sua voz, que tinha “fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade”. Ensinava que a fome só muda de cara, mas não tem fim.

Reconhecida pela Rádio BBC de Londres como a voz brasileira do milênio, na virada de 1999 para o ano 2000, Elza Soares se calou com um suspiro, em casa, junto aos seus, de morte natural, no meio da tarde desta quinta-feira, dia 20 de janeiro. Mas morreu de vida, daquela que transbordou em seus posicionamentos autênticos e corajosos diante da crueza do mundo ou das suas tragédias pessoais. E estamos falando da mulher independente, da cantora que após aquele programa de auditório, para salvar o filho que lhe restava, gravou o primeiro álbum alguns anos depois. Uma cantora de samba, com suingue, uma voz rouca que se relacionava com o jazz. Se aproximou da MPB e da Bossa Nova, foi reconhecida por compositores como Caetano Veloso e Chico Buarque. Mas o início da década de 1980 foi mais que um desafio para a mulher guerreira, com a separação do grande amor da vida, o jogador de futebol Garrincha. Por causa dele, a mulher Elza foi humilhada publicamente por ele ser casado quando se conheceram. Por Mané (como ela chamava o craque da seleção brasileira), Elza foi embora do Brasil com o jogador e lhe deu um filho. …

Texto completp no link, acima.

Foto Leo Aversa, em 3/8/2009

UMA ÁRVORE DE NATAL, CRÔNICA NA ANTOLOGIA DO SARAU ATEMPORAL

Convido vocês para a leitura da minha crônica, abaixo, Uma Árvore de Natal, que está na Antologia de Natal do Sarau Atemporal 2021, da Editora Apena @apena.editora, que estou participand
Desejo um amoroso e ensolarado 2022!❤️🌻❤️
Antologia de Natal estea disponível para leitura, gratuitamente, pelo link: https://cutt.ly/cY7Guvb (autores por ordem alfabética. Uma Árvore da Natal está na página 82).

Uma Árvore de Natal

Percebo que deixei de lado a minha pequena e companheira Árvore de Natal neste dezembro. Mas arrumei um lugar para ela em cima de uns banquinhos coloridos que habitam a sala. Me pareceu que ela está feliz ali. Mas não pendurei seus enfeites. Até comprei mais alguns, como faço todo ano, mas os dias passando, dezembro avançou e não me reuni envolta dela, sentada no chão da sala, para colorir suas hastes ainda verdinhas com velhos e novos penduricalhos. Juntei por perto uma caixinha de lâmpadas pisca-pisca que comprei no ano passado. Ela ficou ali. Nada justo com aquela pequena árvore que já chegou com suas bolinhas vermelhas de metal nas extremidades.

Ela me conquistou de relance, após um dia de trabalho temporário, quando o andar apressado parou em frente  à pequena lojinha na Rua do Rosário, no Centro do Rio de Janeiro. Naquele tempo de pouca beleza, fazia o caminho até o ônibus por ali, para ver o colorido das  lojas de flores da rua. Parecia pequena, mas uma boa possibilidade da casa ganhar o colorido de uma árvore nova, após um ano duríssimo, em todos os sentidos.

Neste amontoado de anos, aventuras de três décadas desde aquele fim de tarde, quando resolvi levá-la para casa. Ali, ela representava conquistas de algum trabalho após uma separação dolorida, com um filho pequeno e triste para consolar.  Sim, com coragem e determinação em me acompanhar, minha Árvore de Natal pode contar aventuras e desventuras de uma mulher repleta de possibilidades e reinvenções. Ela me ajuda a separar estas décadas. E me faz lembrar, quando a cada dezembro nos reencontramos e, enquanto baixo os seus galhos e coloco seus enfeites, passamos a limpo o ano em questão.

Em anos de casa cheia, numa década ainda perto, uma árvore grande foi colocada na sala, para que os pequenos, o afilhado e filhos dos amigos, pudessem ter uma tarde de entrega de presentes com mais impacto. Árvore exuberante. Como estava a vida naqueles anos, mais nos trilhos, entre os amores que me cercam e outro que havia chegado. Mas a minha pequena árvore nunca ficou sem estar por perto. E, naqueles anos, esteve junto, no meu local de trabalho. Mas a grande árvore não se sustentou naquela sala, naquela década que parecia perfeita. Seguiu. Não a pequena Árvore, que comigo se mudou de casa. De vida. De cidade.

Neste 2021, ainda dando pequenos passos de conquistas para lá e para cá, ainda tateando os últimos dias de mais um ano desafiador, faltando exatos dez dias para o tão esperado 25 de dezembro, minha pequena Árvore ganhou seus enfeites. Ganhou também um laço dourado no seu galho verde mais alto e o pisca-pisca de colorido leve, de mudança de cores quase em lentidão. Conversamos. Falei do tempo de incertezas, das pequenas alegrias que ainda cultivo. Confessei meus medos. Partilhei pequenos segredos para este 2022. Mas, da nossa cumplicidade, o que não mudou no compartilhar com a minha pequena Árvore de Natal foi a fé na vida que me alimenta – com as palavras que transbordam de mim e me consolam, com o desejo que as fatias de 2022 sejam de tempos de paz. E de leveza, para os meus amores e para a humanidade.

Feliz Natal!

Pedro do Rio, Petrópolis, RJ, 15 de dezembro de 2021.


CARTA PARA ZELIA

Petrópolis (RJ), 02 de fevereiro de 2021.
Querida Zelia, saudades de você e das nossas conversas.
Desejo que estejas em paz, ao lado de Jorge, seu grande amor.Te escrevo no dia de Nossa Senhora dos Navegantes, dia de Iemanjá, da lavagem das escadarias do Bonfim. Adoraria estar em Salvador, mas não devemos viajar neste momento de Covid-19. Escrevo para te contar que “Um chapéu para viagem” ganhou vida na minha vida, quando numa viagem à trabalho na cidade histórica de Paraty, no Rio de Janeiro, ganhei um chapéu lindo e florido de uma grande amiga.
Naquele mesmo dia contei sobre a importância do seu livro, quando te acompanhei até o momento do apito do navio, aquele que fez seu pequeno filho estremecer. Você dividida, a aflição por deixar “os seus” para tentar a sorte com Jorge no estrangeiro. Quanta coragem cabe no coração de uma mulher, Zelia? Conhecendo mais de perto as suas aventuras no exterior como a companheira de Jorge, percebo também que elas contribuíram para a sua jornada como a imensa escritora que você se transformou.
Mas preciso te contar do meu chapéu, querida Zelia, pois ele faz parte da minha alma andarilha, da coragem para a vida como você, que embarcou naquele navio sozinha, enquanto o Brasil perdia jovens e intelectuais pela ideologia de um país melhor e mais justo. Este chapéu, que ganhou o título do seu livro, guarda as lembranças em um dos encontros mais lindos da minha vida, quando retornei ao Espírito Santo após 40 anos, para rever a família que ficou guardada na minha memória após a perda do meu pai. Voltar lá para rever os meus, na companhia do meu chapéu para viagem, foi como estar de mãos dados com meu pai, em segurança.
E o chapéu fez um sucesso daqueles, como aquele que Maria Della Costa lhe presenteou para o seu embarque. Zelia, também preciso te contar que todos os anos estou na mesma Paraty trabalhando no Festival deJazz com a parceira que me deu o chapéu. E logo ali na praça da Igreja Matriz tem o livreiro da Kombi e você acredita que achei um exemplar de Um chapéu para viagem? Sim! E consegui presentear a nobre amiga com ele e isso me encheu o coração de alegria.
Querida, além do chapéu que me deste o título, sua escrita tardia foi um ato de generosidade, inspiração para esta escriba que vos fala. Pelas suas palavras conheci um pouco mais você e da nossa história. Só tenho a agradecer. Mas, depois, você me levou para suas andanças nas “Europas” com “A Senhora Dona do Baile”. Preciso confessar que fiquei muito emocionada com a publicação, mas vou te escrever sobre ela na próxima cartinha.
Afetuosamente, Silvana
Foto: Meu Chapéu para Viagem em Angra dos Reis.

SOBRE Zélia Gattai (1916-2008): Escritora brasileira que começou a escrever com 63 anos. Estreou na literatura com o livro de memórias “Anarquistas Graças a Deus”. Recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária. Viveu com o escritor Jorge Amado durante 56 anos. Em 2001, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira n.º 23, a mesma que pertenceu a Jorge Amado.

MUITO ALÉM DAS ABOBRINHAS

Ela é de sabores fortes e prefere salgados pela manhã. Uma pasta de atum tá de bom tamanho. Costuma usar o batom mais vermelho que já vi na vida, tipo cara de boneca. É uma mulher grande. Gosta de guardar coisas e sempre diz: mas se eu precisar de um parafuso eu sei onde está, uma fita, eu tenho!
Sem críticas, é divertido pedir coisas e ela ter coisas, coisinhas e eteceteras. Mas o melhor é observar que neste contorno está uma pessoa que atende o outro, ajuda o outro. Se você tem uma chave de fenda na gaveta, como não vai ajudar na minha mudança, no conserto do São Francisco de madeira ou o meu Mac que deu uma desconfigurada? 

Designer das boas. Produtora de arte de uma sensibilidade absurda para o bom gosto. E, com tantos talentos para o bom gosto, claro que viajava com as listinhas de compras das amigas em um caderninho. Nos últimos tempos, fez as pazes com os desenhos, ou com a sua aptidão para lindos rabiscos. 

Um dia, uns dias, abrimos o escritório na praia, já que fomos demitidas da empresa onde trabalhávamos no mesmo dia. O que fazer se não rir da nossa própria cara, era o nosso mantra. Quando passei a mensagem sobre a lista de compras, ela ao menos perguntou o motivo e andou rapidamente, até comentei brevemente que era sobre um texto.  A moça de paladar apurado, que assumiu estar perto e cuidar dos pais  bem antes de ter motivos, está ao lado da mãe após a partida do seu pai, além de toda burocracia familiar, obvio. E naquela listinha de mercado e de farmácia da semana veio a moça que ganhou umas alterações, como um colesterol, umas vitaminas e um apego por tantos legumes e verduras que precisei fazer uma piada do tipo, saudável, hein? O que ela retrucou: “A gente tenta rs” 

Tempos e tempos se passaram, duas décadas exatas daquele ano de demissões no mercado da música carioca. Quantas praias, quantos choros,  até andamos mais idosinhas, mas ainda adoramos essa coleguisse de meninas. Minha amiga Pat (@patfernandes) é tão companheira que numa praia sagrada de um 31 de dezembro, lá de cima, do céu azul do verão carioca, deslumbramos um bando de  biguás que fazia desenhos em V. Linda passarada, ave aquática, também conhecida como corvo-marinho. Sim, elas cagaram nas nossas cabeças e corpinhos desnudos em uma tarde de ano novo. E como não rir da nossa cara!? 

Foto na praia, claro!


BRUNO GOYA É ATOR PREMIADO NO CINEMA QUE ESTÁ NA SÉRIE ARUANAS

Trabalhar com atores é sempre meio de repente, pois são pessoas que quando tomam uma decisão, em três ou quatros mensagens, ou numa ligacão, já estamos mãos a obra.
E com Bruno Goya não foi diferente. E, de repente, estava perto de 15 de novembro e falávamos de Aruanas com estreia em 25 de novembro, pela Globoplay. Ufa!
Sim, o ator de Caruarú que aos 28 anos fez de brincadeira uma aula de teatro e mudou de profissão, já tem na estante oito prêmios como Melhor Ator por sua atuaçnao no cinema. E Bruno Goya é Falcão nas duas temporadas da Aruanas, série que fala sobre a importância do meio ambiente e sua proteção. Atualmente, o ator está filmando Cangaço Novo, série da O2 para a Amazon Prime Vídeo.
Bruno é uma pessoa sensível, querida, amorosa e fofa no lidar do dia-a-dia. Estou amando.
Para conhecer melhor este ator, que também participou de diversas produções, como a série Onde nascem os fortes e o longa incensado Aquarius, vale acompanhar ele nas redes ou dar uma olhada nas notícias do clipping de imprensa, abaixo.

FB: @bruno.goya.37
Instagram: @bruno_goya
Reel: https://www.agentesefala.com.br/brunogoya
Ator da A Gente Se Fala

Clipping assessoria de imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1dTLe1l5gG8YsGsVP6e9feC2yvg4iGk4D?usp=sharing

Foto de Rafael Augusto

ESTHER WEITZMAN RETORNA AOS PALCOS COM SUA CIA DE DANÇA

Neste 2021 as cias de dança me brindaram com suas temporadas e apresentacões. Agora é a vez de trabalhar com a diretora, coreógrafa e bailarina carioca, Esther Weitzman, que reuniu bailarinos e equipe técnica de duas décadas de companhia e colocou todo mundo para dançar no ótimo espetáculo, As Histórias Que Inventamos Sobre Nós. Montagem da Esther Weitzman Companhia de Dança, aclamado pela crítica e pelo público por três temporadas, nas comemorações dos 20 anos da cia, em 2019, que retornas aos palcos após o hiato imposto em 2020, com temporada popular de três finais de semana (até o dia 12 de dezembro), que se iniciou no dia 26 de novembro (6ªf), no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, Teatro Angel Vianna, de sexta a domingo. Além de uma única apresentação no Teatro João Caetano, dia 10 de dezembro (6ªf). As nove apresentações acontecem às 19 horas. Vendas pelo Sympla.

Foto Renato Mangolin

Clipping assessoria de imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1ayllfUgd2KtgV4EDMiIKnLH3iPJD76h_?usp=sharing

UMA TORTA PARA VIAGEM: UMA HISTÓRIA DE AFETOS

Sim, eu herdei o caderno de receitas da vovó. Está velhinho, com as páginas quase marrom pelo tempo, mas nelas estão as letrinhas escritas à lápis que muito reconheço, da minha avó materna Maria da Penha. Sou a neta da casa, a neta que misturava e dava ponto na massa da Torta de Leite Condensado que vovó levava de presente nos aniversários da família e dos amigos. Um doce clássico em três etapas: uma massa fina de biscoito que vai para o forno corar um pouco, não muito, enquanto muitas gemas e leite condensado se misturam para a segunda etapa, quando seguem para o cozimento em cima da massa já pré-assada. Na terceira e última etapa, claras batidas em neve eram distribuídas em cima do creme já cozido, retornam para o forno, quando se transformam em suspiro.

Perfeição era o nome daquele tabuleiro que parecia imenso quando eu era pequena, mas descobri que ele era imenso mesmo, para acolher o doce que era cortado em quadradinhos e arrumados com delicadeza em uma caixa de camisa social masculina, onde os dedinhos já não tão perfeitos da cozinheira me ensinavam acomodá-los de forma que não colassem uns nos outros. Até hoje não sei dizer como vovó arrumava aquelas caixas, pois os aniversários eram muitos e minhas mãos doíam com o volume do presente gostoso. Com a idade avançada, vovó já não fazia mais o doce. Na minha vida corrida, nunca me aventurei nas suas etapas complexas, mas a lembrança daquela caixa amarrada com barbante apoiada no nosso colo, quando levávamos aos aniversariantes de ônibus ou trem, está comigo.

Há alguns anos, no Espirito Santos, com primas e primos para as comemorações da Páscoa, com almoços e jantares regados a muita torta capixaba, minha prima Ana colocou à minha frente uma caixa de pizza. Fiquei olhando a caixa e, por um instante pensei como ia trocar a torta capixaba pela pizza. Mas ao abrir a caixa ganhei de presente as minhas lembranças  com a visão daqueles quadradinhos da Torta de Leite Condensado da Vovó. Chorei. Abracei Ana e agradeci. Ela disse: Passávamos o ano esperando o Tio chegar para a Páscoa. Trazia a caixa de camisa que Dona Maria enviava com o doce mais gostoso que comíamos naquela época. O Tio era o meu pai, que pegava um ônibus conosco do Rio de Janeiro para Vitória e outro para a serra capixaba, com presentes e uma caixa de camisa repleta de sabor de Páscoa para os meus primos, o singelo e doce presente enviado pela Vovó.

Foto do caderno da Vovó, por Silvana Cardoso, outubro, 2021

ATRIZ E DIRETORA CATHARINA CONTE É FUTURO EX-PORTA

Ela é uma festa, uma agitação, um furação de emoções. Foi assim neste último mês “contracenando” no trabalho de assessoria com Catharina Conte, atriz e diretora gaúcha que paricipou do elenco do “Futuro Ex-Porta”, reality show do grupo Porta dos Fundos, que teve estreia no dia 30 de outubro. Eliminada no terceiro episódio do programa, reflete: “Acho que eu me colocaria mais no jogo, não chegaria tão tímida e arriscaria mais, cheguei muito como atriz e menos como comediante. Foi minha primeira inserção na comédia, mas já aprendi tanto! Eu faria tudo de novo mil vezes. Agora não quero mais parar!”. E complementa: “Trabalhando perto de artistas como o Fábio Porchat e Gregório Duvivier, que eu admiro tanto, foi um sonho realizado e uma responsabilidade imensa! E acredito que uma das meninas vai ganhar o reality.”

Na selfie que ilustra esta publicação, um pouco de Catharina, com caras e caretas pelo WhatsApp, feliz com a publicação de uma notícia na mídia. Uma pessoa especial, essa garota.

Filha de atores de Porto Alegre, está radicada em Londres desde 2018, onde se uniu ao StoneCrabs Theatre, quando estreou com “The sky five minutes before a storm” (O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade), da brasileira Silvia Gomez, apresentado recentemente no Southwark Playhouse, na Inglaterra. 
Após ser eliminada do reality neste sábado, dia 6 de novembro, Catharina se dedica a microssérie autoral “Fragmentada”, criada especialmente para ser exibida pelo Youtube e Tiktok. Catharina prepara seu retorno ao Brasil para 2022.
Passa lá nas redes da atriz para acompanhar “Fragmentada”, que conta a história de Catha, uma imigrante brasileira em Londres que, diante de uma crise proporcionada por seu chefe abusivo, se percebe com sua personalidade fragmentada em cinco partes. Ao longo dos capítulos, as partes fragmentadas discutem temas como sexualidade, feminismo, diferenças culturais e TDAH

Ficha Técnica Fragmentada: Direção, roteiro, concepção e direção de edição: Catharina Conte; Direção de fotografia e colaboração de argumento: Amanda Gatti; Script Advisor: Julie Bazacas.

Mídias digitas Catharina Conte:
Youtube: https://www.youtube.com/catharinaconte
Instagram: https://www.instagram.com/catharinaconte/
Twitter: https://twitter.com/catharinaconte
Facebook: https://www.facebook.com/catharina.conte/
TikTok: @catharinaconte

Clipping assessoria de imprensa:  https://drive.google.com/drive/folders/1ug1ZXPEajuoZEaFMwtzVhwJLSaTcwi-J?usp=sharing

CIA ATELIÊ DO GESTO TRANSFORMA DANÇA BOBA EM PROJETO AUDIOVISUAL – HOJE E ATÉ 31/10

Em janeiro de 2020 um espetáculo de dança que fiz a assessoria de imprensa me impactou. Era Dança Boba, da compahia Ateliê do Gesto, dos bailarinos João Paulo Gross e Daniel Calvet. Combinamos para abril a nova temporada, a partir da itinerância que haviam ganho em um fomento, em Goiás, onde é a base da cia. Mas não preciso falar mais nada, pois nada mais aconteceu.
De repente, estou eu divulgando aquele espeáculo tão lindo no Teatro Casa Grande, de volta ao Rio para duas presentações presenciais, após aquele janeiro de 2020. Foi mágico, parecia mentira. Toda a equipe estava emocionada com o nosso reencontro com a caixa preta do teatro com plateia – para mim e para eles.
Mas como quem trabalha com arte e quem gosta dela também é repleto de sorte na vida, aquele fomento de 2020 foi transformado em um novo produto: Dança Boba audiovisual. Uma câmera viva que traduz o espetáculo em movimentos, tão dançante quanto os intérpretes, com a presença de um terceiro bailarino, Gleysson Moreira. Sem parecer mais um espetáculo de teatro filmado linearmente, hoje, domingo, a montagem de dança contemporânea pode ser conferido às 20 horas, pelo  canal do YouTube do Ateliê do Gesto .
Na semana que vem temos mais três apresentações, Dança Boba audiovisual, de 6af (20/10) a domingo (31/10), sempre às 20 horas.
E a trilha também é uma beleza para os ouvidos.
Passa lá e depois me diz.
Um beijo de domingo, Silvana

PARA MULHERES JORNALISTAS: CINEMA BRASILEIRO TEM DNA FEMININO DESDE 1930

Publicado no Mulheres Jornalistas: https://mulheresjornalistas.com/cinema-brasileiro-tem-dna-feminino-desde-1930/cultura/

Aos 17 anos, a paulistana Tereza Trautman trocou a medicina por um curso de interpretação e direção, se aproximou de cineastas como Luiz Sérgio Person, João Silvério Trevisan e Carlos Reichenbach e, aos 22 anos, lançava seu primeiro longa, “Os homens que eu tive”, em 1973. Escrito, editado e dirigido pela jovem cineasta, após seis semanas em cartaz e com sucesso de público e crítica, o filme foi censurado pela ditadura militar e liberado somente em 1980, com o título: “Os Homens e Eu”. Nele, Tereza falava da liberdade e da individualidade da mulher, além do roteiro abordar a independência sexual feminina, esta última, uma das conquistas com a chegada da pílula anticoncepcional, quando as mulheres conquistaram o domínio do seu corpo, com a possibilidade da decisão de engravidar, ou não, de fazer sexo por amor e com um único parceiro, ou não. Protagonizado por Darlene Gloria, o cartaz de “Os homens que eu tive” já sinalizava, e mostrava, a ousadia da diretora.

A cineasta à frente do seu tempo, Tereza Trautman, que assina cinco produções cinematográficas, mudou seu foco quando decidiu ser uma mulher que apoia o cinema nacional. E falar de cinema nacional é jogar luz nessas mulheres que dedicaram suas vidas ao cinema do Brasil, desde a década de 1930, como a histórias da Tereza e de muitas outras que podem ser conferidas na série “As Protagonistas”, de Tata Amaral. A cineasta narra, dirige e faz comentários nos 13 episódios da série, quando se debruçou sobre o audiovisual brasileiro a partir da produção de mais de 70 cineastas mulheres. A diretora foi buscar trechos dos filmes e obras audiovisuais, documentos, fotos, recortes de jornais da época de cada produção, depoimentos das autoras e de pesquisadores para contar a trajetória dessas mulheres, a partir de 1931, com o filme “O caso do dominó preto”, de Cleo de Verberena.

Década por década, Tata inventariou essas cineastas. Foi buscar nas produções, a partir de meados dos anos 1970, a consolidação da mudança do comportamento feminino, bem como seu espaço na sociedade, quando impulsionadas pelas lutas feministas no mundo todo, as cineastas brasileiras passaram a produzir e discutir seu papel como artistas e profissionais. “Elas nos mostram que não existe apenas um “feminismo”, mas “feminismos”, reflete Tata Amaral, que afirma: “Estas cineastas criaram personagens femininas longe dos estereótipos”. Em 1970, década-chave para o avanço dos direitos femininos, quando as cineastas brasileiras realizaram mais de 200 filmes que desafiaram o regime militar, o ambiente machista e se arriscaram expondo sua sexualidade e seu imaginário. Mais que ser censurada com suas produções e retratada pela série, Tereza Trautman assumiu o compromisso de defender a produção independente do cinema nacional e, em 2004, estreou não um longa-metragem, mas um canal por assinatura com programação original e exclusiva, o CINEBRASILTV, que, neste mês, comemora 17 anos de existência.

E foi assim que a ideia da cineasta Tereza Trautman de abrir um canal de audiovisual se tornou uma realidade para autores jovens e consagrados, que produzem documentários autorais investigativos, séries ficcionais inéditas que refletem comportamentos, conflitos e relações humanas. Séries documentais que resgatam tradições das curvas do Brasil profundo. E foi dentro deste conceito que o CINEBRASiLTV produziu, ao lado de cineastas de todos os cantos do país e diretores como Silvio Tendler, Betse de Paula, Cao Hamburger, Jorge Durán, Renato Tapajós, Toni Venturini, Orlando Senna e Paloma Rocha, alguns títulos que são referência para o cinema nacional, como Pobres Diabos, A Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha, Antena da Raça, Na Boca do Povo, Fabiana, Sementes da Educação. A criadora do canal reflete: “Ao meio dia de 10 de julho de 2004, com a exibição de “A Descoberta do Brasil”, de Humberto Mauro, o patrono maior do cinema brasileiro, entrou no ar o CINEBRASiLTV. Desde então, continuamos singrando pelos mares, mesmo em meio a tempestades, torcendo para que o mau tempo passe e que possamos ganhar a tão sonhada liberdade. Liberdade não só de ideias, da qual nunca abrimos mão, mas finalmente a liberdade econômica cuja falta sempre nos sufocou”.

Atualmente o canal possui na sua grade de títulos em produção um número que cobrirá a sua programação até o ano de 2025, com títulos exclusivos e originais, claro. Em julho, para comemorar o aniversário, a programação passa pelo Brasil de Glauber Rocha, com a produção original do canal, o documentário em longa-metragem, “Antena da Raça – O Filme” (Brasil, 2020), de Paloma Rocha e Luís Abramo. Selecionado para o Festival de Cannes 2020, o filme resgata o ideário (e memória) de Glauber Rocha questionador e provocador, ao recriar a estética do Programa Abertura, comandado pelo cineasta na TV Tupi entre 1979 e 1980, período da Lei da Anistia. Declara Tereza: “E estamos comemorando o aniversário com a estreia do longa documental “Antena da Raça” e, neste momento, sentimos o quanto Glauber nos faz falta, com o seu espírito irreverente, brilhante e objetivo”.

Como Tereza Trautman, Adélia Sampaio, Helena Ignez, Helena Solberg, Sandra Kogut, Letícia Parente, Sonia Andrade, Ana Maria Magalhães, Tizuka Yamasaki, Suzana Amaral, Lucia Murat, Carla Camurati, Anna Muylaert, Laís Bodanzky, Viviane Ferreira, Eliane Caffé, Yasmin Thainá, Graci Guarani, Heloisa Buarque de Holanda, Julia Rezende e Tata Amaral são alguns nomes que destacamos de mulheres de cinema e do audiovisual brasileiros, para não esquecermos o que elas conquistaram de espaço e reconhecimento para todas as gerações que estão chegando e que ainda vão chegar.

Foto: Tereza Trautman, foto Camila Freitas, divulgação Tangerina Entretenimento

COLHI FLÔR DE CACTO NO IVERNO!

Aprendi a gostar das flores que retornam na primavera para o meu jardim, pois o ciclo da sêca-chuva-florescer fica mais nítido quando estamos fora da cidade grande. Após estar no sítio, percebo a beleza real das estações e, antes mesmo da primavera chegar, chegarão algumas flores não tão famosas como as orquídeas, como a flor do cacto — sim, meus cactos pequeninos de vasinho de plástico florescem. 

E hoje ofereci esta linda flor de cacto vermelha à uma amiga que, um dia, segurou minha mão e me trouxe de volta ao caminho da escrita que eu havia abandonado. Naquele dia, como hoje, ela merece flores por sua caminhada de amor a sua verdade com o outro, por suas tristezas transformadas em vida nova, como as flores de cacto, que brotam entre os espinhos.

Seria fácil falar das orquídeas, as mais amadas e belas, mas hoje, na véspera da chegada da primavera, algo já anuncia que logo logo será tempo de colheita, mas é preciso aceitar as folhas secas no gramado para ver florescer o abacateiro, a mangueira, as suculentas e até o cacto. Nem tudo é orquídea nas nossas vidas.

Amanhã, as flores e os  frutos serão aprendizado de um ciclo, como a amiga que varreu suas folhas e hoje colhe suas flores.

Vale à pena passar por todas as estações com o que cada uma nos entrega de melhor: a transformação. 

Obrigada, @anaholandaoficial, por ser minha amiga e entender quando as palavras transbordam dentro da gente. Amo-te afetuosamente,

MÚSICA E EDUCAÇÃO: PROJETOS QUE AQUECEM O CORAÇÃO E SALVAM VIDAS

Venho fazendo releases sobre a ampliação da formação de novos alunos de música de orquestra e coral, já que cuido da comunicação externa do IBME (Instituto Brasileiro de Música e Educação, com sede no RJ), que há dez anos deseja mudar a vida de crianças e jovens e, consequentemente, suas famílias, através da educação e da música.
E podemos elogiar as parcerias, como do Santander e da Uber, que proporcionam manter os concertos e, com isso, a continuidade dos estudos dos alunos que fazem parte da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca e suas demais formações, como quartetos e música de câmara.

Mas gostaria de ponuar a ampliação do projeto nos municíos de Itaguaei, com o patrocínio do Instituto Vale, para a formação da Orquestra Sinfônica Juvenil de Itaguaí; para São Gonçalo, que ganha Orquestra a partir da parceria do IBME com o Consulado Geral do México no Rio de Janeiro, para a inclusão dos estudos de música para os mais de 600 alunos da primeira Escola Intercultural Brasil-México, criada no Ciep Brizolao 413 Adão Pereira Nunes; além dos alunos de TODAS as séries das escolas do município de Areal, que é visinho de Petrópolis.

E, a cada dia, em passos de formiguinhas, percebo que vamos conseguir mais municípios interessados na transformação social a partir da educação e da cultura dos seus pequenos cidadãos.
E isso aquece meu coração.

Trabalhar com eles e ver suas buscas incansáveis por cada parceiro conquistado para ampliar o projeto e abraçar mais famílias, é uma opção de vida que admiro muito.

E. como uma otimista incurável, sou grata por fazer parte disso e acompanhar de perto a transformação dessas crianças e jovens com um instrumento na mão. Como disse um aluno ao voltar de um ensaio e passar perto de um jovem com um fuzil na sua comunidade: “Hoje estou com meu instrumento, mas poderia estar como o meu amigo, com esta arma nas mãos.”.
E só quem ouve ou presencia tais relatos entende, de verdade, a busca incansável de cada gestor de projetos que buscam uma chance para transformar nossas crianças e jovens em cidadãos — uma possibilidade diferente para a vida, autoestima e pensamento crítico.
E hoje, 4af, 1/9, tem concerto para comemorar a parceria com o Consulado do México e, por isso, convido vocês a olhar mais de perto a transformação. Direto do Palácio Guanabara, a apresentação será transmitida ao vivo em nosso canal do YouTube.

Salva na agenda e assista: https://youtu.be/QFZIaBIh6kU

Foto da OSJC, IBME, Rafael Ribeiro.

PERDENDO REFERÊNCIAS, NUMA CULtURA ÓRFÃO

Sabemos do agora e o agora está doendo dentro de nós. Seja pelo descaso de um governo que virou as costas para a cultura do país, seja pelo incêndio da cinemateca de São Paulo, nada mais é tão visível quando a tristeza que abala a cultura nacional nestas últimas semanas. Estamos perdendo as referências, numa cultura órfão. E todos os dias não é diferente, mas esta semana, com a perda de dois grandes atores, Paulo José e Tarcísio Meira –sendo a partida de Tarcisão (como era chamado pela classe artística) pelas complicações da COVID-19, está doendo em cada um de nós, que vivemos neste universo da cultura, e em toda uma nação, mais uma vez. E costumo repetir a frase do russo Leon Tolstoi (1828-1910): “Canta tua aldeia e cantarás o mundo.”, quando é preciso entender que sem a nossa história cultural, nossas raízes, nosso reconhecimento em nós como povo, vamos perdendo a própria identidade. E Liev Nikoláievtich Tolstói escreveu um dos romances mais grandiosos e aclamados da literatura mundial, “Guerra e Paz”, que na sua versão original tinha mil páginas, onde o autor, um pensador social e moral, um dos mais importantes autores da narrativa realista, passou cinco anos debruçado sobre o romance histórico e filosófico, onde reconstrói a Rússia no tempo de Napoleão, quando escreve sobre a invasão do seu país pelo exército francês, até a sua retirada, entre 1805 a 1820.

E por que falar agora de Tolstoi? Porque as memórias das vitórias, até mesmo das batalhas, precisam ser lembradas e exaltadas com orgulho por seu povo. E o povo brasileiro, como do mundo globalizado, está com sua faixa etária cada vez mais alta. E, para quem atua como esta escriba há mais de 30 anos com cultura, parece que estamos há um passo de perder nossas maiores referências. Pois somos um país jovem, sem muitas batalhas como foi no continente europeu, que após suas conquistas ficaram conhecidos como Mundo Velho, ali no século XV. E o que Tarcísio e Paulo representam nesta escalada de dor por tantas perdas? Estamos nos transformando em um país que não houve a ciência, não preserva suas florestas, seu povo, suas memórias, pois atua com descaso para a memória cultural, como aconteceu recentemente com o acervo precioso da Cinemateca Brasileira em São Paulo, após o incêndio devastador no dia 29 de julho. Como aconteceu também com o Museu Nacional do Rio de Janeiro em 2 setembro de 2018, que até aquela data era considerado um dos maiores acervos de história natural e antropologia das Américas, com mais de 20 milhões de itens históricos.

Hoje, após a notícia da partida do nosso Tarcísio Meira, somada a partida do nosso Paulo José, não somado a isso a ideia deles serem já homens com idade avançada, mas somado a falta que suas vozes, e de tantos que já partiram desde Flávio Migliaccio e Aldir Blanc, farão falta para toda uma sociedade que clama por paz e honestidade, em meio a guerra contra o vírus. Após essa reflexão, sentei olhando os pássaros se alimentando no comedouro do abacateiro – livres –,  pensei que poderia ser melhor estar sendo passarinho neste dolorido contexto. Mas como o canto dos pássaros, temos ainda que acreditar nas vozes pensantes e coerentes do nosso povo, aquelas que lutam por cada pedaço de floresta ou acervo, que lutam por cada grito de liberdade, de honestidade, de igualdade. Sim, que venha a renovação para novos tempos de paz e prosperidade. Enquanto acreditamos nisso, deixo um pequeno trecho de Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, que pode traduzir o que precisamos mais agora que no século IXX.

“Como se através de uma janela aberta num quarto abafado soprasse de repente um ar fresco do campo, assim também soprou, no abatido estado-maior de Kutúzov, a mocidade, a energia e a convicção da vitória que vinham daquela juventude radiosa que chegara a galope.” (trecho do romance Guerra e Paz, de Leon Tolstoi)

Foto: o luto!

ALAN ROCHA É AtOR E MÚSICO NA NOVELA NOS TEMPOS DO IMPERADOR, DA GLOBO

Alan Rocha chegou de mansinho para falar sobre a novela que entraria no ar na Globo, era 2020. Ele estava falando de Nos tempos do Imperador, que demorou quase um ano para estrear, por causa da Pandemia. Nela, Alan da vida a Balthazar da vida a Balthazar na nova produção das 18 horas da emissora. Seu personagem é líder na Pequena África (local que hoje é a zona portuária do Rio de Janeiro), que recebia os negros alforriados e fugitivos, após o comercio de escravos se tornar ilegal no país, a partir de 1831. Mas, ao conversar novamente com Alan neste 2021 fui descobrindo muitos personagens, muitas habilidades. Premiado como Melhor Ator Coadjuvante, pelo Prêmio APTR de Teatro, com o musical Da Cor Púrpura, Alan é músico de formação pela UFRJ, também é cantor e compositor que tem seu cavaquinho como grande inspiração, dos mestres como Pixinguinha.

E quanto mais se conversa, mais se descobre sobre o Alan, que criou o Clube Akorin com o desejo de valorizar a cultura negra, contar as histórias, sua arte e seus personagens, principalmente para as crianças. “Estou organizando a consolidação do “Clube AKorin”, projeto que traz o teatro e a musicalização infantil, principalmente para as crianças, mas é para todos. Mas a valorização da cultura negra para a infância é importante e vai estar nas redes sociais, que será veiculado no YouTube e no Instagram. Algumas historias e brincadeiras que criei para apresentar musicas e músicos, como Gilberto Gil, D. Ivone Lara, Clementina de Jesus, dentre outros.”, afirma Alan.

Seja como líder na Pequena África, como professor de música para crianças ou com o Clube AKorin, todas são histórias que precisam ser contadas e recontadas na busca por mudança do pensamento, da cultura e da vida de toda uma nação contra o preconceito estrutural que vivemos.

Nossa parceria de tabalho segue até setembro, mas já deixa saudade desse artista que tem uma delicadeza no trato, na sua fala, na sua vontade de fazer sua arte, de espalhar e valorizar sua ancestralidade.
Instagram: @alanrocha8 | Foto de Ernane Pinho

Clipping imprensa (por @festzjuliana): https://drive.google.com/drive/folders/1H35o1GaMUM4OKfO08NFswYcUMrKgb0l7?usp=sharing

VICTOR SALOMÃO É DESTAQUE NA HBO MAX, EM OS AUSENTes

Victor Salomão está na HBO Max em Os Ausentes, que teve estreia na plataforma de streaming no dia 22 de julho. Destaque na série investigativa escrita por Maria Carmem Barbosa e Thiago Luciano, com direção geral de Caroline Fioratti e direção de Raoni Rodrigures, o ator interpreta o personagem central do Episódio 9, onde vive o drama de Kennedy Pires, garoto de programa que se assume gay para o padrasto e vai em busca de saber quem é o seu pai biológico.
Os Ausentes, protaginizada por Maria Flor e Erom Cordeiro, donos da agência de investigação, aborda tema de extrema importância social: pessoas desaparecidas ou mesmo pessoas que sumiram da vida de outras pessoas, como o pai do personagem de Victor Salomão, drama que é o fio condutor do episódio.

Sobre a série e seu prsonagem, Victor reflete: “Me sinto muito à vontade com o drama. Foi uma grande experiência, foi incrível fazer Os Ausentes.”.

Ainda para 2021, Victor está na nova temporada da série Segunda Chamada, da Globo, prevista para estreia no mês de setembro de 2021.
Fiquem de olho neste jovem ator, pois já já ele vai se destacar cada vez mais no audiovisual brasileiro . Bem, talento ele tem e estuda para isso.
Está sendo um prazer trabalhar com Victor.

Instagram: @viisalomao |Foto Victor Salomão: Fabio Audi

Clipping assessoria de imprensa (por @feltzjuliana): https://drive.google.com/drive/folders/1_Ll-sgpl_n7NzAUFqSTYk_QWy1QMptT_?usp=sharing 

AMORES E ANIVERSÁRIO NUM DOMINGO

Todo mundo já comemorou, pelo menos, um aniversário em isolamento social pela Covid-19. Com isso, percebo que se nada mudar para melhor com tudo que estamos vivenciando, seremos mesmo designados ao fim da existência. Mas meu segundo aniversário pandêmico me faz contar para vocês que ganhei o nome da minha bisavó materna, vítima da Gripe Espanhola, a última pandemia que a humanidade havia conhecido, em 1918. Vovó Bisa Silvana partiu jovem, aos 36 anos, deixou uma escadinha de filhos pequenos, estando minha avó com 9 anos que, ainda criança, ajudou a cuidar dos irmãos. Vovó possuía poucas lembranças da mãe, mas sempre lembrava e comentava da pandemia. Desejou ter uma neta com esse nome como uma homenagem e minha mãe atendeu ao pedido. Foi assim que, muito prazer, me chamo Silvana, filha de Jacy, neta de Maria da Penha e bisneta de Silvana.

E neste novo ano, que foi o meu segundo sem muitos abraços pelas angustiantes distâncias – sem falar na tensão que estamos vivendo, na tristeza pela perda de pessoas amadas, na tragédia desse governo, do cuidar do emocional e afins – que, otimista ao extremo como sou, continuo inventando coisas para fazer, para trabalhar, para mudar, para seguir adiante. Foi assim que concordei em administrar o Aibnb de um chalé de amigos. Mas foi neste mês de julho que inventei desafios de ordem tecnológica para minha existência e, entre uma enxaqueca e outra, atualizei o telefone novo, presente de Diego e Carol. Também resolvi cancelar a conta PJ do Itaú, já que a cobrança mensal era incompatível com a realidade atual. E lá fui eu para a aventura de instalar um banco digital no telefone novo. Não satisfeita, resolvi comprar um adaptador para transformar a TV em Smart. Ok, foi meio além do que minha tecnologia mental pode dar conta, mas com a ajuda de um e de outro, sucesso!

Sigo aqui com meus recém comemorados 5.7, com corpinho e cansaço compatível com o numeral, com as desventuras do país, mas ando com meu jardim verdinho nesse fim de semana que vivi a comemoração intimista. No frio além da conta que nos pegou quase de surpresa, com aquecedores e afins, comemorei na companhia de Alfredo, Alzer e Cintia, com comidas, bebidas e muita diversão, com histórias, causos e Olimpíadas na TV. E assim foi o aniversário: com o amor de Alfredo e esse casal querido que nunca me deixou sozinha por aqui. Eles representaram todos que eu gostaria de ter abraçado, mas os meus queridos e amados escreveram nas redes, ligaram, fizeram vídeos, me marcaram em fotos, desejaram felicidades ao vivo em programa de rádio (a Tia ouviu), deixaram declarações de amor e afeto, tão necessários por todos estes dias de ausências e saudades diversas que estou vivendo, que estamos vivendo. E lembrei de aventuras que vivi com cada um lendo os bilhetinhos.

Nasci no dia 1 de agosto e quando acordei neste ano de 2021 era domingo, e eu adoro domingos, e foi dia de aniversário, e foi com saúde, entre pessoas amadas, ao vivo ou online, em paz. Entendi que este era o meu melhor presente, mas o sino tocou na varanda, era Nuxa e Patrícia, traziam um desejado Manacá da Serra, grannde, repleto de brotos e flores lilases e brancas. 

Naquele momento, agradeci baixinho ao Senhr do Universo, a Deus e pensei: definitivamente o meu domingo está completo.

MULHERES E ASSÉDIO: CORAGEM PARA DENUNCIAR E APOIO

Alguns relatos de assédio moral, bem como abuso psicológico com mulheres que conheço, gerou o artigo a seguir, publicado no Instituto Mulheres Jornalistas (link no fim do texto). No título, um pouco do que é preciso para dar conta dessa grave e desleal forma de se viver o feminino: coragem para denunciar e apoio para continuar. Minha mentora e eterna fonte para assuntos de relacões humanas nas empresas, Ticyana Arnaud colaborou na matéria. Meus agredecimenatos à LETÍCIA FAGUNDES e para as entrevistadas que cito no texto.
Crédito: Ilustração Designed by Freepik

Foi ali no final do século IXX para o começo do século XX que a revolução industrial precisou da mão de obra feminina, para dar conta das produções em grande escala, para suprir o mundo do consumo capitalista. Foi dali que elas ficaram com várias jornadas, como filhas, mães, irmãs que ficavam com os caçulas para a mãe trabalhar. E no mundo dominado por homens de todas as nacionalidades, uma coisa é certa: mulher é boa mão de obra, mas não venha querer mandar em mim. Combinado?

Errado. Começamos a desobedecer neste quesito com mulheres que já no início do século XX desbravaram as artes, as engenharias, as academias das ciências. Mas como podemos chegar na segunda década do século XXI com essa distante realidade para a equiparação do reconhecimento do feminino quando se fala em mercado corporativo, na sua grande maioria liderado por homens? Onde está a voz, a independência individual e liberdade conquistadas a partir dos ganhos conquistados por mulheres, por vezes consideradas feministas ou acadêmicas em suas áreas, que levantaram bandeiras e gritaram em megafones para serem ouvidas? Elas já venceram aquelas batalhas para estarmos hoje onde estamos. Mas no dia a dia a luta continua companheira, na árdua tarefa de serem boas mães, ótimas esposas, eximias cozinheiras e donas de casa. Mas o que perdemos em um século? Imagino que a oportunidade de, primeiramente, ser independente emocionalmente do ser masculino, pois para se brigar de igual para igual ainda em tempos atuais, vale ser uma mulher mais dura, mais firme e menos mimimi. E qual o motivo dessa dureza para sobreviver? Para primeiro ser ouvida, ganhar adeptos e, depois, assumir um lugar de fala, de independência para não precisar mais suportar assédio moral, manter um emprego para pagar as contas do mês.

No país, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mulheres são as responsáveis pela renda doméstica em metade dos lares brasileiros, onde são as gestoras da casa. Mas resta saber o que ainda falta para entenderem que ser mulher é muito mais trabalho e menos mimimi. É claro que desejamos que em um futuro próximo possamos ser sensíveis como somos de verdade, amorosas como devemos ser, mas duras e firmes como já sabemos como deve ser na hora que a pressão bate. E a pressão sempre bate para mulheres que são independentes e fortes em seus ideais, sejam as mais experientes ou as mais jovens, o que se faz atualmente é uma união que não se via entre o gênero feminino nas décadas passadas. Ser forte para assumir que não será possível continuar sob a gestão de um dono de empresa que, acima de tudo, não pode ser “mandado” por uma mulher. Quem vive nessa seara sabe que até o empreiteiro da reforma do banheiro torce o nariz se a “dona” da casa resolver ser a porta voz do que deve ou não ser feio, inclusive deixar o chão limpo após a bagunça do dia trabalhado. Homem, até os mais modernos, não gostam de mulheres de “opinião”, que fazem debate. Sim, ninguém mais ouve calada atrocidades como, “Quem banca sou eu; Quem paga o seu salário sou eu e você vai fazer o que eu mandar”. E ouvi um áudio com esta sentença enquanto conversava com mulheres para esta reportagem.

Mas o preço do desmande é alto e muitas abaixam a cabeça para manter seu emprego, seu salário ou até mesmo seu cliente, quando se é uma pequena empreendedora MEI (Microempreendedor Individual). Foi assim com a jornalista e especialista formada em Influência Digital – Conteúdo e Estratégia pela PUCRS, Petra Sabino, de 37 anos, e mãe de uma menina de 7 anos, que já perdeu a conta do número de assédio que sofreu na carreira. “Me parece que a maioria dos homens, seja do campo conservador ou progressista, não está preparado para aceitar a mulher em um cargo de liderança. O masculino precisa se reafirmar a todo o momento e a maneira de fazer isso é subjugando as mulheres. Possuo tantos casos de assédio moral e sexual nesses anos como profissional de comunicação que até daria um livro”, desabafa Petra.

Já Miriã Antunes, Relações Públicas, ficou doente com a relação toxica na empresa que trabalhou em 2019, quando, após os inúmeros abusos psicológicos, desencadeou uma alergia emocional e uma severa amigdalite. Ela comenta: “No meu último emprego formal de CLT, trabalhava em uma empresa que ajudava outras a formar líderes. Entretanto, seus próprios líderes eram chefes tóxicos e não líderes. Na época, o meu chefe controlava cada e-mail que eu enviava para os clientes, enviava mensagens com cobranças fora do horário de trabalho e limitava a minha forma de falar, inclusive”. Atualmente, como empreendedora, Miriã, reflete: “Mulher não é menos capaz que um homem para liderar, muito pelo contrário, infinitas pesquisas mostram o quanto mulheres tem mais sensibilidade e o quão dão conta de executar mais tarefas ao mesmo tempo. O que mulheres muitas vezes têm é o medo de denunciar, o preconceito que podem passar e, por isso, muitas vezes, recuam na hora em que devem resistir ao inaceitável. Não suportei mais e pedi demissão”, finaliza.

A Consultora de RH e Especialista em Recolocação Profissional, Ticyana Arnaud, confirma os relatos que ouvimos (todos os dias) e afirma: “O assédio é uma coisa comum, que acontece o tempo todo e sabemos disso, infelizmente. Mas ainda existe o medo que as mulheres sentem em denunciar quando existe esse tipo de situação, seja o seu chefe ou o colega de trabalho. Para que se possa conquistar mudanças é importante fazer uma denúncia contra o assédio e, sendo uma empresa com RH, o departamento deve acolher a funcionária e orientar que faça a denúncia e ainda deve trabalhar a conscientização interna da corporação. Já existem leis que amparam estas mulheres em situação de assédio, seja ele qual for – moral, sexual ou psicológico”, indica Ticyana. Sim, é preciso coragem, mas é preciso apoio e acolhimento para todas as mulheres que se sintam em situação de vulnerabilidade. E Ticyana se refere a LEI Nº 9.029, de 13 de abril de 1995,  onde o Artigo 1o diz: É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7o da Constituição Federal (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015).

Saindo do mercado profissional formal e corporativo, um outro olhar de Petra Sabino, que atua como membro do Conselho Municipal da Mulher de Chapecó, em Santa Catarina: “Percebo que na agricultura familiar as discussões estão avançando e as mulheres estão se organizando, se ajudando e se unindo para resolver suas questões pessoais. Estão olhando mais para si”, enfatiza. Imagina uma mulher, agricultora no interior do Brasil como líder de fala? Sim, é possível. Por isso se faz tão importante o agrupamento de associações de federações, como a que a Petra é membro, para que o pensamento possa começar pela autoestima, passar pela independência emocional, para conseguir entender que outras mulheres também estão na mesma situação. Já na área da agricultura familiar de grandes grupos, o patriarcado já se rendeu às suas filhas, como gestoras e administradoras dos negócios da família. Sendo esse um pequeno, mas representativo ganho. Já para aquelas mulheres que nascem sabendo e são à frente do seu tempo, que carregam bandeiras, a luta já começa a ser ganha, mas precisa de mais adesão e apoio, até mesmo dos homens que já descobriram que ser um parceiro será mais fácil para todos, já que daqui por diante não vamos recuar, voltar para as fábricas sem saber qual seria a carga horária, nunca mais.

Nesse quesito, muito se tem perdido na pandemia, quando o mercado corporativo ainda não se adaptou para as questões do home office versus a carga horária de suas funcionárias, principalmente as que possuem filhos pequenos ou em idade escolar. E se o gestor, o gerente ou o chefe for do gênero masculino… bem, assim começamos tudo outra vez, lá para o topo desta página.

https://mulheresjornalistas.com/mulheres-e-assedio-coragem-para-denunciar-e-apoio/direitos-humanos/direitos-da-mulher/

CANAL DE TEREZA TRAUTMAN, CINEBRASILTV, COMPLETA 17 ANOS

Há dois meses, em maio, fui convidada por Ana Rosa Tendler para uma reunião com Tereza Trautman, já que o CINEBRASILTV precisava de uma profissional de comunicação. Nunca haviam contratado uma assessoria de imprensa, mas percebiam potencial de notícia na programação, para buscar “algumas notinhas”. Buscar espaços na mídia para o canal por assinatura de produção independente do audiovisual brasileiro, com programação original e exclusiva, com filmes doc e ficção e séries. Em dois meses, não só notínhas, mas muitas notinhas, críticas e espaços bacanas para a programação do canal por assinatura.

Mas passo aqui para falar do aniversário do canal, que hoje, 10 de julho, completa 17 anos. E como falar do canal sem falar da sua criadora, a cineasta Tereza Trautman, paulistana que aos 17 anos trocou a medicina por um curso de interpretação e direção, se aproximou de cineastas como Luiz Sérgio Person, João Silvério Trevisan e Carlos Reichenbach e, aos 22 anos, lançava seu primeiro longa, “Os homens que eu tive”, em 1973. Escrito, editado e dirigido pela jovem cineasta, após seis semanas em cartaz e com sucesso de público e crítica, o filme foi censurado pela ditadura militar e liberado somente em 1980 com o título Os Homens e Eu.

Tereza falava da liberdade e da individualidade da mulher, além do roteiro abordar a independência sexual feminina. A cineasta à frente do seu tempo não parou mais e criou o CINEBRASILTV em 2004. Para conhecer mais Tereza Trautman, a série As Protagonistas, de Tata Amaral, está na programação do canal e conta a história do audiovisual brasileiro a partir da produção das cineastas mulheres. Tereza é retrata no episódio 4, sobre a década de 1970, década-chave para o avanço dos direitos femininos, quando as cineastas brasileiras realizaram mais de 200 filmes que desafiaram o regime militar, o ambiente machista e se arriscaram expondo sua sexualidade e seu imaginário.

“Ao meio dia de 10 de julho de 2004 com a exibição de A Descoberta do Brasil de Humberto Mauro, o patrono maior do cinema brasileiro, entrou no ar o CINEBRASiLTV e desde então continuamos singrando pelos mares, mesmo em meio a tempestades, torcendo para que o mau tempo passe e possamos ganhar a tão sonhada liberdade. Liberdade não só de ideias, da qual nunca abrimos mão, mas finalmente a liberdade econômica cuja falta sempre nos sufocou.
E vamos comemorar nosso aniversário estreando Antena da Raça, o filme, de Paloma Rocha e Luis Abramo, uma visita aos programas do seu pai no Abertura da tv tupi. Sentimos o quanto faz falta o seu espírito irreverente e brilhante, objetivo.”, reflete Tereza Trautman.

O CINEBRASIL JÁ é um canal por assinatura, por apenas R$9,90 (nove reais e noventa centavos) por mês, sendo o primeiro mês gratuito para o novo assinante. Acesso e programação: https://www.cinebrasilja.com/
No link a seguir, é possível consultar as  operadoras que carregam o canal, apenas informando o Estado. Acesso: http://www.cinebrasil.tv/index.php/localize-o-canal
A programação do canal pode ser assistida através da assinatura no Divertenet. Acesso: https://divertenet.com.br/cinebrasil
O canal  também está disponível no ao vivo da Oi Play, é gratuito por 30 dias. Acesso: https://oiplay.tv/oiplay/content/details/MV014176590000

Clipping assessoria de imprensa:  https://drive.google.com/drive/folders/1czunjDsid5sLrGf7SSPejuKZCOtuh_Gx?usp=sharing
Clipagem Juliana Feltz (@juliana.feltz)

VALE A LEITURA DA BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA DE FELIPE NETO

Mais que uma biografia não autorizada, Felipe Neto – O Influenciador, da editora Máquina de Livros, é muito bem escrita pelo seu autor, o jovem Nelson Lima Neto (jornalista colaborador da coluna do Ancelmo Gois, do O Globo, do RJ). O livro  mostra que Felipe Neto se tornou uma voz política atuante e conta, pela primeira vez, a história de Felipe em detalhes, da infância difícil no subúrbio do Rio de Janeiro ao reconhecimento como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a prestigiada revista norte-americana, “Time”.
Na era digial, quando todo mundo deseja ser um personagem relevante (ou não) para conquistar seguidores, vale muito à pena conhecer histórias que estão no livro, como as duas curiosidades que escrevo abaixo.

Felipe alcançou o pico de 600 mil pessoas assistindo simultaneamente a uma live que fez em dezembro de 2020, público comparável ao de emissoras de TV. Segundo a Kantar Ibope, que monitora audiência em vídeo, ele registrou 3.2 pontos, totalizando o equivalente a 240 mil domicílios, à frente, por exemplo, do canal aberto RedeTV!. Entre março e dezembro do ano passado, Felipe produziu uma centena de vídeos (gravados e ao vivo), que somaram mais de 600 milhões de visualizações.

– Felipe Neto não é cortejado à toa por grandes nomes da política. Segundo projeções do site Social Blade, que monitora perfis e audiência, em julho de 2022, no início da campanha presidencial, ele terá no Twitter
o dobro de seguidores de Jair Bolsonaro: 14,5 milhões contra 7 milhões. No Youtube, vai iniciar o ano com 50 milhões de inscritos, contabilizando mais de 17 bilhões de visualizações de seu conteúdo. E atingirá cem milhões entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, quando seus vídeos terão sido vistos 50 bilhões de vezes.

Capa Felipe Neto – O Influenciador, crédito Maquina de Livros: https://www.maquinadelivros.com.br/

Clipping assessoria de imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1XNLSXJAA4j8G2BMCTmknQAS-lZUum1HO?usp=sharing

PARA O MULHERES JORNALISTAS: VINÍCIUS DE MORAES: SEU AMOR E OUtRAS BELEZAS.

Por Silvana Cardoso, jornalista Rio de Janeiro
Instituto Mulheres Jornalistas

Chefe de Reportagem: Juliana Monaco
Vinícius de Moraes: seu amor e outras belezas

Quem amou mais que Vinícius de Morais? Poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata, que nos deixou há 40 anos, em 1980, mas também nos deixou em sua diversa obra a certeza de que seus 66 anos foram para amar e viver intensamente. E sempre vale testemunhar o vasto amor em seu acervo, em verso e prosa, em músicas inesquecíveis, eternizadas em parcerias geniais. Um acervo para especialistas em literatura, amadores, apaixonados por música. Mas em tempos de amor enclausurado, a ideia deste texto é convidar para experimentar a possibilidade de amar sem medo, pois sofrer e sentir saudade e pedir para o ser amado voltar estão sempre presentes na obra amorosa de Vinícius. Que passa pelo amor efêmero, pela melancolia, pelo sensual, pela humildade, pelo perdão. E o compositor sabe pedir perdão para a amada, seu ser maior e, como ninguém, viveu a verdade da sua poesia, com nove casamentos, com mulheres inteligentes que lhe deram filhos, amor e nem sempre abaixaram a cabeça para os seus pedidos de desculpas.

Toda a cronologia, além de muitas histórias e muitos escritos, e toda uma vida cantada pelo mundo, está em dois endereços digitais que abrigam o acervo de Vinicius de Moraes: o site oficial que leva seu nome e o recém-lançado acervo Vinícius de Moraes, idealizado e produzido por sua neta Julia Moraes. Com o intuito de proteger manuscritos do desgaste do tempo, o arquivo apresenta não só os poemas, mas ensaios, peças de teatro, discursos, cartas trocadas em seu período de exílio e como diplomata. São mais de 11 mil documentos originais, 34 mil imagens, que foram distribuídos como Correspondências, Produção Intelectual e Documentos Diversos. Um projeto feito em família, já que o design e a coordenação técnica são do sobrinho-neto Marcus Moraes e a direção geral é da VM Cultural, pelas filhas Georgiana de Moraes e Maria Gurjão de Moraes. Vale também conferir a obra e biografia de Vinícius de Moraes em livros, documentários e em seus canais nas mídias digitais.

Mas na semana do Dia dos Namorados, fica a dica para conhecer também o jovem que, aos 20 anos, já havia publicado quatro livros de poemas e, só por isso, já vale contemplar a obra de um dos mais ilustres autores do nosso país. Mas para falar do que começou no modernismo de Mário de Andrade e invadiu Vinícius, a melhor tradução desse amor do amor, das formas do amor, do amor efêmero, humilde, da saudade e sensual, já que, em seus poemas e letras de música, o amor e a mulher amada sempre estavam em primeiro lugar, seja pela conquista, seja pela beleza do ser amado, mas a cada estrofe está lá aquele amor que não se mede para a hora do pedido de perdão. Ou mesmo o amor eterno amor, para sempre com Eu sei que vou te amar, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, que diz: Eu sei que vou te amar / Por toda a minha vida eu vou te amar / Em cada despedida eu vou te amar / Desesperadamente, eu sei que vou te amar / …; o amor que chega sem pedir autorização, quase não correspondido no poema Ternura, de 1938, que diz: Eu te peço perdão por te amar de repente / Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos / Das horas que passei à sombra dos teus gestos / Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos / Das noites que vivi acalentado / Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo.

Em Orfeu Negro, texto que estreou no teatro em 1956, mas que desde 1942 Vinícius perseguia a ideia de transpor o mito grego de Orfeu para uma favela carioca. Assim nasceu a tragédia carioca em três atos, história ambientada no Carnaval que apresenta um herói negro, Orfeu, e sua amada, Eurídice. Ganhou Oscar como filme estrangeiro em 1959, dirigido por Marcel Camus, numa coprodução Brasil-França-Itália, e nova versão de Cacá Diegues em 1999, com o nome de Orfeu do Carnaval. O amor proibido e repleto de conflitos de Orfeu e Euridice também marcou o início da parceria com Tom Jobim, que assinou as trilhas da montagem teatral e do filme de 1959. Mas o texto de Vinícius de Moraes apresenta o Carnaval, a favela, o negro no protagonismo, mas todo o contexto estava a serviço da sua poesia, do amor de dois jovens, como diz uma das falas do personagem principal: “São demais os perigos desta vida / Para quem tem paixão, principalmente / Quando uma lua surge de repente / E se deixa no céu, como esquecida. / E se ao luar que atua desvairado / Vem se unir uma música qualquer / Aí então é preciso ter cuidado / Porque deve andar perto uma mulher. / Deve andar perto uma mulher que é feita / De música, luar e sentimento / E que a vida não quer, de tão perfeita. / Uma mulher que é como a própria Lua: / Tão linda que só espalha sofrimento / Tão cheia de pudor que vive nua.”

Como não amar Vinícius de Moraes, como deixar de falar de obra tão fenomenalmente representada pelo amor e amizade entre o poeta e seus pares, pelo amor pelas mulheres, que dedicou muito da sua obra. Como Gilda, sua última mulher, 40 anos mais jovem, sua única viúva, como ele mesmo dizia que ela seria, que após um pedido de autógrafo em Niterói, no Rio de Janeiro, a jovem fã estudante de Letras encontrou o poeta novamente em Paris, uma década depois, e se tornou sua mulher pelos dois últimos anos de vida de Vinícius de Moraes. E assim, Gilda Queiroz Mattoso deu ao Poetinha a leveza de jovem a um homem apaixonado, pelas mulheres e pela vida.

Para embalar o desejo de estar apaixonado, ficamos com o célebre Soneto da Fidelidade, que foi musicada por Tom Jobim e ganhou, e ainda ganha, estudos literários. Quem não amaria ter coragem de amar assim?

Viva Vinícius!! Viva o amor!

Soneto da Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

http://www.viniciusdemoraes.com.br
Acervo Vinícius de Moraes 
Foto, direitos reservados, VM Cultural.

ESTREIA DA ORQUESTRA DE MENINAS CHIQUINHA GONZAGA

Elas estavam ensaiadinhas e super animadas para a estreia no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, no Rio de Janeiro. Mas, por conta das medidas restritivas do município naquela semana, o sonho foi adiado.
Mas amanhã, 4af, 16 de junho de 2021, com um friozinho na barriga e um imenso prazer, vamos acompanhar o concerto de estreia da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, composta por 52 meninas entre 8 e 17 anos, estudantes da rede púbica de ensino da cidade do Rio de Janeiro. Sob a batuta da maestrina Priscilla Mesquita, a apresentação que acontece às 19 horas, conta com a participação mais que especial da cantora Elba Ramalho e do Coro Laboratório Juvenil do Rio de Janeiro, composto por 30 meninas.
Sem a presença do público, a estreia acontece com transmissão pelo canal www.youtube.com/orquestranasescolas, ao vivo do Imperator – Centro Cultural João Nogueira, tradicional teatro do Rio de Janeiro, situado no bairro do Meier.
Com patrocínio da Uber, a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga é um desdobramento das integrantes da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca, programa do Instituto Brasileiro de Música e Educação, que busca modificar a vida de milhares de crianças, adolescentes e jovens em diferentes municípios do estado do Rio de Janeiro, com a transformação social por meio da educação e da música.

Parte do elenco em ensaio da OSJ Chiquinha Gonzaga em foto de Rafael Ribeiro

FRIENDS: AMIGOS PARA SEMPRE!

Texto novo escrito para o Mulheres Jornalistas. Publicado hoje 6/6/21. Passa lá e conheça o MJ: https://mulheresjornalistas.com/friends-amigos-para-sempre/cultura/
Foto divulgação: HBO MAX

Como viver uma vida inteira sem aquele amigo que dividiu com você as melhores histórias da sua vida? Quem sabe os piores também, mas estes sempre rendem as melhores risadas tempos depois dos acontecimentos. Sejam eles vexames impublicáveis ou não, são os amigos que vão somar nos momentos mais importantes das nossas vidas. E quantas vezes ficamos longe por anos de uma pessoa muito importante em um determinado período da nossa vida e, de repente, um hiato se faz pelas circunstâncias de cada um? Mas um belo dia, acontece algo e o telefone toca, um esbarrão na rua ou mesmo um convite de casamento ou aniversário e estará lá aquela amizade sendo reescrita como se o tempo não houvesse passado.

Pensando exatamente nisso, como não imaginar o reencontro de alguns amigos que por anos dividiram suas vidas com o mundo? Sim, os amigos da aclamada série americana Friends estão de volta para euforia e desespero de seus fãs brasileiros. A euforia: pelo reencontro de Rachel Green (Jennifer Aniston), Monica Gelle (Courteney Cox), Phoebe Bulfay (Lisa Kudrow), Joey Tribbiani (Matt Leblanc), Chandler Bing (Matthew Perry) e Ross eller (David Schwimmer), que aconteceu em episódio único, exibido nos EUA no dia 27 de maio, pela HBO Max. O desespero: pelo motivo do episódio Friends: The Reunion só chegar por aqui no dia 29 de junho. Enquanto aguardamos este hiato de um mês, fica a torcida para que a pirataria não ganhe força.

Mas como seis amigos conquistaram o planeta em um momento em que nem pensávamos com muita certeza na capacidade do mundo globalizado, em 1994, quando a série estreou? Com dez temporadas, 236 episódios, muitos prêmios e considerada pela publicação americana TV Guide como uma das melhores produções da TV de todos os tempos, numa lista com apenas cinquenta nomes, parece uma boa fórmula para Friends, criada por David Crane e Marta Kauffman. Tamanha fama levou o elenco ao patamar de 1 milhão por episódio, fato que gerou rumores sobre os motivos para o fim da série, em 2004. Mas celebrar 25 anos de amizade vale mais um encontro, certo? Sim. E quando isso acontece 17 anos depois, mais ainda são as expectativas dos fãs originais, assim como aqueles que foram conquistados com a chegada da série nas plataformas de streaming, como a jovem Prêmio Nobel da Paz, a sempre corajosa menina Malala Yousafzai, fã declarada dos amigos que até participa de um quiz no episódio especial – Malala e outras celebridades foram convidadas para o jogo de perguntas disputado pelos amigos, numa lembrança do que aconteceu na quarta temporada.

É claro que os jovens fãs de Friends entendem que os atores da série não eram celebridades há 25 anos, quando começou a ser exibida. Mas não é difícil imaginar o que aconteceu com a carreira e, consequentemente, com a vida desses atores e atrizes ao sair de um cachê de 22.500 dólares americanos por episódio, na primeira temporada, para o cachê de 1 milhão de dólares americanos por episódio, na décima temporada. E basta digitar o nome de cada um deles e estão lá os aplausos, mas estão lá também as derrotas, como casamentos desfeitos e dependência de drogas. Mas como são amigos de uma das mais aclamadas séries que reuniu os conflitos da vida de jovens entre 20 e 30 anos, moradores de Nova York, podemos também dizer que, após 236 episódios em dez anos de convivência, sim, são todos amigos. Mas parece que esta amizade se fortaleceu mesmo quando se uniram e juntos decidiram, em uma negociação coletiva, que desejavam que seus cachês fossem iguais, a partir da terceira temporada.

Desde a primeira temporada, ficou evidente que o roteiro pretendia dar o mesmo peso aos seis personagens de Friends. E como todo bom programa de TV que ganha longevidade, seus atores também começaram a ganhar torcidas pelos desfechos dos conflitos de seus personagens. Mas será que após 17 anos de distância daquele 6 de maio de 2004, seria possível fazer um reencontro capaz de revirar as vidas já meio que organizadas no desfecho do último episódio da décima temporada? Para uma das séries de maior sucesso da HBO, Sex and the City, com prêmios e mais prêmios, seis temporadas e seu fim também chegou em 2004, dois longas-metragens resolveram a ausência sentida pelos fãs das quatro amigas, entre 30 e 40 anos de idade, que também moravam em Nova York e, além de dividirem questões amorosas, os conflitos giravam em torno dos dilemas da vida da mulher moderna. Mas os criadores de Friends perguntaram aos atores sobre a hipótese de um filme ou mesmo um episódio com novos conflitos para as personagens, já que os fãs especulavam tais possibilidades.

Nas entrevistas do elenco, concedidas para promover a estreia do episódio especial, fica claro que esta possibilidade foi deixada de lado e a explicação dos seus criadores é mais que coerente, quando falam que Monica, Phoebe, Rachel, Chandler, Joey e Ross terminaram o programa muito bem, a vida de todos é muito boa, e eles (seus criadores) teriam que criar mais histórias e bagunçar o final feliz com todas essas coisas legais que deixaram na vida dos personagens. E parece que foi uma sábia decisão transformar o tempo de 1h39 de Friends: The Reunion em um reencontro de seis grandes amigos que não se viam há algum tempo, que relembram histórias das dez temporadas, que trocam confidências, uma partilha com os fãs no grande teatro, como nos episódios. Pelas críticas nesses poucos dias após a exibição do episódio, já podemos contar os dias para a chegada de Friends: The Reunion por aqui, no dia 29 de junho.

Para dar conta de esperar, confira o trailer oficial da reunião.

UM FESTIVAL QUE VALORIZA A TRADIÇÃO CULTURAL

Sabemos que a Lei Aldir Blanc ajudou muitos artistas e produtores, mas algumas vertentes da cultura tradicional estão à margem quando o assunto é participar de um edital. Pensando nisso, a historiadora Tainá Mie se articulou com as comunidades tradicionais que lutam pela preservação e valorização das suas memórias culturais e criou o I Festival Tradicionalidades pela Lei Aldir Blanc, que acontece até dia 16 de maio, domingo. Melhor: é online, gratuito e disponível no site do Festival www.festivaltradicionalidades.com.br .

Participam dez grupos culturais de diferentes regiões do Rio, que preservam o Jongo Quilombola, Ciranda Caiçara, Boi Pintadinho, Terno de Reis, Música Caipira, Mineiro Pau, atabaques afrodescendentes, música Guarani, da Mazurca das Baixadas Litorâneas e o Rap Quilombola, que através de novas vertentes culturais transmite a força do patrimônio cultural desse povo.
Além da assessoria de imprensa de última hora, também produzi uma matéria para o Mulheres Jornalistas, que pode ser lida no link: https://mulheresjornalistas.com/festival-promove-tradicoes-culturais-do-pais/cultura/

Clipping imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1AUBK_7zE6QiCi7AsXdo44T8f0SnOETxK?usp=sharing 
Foto Casa do Abode, grupo Jongo do Quilombo São José. Crédito: Luciane Menezes

QUEM NÃO É UM POUCO DONA HERMÍNIA? tEXtO PARA O SItE MULHERES JORNALIStAS

Quem não ama Dona Hermínia? Aquela mãe meio exagerada, superprotetora e um pouco sem noção. E foi com Dona Hermínia, inspirada na própria mãe, Dea Lucia, que Paulo Gustavo plantou uma sementinha no coração de todos os brasileiros, com as aventuras dessa mãe amada e meio transloucada, intensa e à beira de um ataque de nervos, moradora de Niterói, homenagem do ator para a sua cidade natal, município do Rio de Janeiro. E foi com muita franqueza que Dona Hermínia deu a Paulo Gustavo mais de 25 milhões de ingressos vendidos nas três produções da franquia “Minha Mãe é uma peça”. Mas Paulo Gustavo sucumbiu à Covid-19, nesta terça-feira, mesmo tendo uma equipe médica com todos os recursos disponíveis na tentativa de salvar o artista de 42 anos.
Sucesso no teatro, na TV e no cinema, o ator estava no auge do seu sucesso, do seu reconhecimento profissional, mas mostrava apreensão com os acontecimentos relacionados a pandemia. Em relatos a amigos dizia ter medo de contrair o vírus. Agora, com a sua morte, vem a público a ajuda financeira voluntária realizada pelo ator para profissionais das equipes dos seus projetos, bem como o envio de dinheiro para o governo do Amazonas, durante a crise pela falta de oxigênio no estado. Gay assumido, resolveu vir a público para contar sobre sua opção sexual quando crianças, jovens, homens, mulheres e idosos já lhe admiravam, já se divertiam com o ator e comediante da era moderna do mundo real que vivemos: casado com o dermatologista Thales Bretas, pais de dois meninos nascidos em 2019, concebidos por barriga de aluguel nos Estados Unidos. Paulo Gustavo falava abertamente sobre sua opção sexual e brincava com isso em programas de TV, como no Vai que Cola, humorístico do canal Multishow que teve estreia em 2013, onde o humorista também falava sobre abertamente.
Legados como este ficarão para um Brasil que hoje vive o negacionista de uma pandemia que já tirou a vida de mais de 400 mil brasileiros e brasileiras de todas as idades, de todas as classes sociais, sem distinção. Um luto coletivo que pode ser representado agora pela perda do ator Paulo Gustavo, por sua imensa popularidade. Como disse Tatá Werneck numa rede social (amiga e parceira de cena, horas após o anuncio da morte de Paulo Gustavo): “Prestem atenção: não deixem essa dor ser em vão. Entendam a gravidade dessa pandemia. Usem máscara. Álcool gel. Distanciamento social. Por favor. Não deixem essa dor ser em vão. Não deixem 400 mil vidas em vão.” E a partida do ator aproxima e amplifica a dor pela perda de pessoas próximas que cada brasileiro perdeu no último ano, Claudios, Marias, Josés, Margaridas, Anas e todos que perderam a luta contra o Coronavírus. 
No fim de 2020, no especial 220 Volts para a Globo, Paulo Gustavo deixou palavras de afeto e amor, que circulam nas redes sociais dos seus amigos, que transcrevo parte dele aqui: Ai, gente. Tanta coisa que eu queria dizer pra vocês antes de ir embora. Eu faço palhaçada, você ri e eu fico com o coração preenchido aqui. Eu me sinto assim… realizado de estar conseguindo te fazer feliz. Rir é um ato de resistência. … E Dona Hermínia é para sempre ato de resistência de Paulo Gustavo, ou alguém duvida que Dona Hermínia ligaria para a portaria do prédio onde mora, com seus bobs e vestidos coloridos, para determinar: eu não autorizo a entrada dessa Covid aqui. E há de quem me desobedecer.

Crédito Foto: Leo Aversa. (Paulo Gustavo rodeado por 3 mil pessoas no Ginásio Caio Martins, na sua cidade natal, Niterói, RJ)

https://mulheresjornalistas.com/paulo-gustavo-um-ato-de-resistencia/cultura/

EU E O REI: 80 ANOS DE ROBERtO CARLOS

Roberto Carlos completa 80 anos hoje e me fez lembrar daquela menina de quatro anos infiltrada no cinema, onde assisti Roberto Carlos em Ritmo de Aventura. Sim, eu lembro!
O tempo passou, mas não passou a sua obra, suas esquisitices, seus shows lotados que vi de perto, muitos, quando fazia suas temporadas esgotadas de três semana, de quinta a domingo, no Metropolitan (eu fazia a comunicação da casa). E estou falando de quatro mil pessoas por show, ok?
E Bob atrasava até quase duas horas, mas suas velhinhas não arredavam das cadeiras. Numa temporada ele me recebeu em seu camarim um pouco antes de entrar no palco para ouvir os nomes dos convidados que haviam chegado, para saber onde estariam sentados. Um expert em arremesso de rosas, pois ele jogava as flores no colo de quem desejava. Eu vi, juro.
Nos seus 80 anos, um livro e uma homenagem me ligaram outra vez a RC, quando estou lançando pela Máquina de Livros, “Querem acabar comigo”, livro do jovem Tito Guedes que percorre a carreira do aniversariante pela crítica especializada. Além da singela homenagem dos alunos do Programa Orquestra nas Escolas que, no formato on line, gravaram “Como é grande o meu amor por você”.

O livro: https://maquinadelivros.com.br/
A música: https://youtu.be/e8ltIlc_pbw

Clipping assessoria de imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1kZcDltxge3tuTU61CefO1QppnmtMOk_j?usp=sharing

LEI ALDIR BLANC: UM BREVE SUSPIRO PARA A CULTURA

A Insdústria do Entretenimento ganhou um suspiro com a Lei Aldir Blanc, mas um novo silêncio já começou para profissionais ligados ao setor no país. Uma crise sem precedentes, que comento no meu artigo para o necessário Instituto Mulheres Jornalistas. Além do texto, o podcast está no link do artigo Opinião, abaixo.
https://mulheresjornalistas.com/lei-aldir-blanc-um-breve-suspiro-para-a-cultura/colunas/opiniao/

Quando em março de 2020 a indústria do entretenimento parou com a primeira medida de isolamento social, parou também a economia criativa que gera milhares de empregos diretos e indiretos, milhões em receita. Meses depois, presenciamos as campanhas de apoio aos técnicos e demais profissionais do setor e, finalmente, uma lei cultural que ganhou o nome da nossa primeira perda artística pela Covid-19, do compositor Aldir Blanc. Mas nada andou para a classe trabalhadora da cultura e do entretenimento do nosso país, que continua amargando um necessário e cruel isolamento, quando teatros, casas noturnas, eventos e festivais continuam não acontecendo presencialmente. Doze meses depois daquele início de isolamento a Lei Aldir Blanc precisou adaptar os projetos contemplados para o formato online e, assim, de repente, produtores e artistas estão correndo como loucos, todos ao mesmo tempo, adaptando para o online os seus projetos que precisavam ser lançados até 31 de março.

Sancionada em junho de 2020 para amenizar a grave crise da Indústria do Entretenimento, a LAB, como carinhosamente é chamada a Lei Aldir Blanc, chegou com o auxílio emergencial, que estima-se ter contemplado em torno de 700 mil profissionais da área da cultura. E nos últimos dois meses, a correria insana dos produtores de cultura para colocar de pé e executar projetos contemplados pela LAB até o dia 31 de março. O que mudou na semana passada, quando quase todos estavam com suas estreias agendadas e suas equipes contratadas, surgiu a possibilidade de prolongar por mais 30 dias o prazo para executar seus projetos, até o fim de abril. Uma pena, pois em janeiro teria sido uma ótima notícia, mas não faltando uma semana para a chegada de abril.

Enquanto a pandemia acelerou a transformação digital na indústria do entretenimento, acompanhamos desde março de 2020 as mídias digitais se transformando em palco para todos os tipos de apresentações, sejam de teatro, dança, música, oficinas, bate-papos e tudo que se pode imaginar dentro do universo do entretenimento, estão acontecendo agora. Mas enquanto escrevo e em poucos dias, novo silêncio para o setor. Outros, como casas de cultura ou de espetáculos que resistiram até aqui, começam a desistir de se endividarem para manter suas portas fechadas por mais sabe-se lá quanto tempo. Estabelecimentos como o Bourbon Street Clube, que atua há quase três décadas em São Paulo, anunciou na semana passada a intenção de fechar de vez as suas portas.

No segundo semestre de 2020 uma pesquisa da empresa PwC Brasil alertava para uma possível recessão no setor. Uma queda de US$2,5 bilhões na receita,  no estudo Global Entertainment & Media Outlook 2020-2024. Esta mesma pesquisa avalia o impacto da pandemia do Covid-19 na indústria global de entretenimento e o número era estimado para uma perda de US$120 bilhões para o setor, a maior em 21 anos de pesquisa. Nestes últimos dozes meses presenciamos vaquinhas, auxílios de classes, como da APTR – Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, bem como outras ações isoladas por todo o país para salvar uma ou outra classe. Mas diante da falência do setor na maior metrópole do país, o município de São Paulo criou um novo plano de amparo à cultura, para amenizar a morte anunciada do setor e promete lançar um edital para socorrer centros de cultura e casas de espetáculos. Em Porto Alegre, a secretaria de cultura estuda suplementação de edital para socorrer o setor. 

Já a Lei Rouanet, atual Lei de Incentivo à Cultura, contabilizou uma perda de 35% nos incentivos fiscais das empresas em apoio à cultura. E como investir se as empresas estão buscando a reinvenção das suas atividades, se adaptando ao home office? E como bater na porta de uma empresa para solicitar patrocínio se os projetos aprovados, em sua maioria, ainda estão formatados com público presencial? Mas a música gravada e distribuída pelas plataformas de streaming cresceu 7,4% em 2020 para a indústria fonográfica mundial. Mas tais números não estão ao alcance de milhares de profissionais da cadeia menor do mercado da música. Artistas independentes que atuam no mercado da noite, além de técnicos, não estão nesta conta como beneficiados deste crescimento. E já podemos imaginar como será a nova pesquisa sobre as perdas após todos estes longos e sofridos meses no planeta.

Com o nome de economia criativa, presenciamos profissionais usando dos seus talentos pessoas com criatividade para vender, bolos, marmitas, hortaliças e dar aulas online. Mas enquanto abril chega, já imagino o silêncio sepulcral para o setor do entretenimento, mas ainda posso transformar a minha sala ou a nossa sala em plateia, para aqueles que continuam a encantar com o talento, com sua arte – lives que foram e ainda são alento para aqueles meses já distantes de isolamento social de 2020. Mas quando abril de 2021 chegar, já estaremos amargando mais de 300 mil mortes e lock down espalhados por cidades de todo o país. E quando abril chegar, desejamos que uma nova edição da Lei Aldir Blanc possa acontecer ainda neste ano de 2021 e, mais uma vez, ser um novo suspiro para socorrer parte da cadeia imensa de profissionais que continuará agonizando.


MULHERES NASCIDAS DE UM NOME: 28 ATRIZES DE 11 PAÍSES! ATÉ TERÇA, DIA 30/3, IMPERDÍVEL!!!

Vinte e oito atrizes de onze países se unem com o propósito de encenar trinta e três  minicontos na montagem Mulheres Nascidas de um Nome, a partir do livro homônimo do argentino Claudio Hochman, que contém cinquenta microcontos em prosa, todos a partir de um nome feminino.
Diretamente do Brasil, Portugal, Espanha, Panamá, Peru, Colômbia, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Costa Rica e Bolívia e isso só é possível agora pela transmissão online e gratuita.
A montagem também apresenta um belo olhar inclusivo, com uma cena exclusivamente em libras, para que as pessoas sintam a exclusão que as pessoas com deficiência auditiva sentem. E atrizes de diversas etnias e um atriz com Sindrome de Down.
Mulheres Nascidas de um Nome tem direção de Claudio Torres Gonzaga, produção da atriz e assistente de direção, Michelle Raja, com apresentacões até 3af, dia 30 de março, sempre às 18 horas, pelo Youtube  – www.youtube.com/michellerajagebara . Imperdível!!!!
Mulheres Nascidas de um Nome foi contemplado pela Lei Aldir Blanc.
Para realizar este trabalho, convidei a minha parceira de Bourbon Festival Paray, Maria Inês Costa, da MAIC Comunicação.

Logomarca do projeto, em destaque no mosaico da foto, é criação da parceira e amiga mais que amada, a designer Patricia Fernandes.

Clipping assessoria de imprensa: https://drive.google.com/drive/folders/1jbeLw9NqTWhPqjxbkTuFLf53L_POT1XD?usp=sharing

ATOR ROBERTO RODRIGUES ESTREIA MONÓLOGO ARTEIRO EM MANIFESTO

Um mês animado de bons projetos de teatro, danca e música, já que a Lei Aldir Blanc movimentou o setor de cultura do nosso país após um ano de isolamento social. E os produtores estão produzindo e atores estão atuando e criadores estão criando, como meu amigo produtor Fernando Alax, que me convidou para fazer a assessoria do monólogo Arteiro em Manifesto. Então, convido vocês para assistir Roberto Rodrigues dando vida a Mestre Palito, para reciclar as ideias e ampliar a criatividade como ferramenta necessária para a transformação social, abrindo espaço para reflexões atravez do riso e do absurdo.
Mestre Palito é excêntrico, bufão andarilho e irônico, um reciclador de ideias e objetos, que mesmo ácido e absurdo, consegue o riso e o afeto. E, por não estar na praça, pede licença para entrar nas casas da plateia virtual a partir de HOJE— por duas semanas, até 28 de março, de 6af a domingo, em sessões às 18 horas e às 20 horas, pelo Sympla. Online e gratuito. Passa lá!!

Clipping das matérias publicadas: https://drive.google.com/drive/folders/15dyxxiIYaKz8CgYCz_DddonR4uHt5UNY?usp=sharing

Foto de Leo Bandeira


DANÇA E RESÍDUOS PLÁSTICOS É OBJETOS EM REDE, DA COREÓGRAFA GISELDA FERNANDES

Quando Cacau Gondomar me convida para fazer uma estreia com ela, eu já sei que é arte que produz uma voz, uma crítica, que nos faz pensar o entorno e o mundo. Como “Objetos em Redes”, da bailarina Giselda Fernandes, que há 20 anos trabalha com a conscientização para as questões ambientais a partir dos resíduos plásticos. Estreia AMANHÃ, 5af, dia 18/3, com transmissão direto do FB do Centro Coreográfico do Rio, na Tijuca – www.facebook.com/centrocoreografico
O projeto foi desenhado no início da pandemia. O “lixo” recolhido por eles vai compor o cenário-instalação da peça, composto pelo artista plástico Hilton Berredo.

Gisela fundou a Dois Companhia de Dança, em 1992, que trabalha a partir do conceito “objeto-partner”, em que usa objetos cotidianos como parceiros de criação. Desde 2002, ela trabalha com a colaboração do artista plástico Hilton Berredo, que também é seu companheiro de vida (marido).

Clipping matérias publicadas: https://drive.google.com/drive/folders/1V8b27xFNeD63R_NYF9Gvusk34O8in5Uv

MATÉRIA MJ: TITI MESQUITA – DE BAILARINA A CORRESPONDENTE INTERNACIONAL DE GUERRAS

Matéria escrita por mim para o site Mulheres Jornalisas para ler e ouvir: https://mulheresjornalistas.com/titi-mesquita-de-bailarina-a-correspondente-internacional-de-guerras/

Encontrei Titi pela primeira vez em uma situação informal, com amigos em comum, quando a jornalista veio passar uns dias onde moro, em Pedro do Rio, pequeno distrito do município de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Dias depois, descobri que a mulher de olhos azuis que ainda conserva na sua postura os traços da bailarina que foi na juventude, aquela era a brasileira internacionalmente reconhecida como correspondente de conflitos e guerras, a jornalista Titi Mesquita, que hoje responde pela coordenação da Associated Press para a América Latina e Caribe. 
Nosso segundo encontro foi para a realização desta entrevista, que  começou antes mesmo de começar, pois em poucos minutos após os ois e olás, já falávamos sobre a pouca representatividade feminina nos cargos mais altos dos veículos de mídia, inclusive nas agências de notícias espalhadas pelo mundo. “Como encontrar a fala feminina se a mídia é, na sua maioria, comandada por homens?”, reflete Titi. Com esta fala resolvemos sentar em um lugar mais reservado para ir de encontro a carreira, a vida e a grande experiência de Titi como correspondente de guerra de TV para agências de notícias, como  a Associated Press. 
Pergunto se suas reportagens sempre foram para TV. Sempre, respondeu Titi, que passa os dias definindo as imagens e reportagens que a AP vai distribuir ao mundo. Algo impensado para a jovem bailarina que se apaixonou pelo jornalista da TV. E quando ele foi ser correspondente em Londres ela, corajosamente, foi junto. Casaram, tiveram um casal de filhos. Foram seis anos no Reino Unido, mas no início, sem nada para fazer e meio que sem querer, se transformou numa produtora voluntária das matérias produzidas para a Rede Globo, para a correspondente Sandra Passarinho e seu cinegrafista Antônio Brasil, o seu marido. E dali, no final dos anos 1970, tudo mudou na sua vida. De bailarina clássica a jornalista correspondente de conflitos, como as guerras do Afeganistão, Iraque, Bósnia, Kosovo e Haiti, Cristiana Mesquita só parou de estar no front há pouco, em 2016. E os argumentos para estar distante do trabalho de campo, assim como uma visão sobre a revolução que estamos vivenciando na mídia, estão na nossa conversa que vem a seguir. 

MJ: Quantas correspondentes mulheres você conviveu nas coberturas dos conflitos internacionais?
Titi Mesquita: Na minha época, quando comecei a cobrir, muito poucas. Tinham umas fotógrafas fantásticas, mas na área de TV muito poucas, algumas produtoras. Não se via mulheres na cobertura, mas em 2016, em Mossul, no Iraque, já tinha um número considerável de mulheres com câmeras. O que não havia na época que eu comecei e ainda é raro, não tinha nenhuma mãe. Risos, eu era a única mãe e mesmo hoje em dia, uma mãe no campo é raro.
É porque é muito mais fácil um homem achar uma mulher que esteja de acordo que o homem tenha essa profissão, ela deve ficar em casa com os filhos. Ao contrario já fica mais difícil de achar um marido que suporte uma mulher fazendo isso. É complicado.

MJ: Você viveu na cobertura de conflitos para TV quando o mundo era analógico. O que mudou com a chegada da era digital nessas coberturas, com a inclusão até de imagens amadoras nas matérias? 
Titi Mesquita: Foi uma revolução, porque não mudou só a maneira de fazer a notícia, mas quase como se vê o mundo. Toda mudança é muito difícil. Quando comecei em televisão eu trabalhava com filme, quando eu comecei a cobrir em conflito já trabalhava com vídeo. Mas a única maneira de transmitir era via satélite e dez minutos de satélite era uma fortuna. Então, se trabalhava o dia inteiro, preparávamos o material para mandar uma matéria de três minutos no final do dia, entrávamos naquele horário para enviar o que havíamos produzido no dia. Era o satélite do dia! E se acontecesse alguma coisa fora daquele horário era aquele drama para convencer a agência a pagar mais tempo de satélite. 
Hoje em dia você envia a matéria instantaneamente, tem todos esses sites que estão o tempo todo se renovando, você tem o canal 24 horas de noticia. Mas antes você tinha um horário para enviar a matéria no dia e agora eu já cheguei a mandar quinze matérias em um dia. Então você ganha por estar sempre transmitindo, por estar fazendo uma atualização da notícia, mas a gente perdeu o momento de meditação. Aquele momento que você tem o seu material e pensa: como eu vou construir esta matéria? Agora virou qualquer coisa. Nosso texto ficou muito dinâmico. Ter a oportunidade de fazer algo mais complexo ainda tem espaço para uma matéria mais profunda, mesmo sendo com o tema, por exemplo, uma guerra, mas é raro. Geralmente você está num manda–manda–manda! Um turbilhão. Sem a oportunidade de construir e escrever. Você está terminando de gravar, você está editando e você esta aqui ao lado mandando o vídeo e fazendo o texto. Tudo ao mesmo tempo. Quando eu trabalhava com filme, enquanto ele estava revelando eu parava e pensava ou ligava para a fonte, podia fazer uma apuração, dar contexto. No meu caso, de uma agência,  ainda tem a imagem que o fulano colocou no Facebook, e ainda precisa estar atento a todas as imagens que estão circulando. 

MJ: Censura militar e política. Onde fica a liberdade de expressão no front da cobertura de guerra, EMBEDDED, como foi no Iraque, trabalhando da base militar?
Titi Mesquita: Entrei com as tropas inglesas pelo Sul. Depois eu fiquei em algumas bases americanas. Quando você está EMBEDDED, você realmente está na mão deles. Tem uma série de restrições, não pode falar quantos soldados envolvidos numa operação, a localização. Eu particularmente não gosto de trabalhar EMBEDDED, mas a agência tinha a vantagem de ter uma equipe EMBEDDED e uma equipe do outro lado. Com isso você conseguia um retrato mais honesto do que estava acontecendo.  Infelizmente nem todo mundo tem o direito de fazer isso, as vezes só é possível ver um lado. Tem essas restrições, precisamos trabalhar com elas da melhor forma possível, sem se arriscar a ser  expulsos da base, mas ser o mais honesto possível com a sua matéria. Atuar de uma base militar é ter a visão parcial do conflito.  No meu caso, sempre falava: esta reportagem foi feita por uma jornalista EMBEDDED, com a baixa de restrições e a visão parcial do evento. 

MJ: Você foi a primeira jornalista brasileira a entrar no Afeganistão em 2001, quando forças americanas e inglesas invadiram o país contra o terror.  Prefere estar independente como foi a sua cobertura neste conflito?
Titi Mesquita: Sim, prefiro. No Afeganistão e na Bósnia. Na Bósnia o conflito durou três anos e passava mais tempo lá do que em casa. 

MJ: Você escolheu ser uma mulher do mundo na sua profissão de correspondente de conflitos internacionais. Uma vida sem muito paradeiro e até solitária. E como ficava a família, os filhos?
Titi Mesquita: Era difícil, né? Era tempo longe das crianças, meu filho era pequeno. Minha filha menor ainda. Mas eu tinha a sorte de ter um marido que também era jornalista e que havia optado por uma carreira acadêmica. Então ele tinha uma vida mais organizada em termos de horários, férias. E o grande privilégio que eu tive na vida inteira, que é uma família, que é a minha vila: irmãs, mãe, todo mundo envolvido em cuidar de mim e dos meus filhos. Então fui muito privilegiada por ter isso tudo. Vejo que uma outra pessoa sem isso não poderia mesmo fazer, sem esta infraestrutura não poderia fazer o que fiz. 

MJ: E quando resolveu parar com as coberturas?
Titi Mesquita: Eu parei de fazer cobertura de campo porque eu cheguei a conclusão que eu tinha uma filha que eu mal conhecia e estava chegando naquela idade de quinze, dezesseis anos. Eu parei e pensei, ah, eu agora tenho que tomar tenência. (risos) Isso foi em 2004, quando eu assumi o birô da AP em Buenos Aires, que era algo mais controlado e, depois, mais ainda quando fui para o escritório da AP em Washington, onde assumi de lá a América Latina. Ai eu falei: minha filha vou trabalhar de oito da manhã às seis da tarde. Ela ria. Sim, vou estar em casa todos os dias para fazer o nosso jantar.  E naquele momento eu já estava separada, ela estava com o pai, eu estava perdendo o controle… para onde está indo isso, eu me perguntava. E foi muito bom esse período que ficamos juntas. Meu filho Gabriel ficou no Brasil, já era maior, já tinha namorada. Julia foi comigo para Buenos Aires, onde moramos dois anos e para Washington, onde permaneci por nove anos. Julia está nos Estados Unidos até hoje, trabalha com games e mora na Califórnia.  

MJ: Ainda criança você foi impactada pelo homem pisando na lua pela TV, no dia do seu aniversário (21/7/1969). Essa tecnologia que invadiu a menina Titi, ainda faz a sua cabeça?
Titi Mesquita: Sim. O que mais me impressionou não foi o homem pisar na lua, mas sim a transmissão. Ver a imagem pela TV. Achei fantástico, aquilo.

MJ: Você que morou em Washington por nove anos, como viu a última cobertura da posse do Joe Biden, nos Estados Unidos? Uma posse com grades e um forte esquema de segurança.
Titi Mesquita: Eu não estava mais em Washington quando elegeram o Donald Trump, mas estava na eleição do Barack Obama. Meu escritório ficava algumas quadras dali. Eu não estava cobrindo especificamente, estava com as reações para a América Latina, mas chegou um momento que eu pensei, eu vou. E fui para a posse como cidadã normal. E era aquele mar de gente. Nunca fiz isso no Brasil, por que nunca fiz isso no Brasil? Sair para celebrar uma eleição. Para fazer isso é preciso acreditar também e ali era um momento histórico e acompanhei toda a posse e tinha muitas bandeirinhas no ar. 
No Biden fiquei muito angustiada e preocupada com a segurança, na expectativa de algo ruim acontecer. Mas isso mostra que a cada novo ano o mundo fica mais complicado.  Ao mesmo tempo, vendo de uma maneira mais otimista a chegada do Biden.

MJ: Como você está vendo esse retrocesso?
Titi Mesquita: Essa polarização, essa emergência de gente… Acionaram um despertador, principalmente para a imprensa. Tem um grupo imenso e gigantesco de pessoas que temos ignorado. Não estamos mais falando com eles e por quê deixamos de falar e demos espaço para os loucos falarem? E eles acreditaram. Estamos com a mea culpa de ter que encontrar uma maneira de falar com essas pessoas, também. De alguma forma temos que chegar nelas… ainda não sei como, mas percebi a necessidade disso. 
Acreditamos, com razão, ainda tenho um certo otimismo, que o pensamento liberal havia vencido. Podíamos relaxar, mas esquecemos que esta massa de pessoas estavam por aí e não tinham acompanhado, e estavam se sentindo acuadas. E se organizaram. 
Mas nós também estabelecemos que agora tudo bem um homem beijar outro homem e mulher pode beijar mulher, e o politicamente correto, nós decidimos isso e pronto. Achamos que estávamos agindo corretamente, mas para eles, não. E por que não conseguimos convencê-los? Por que a gente deixou de falar com eles? 
Antigamente, aqui no Brasil, todos estávamos na frente da TV assistindo a mesma novela e o mesmo jornal, seja na casa mais pobre ao lar mais rico.  
De repente houve uma segmentação. Com a imprensa também foi muito forte e cada um consome um tipo de notícia. Com a segmentação a gente perdeu os elementos em comum. Nos EUA é muito claro: você é de direita você assiste a Fox; de esquerda, assiste a NBC; de centro assiste a ABC. E não vê o que os outros estão vendo, não entende o que os outros estão entendendo, não sebe o que os outros estão sentindo, por quê você está completamente segmentado e porque tem todas estas opções.  

MJ: E o que seria possível fazer para falar com estas pessoas? 
Titi Mesquita: É o que falávamos, sobre inclusão. A inclusão deve passar por isso também, não é só entender o que acontece com as comunidades negras, nas comunidades latinas, como pensa o indígena na Bolívia. Temos que incluir estas pessoas também. O que pensa o Bolsonarista ferrenho, o que pensa o pessoal do Trump e como falar para eles. A inclusão deve ser para eles também. É a única maneira de tentar achar o que temos em comum, pois sempre tem algo em comum, né? 

MJ: O que significa uma cobertura justa para você?
Titi Mesquita: Uma pergunta difícil. As pessoas diriam: tem que ouvir os dois lados. Eu não acredito. Isso virou uma tendência, tem que ouvir os dois lados, mas depende da matéria. Se você está fazendo uma matéria sobre a terra ser redonda e chama Galileu de um lado e chama o Torquemada do outro, o chefe da inquisição, e você estará causando um desserviço. Não tem que dar voz para maluco. Nunca vou entrevistar um terraplanista.
Acho que uma matéria justa é quando somos honestos conosco. Eu estou vendo o que estou vendo ou estou vendo o que acho que deveria acontecer, o que eu gostaria que acontecesse? E não é fácil. Significa deixar seus preconceitos e suas ideias pré-concebidas do lado de fora e de uma maneira mais aberta possível. Não é ser imparcial, porque acho que isso é muito difícil, mas tentar ser honesto. Entender que você está vendo isso pelo seu filtro e, se o seu filtro está retratando o que realmente está acontecendo, acho que isto seria uma matéria verdadeira, como se apresenta, uma matéria justa. 

MJ: Reconhecimento internacional, responsável por um braço da AP News, uma das agências de notícias mais respeitadas do mundo. Como você vê uma jovem jornalista que se interessa por cobertura de conflitos?
Titi Mesquita: Jovem jornalista sai com todas as ferramentas, ela controla o meio. Ela entende do digital, entende de rede social, ela pega a câmera e grava, envia pelo celular. Mas a mais jovem não tem a vivência. Hoje tudo é muito acessível. Em Mossul, no Iraque, encontrei brasileiros e perguntei se eram jornalistas de qual veículos, mas não, foram cobrir o conflito de forma independente. Cada vez mais tem jornalismo de aventura fazendo conflitos. São os turistas, como chamávamos estas pessoas que vão cobrir pelo prazer. Mas não podemos nos prender ao passado… outro dia vi uma reportagem muito interessante. Um correspondente do Times, de Londres, se reportando sobre a guerra na Crimeia, final do século IXX, começo do século XX, a reportagem dele chegava ao Times uma semana depois. E era assim: “era uma manhã de sol, a temperatura era de trinta graus…” é lindíssima a maneira como ele escreveu, mas não é como o jornalismo hoje nem aqui nem em lugar algum, você tinha um tempo, a pessoa que lia o jornal também tinha um outro tempo, um outro ritmo. Na empresa onde trabalho, a AP, ela existe desde a independência americana, é a agência mais antiga de notícias do mundo. Ela começou na guerra da independência, porque naquela época já existia uma imprensa robusta nos EUA. Aí pensaram: por quê vamos cada um mandar uma pessoa para morrer nesta guerra se podemos mandar uma ou algumas para fazer a cobertura para todos os veículos. E assim começou a associação desses jornais, a Associated Press. E assim descobriram que seria mais rápido enviar a notícia pelo telégrafo. Foi ali que foi criado o formato da imprensa: quem, quando, onde, como e por que. Nós já passamos por várias revoluções na imprensa e essa (a revolução digital) vai ser uma outra e já temos muitas coisas bacanas, mas é muito, né? Aí fico lembrando de Caetano Veloso: quem lê tanta notícia?

MJ: Como uma apaixonada pela imagem enxerga esse momento da exposição global via smartphones, ajuda ou atrapalha o trabalho da imprensa? 
Titi Mesquita: As vezes ajuda, as vezes atrapalha (risos). A imagem do vídeo amador é tão presente hoje em dia que até a estética de imagem está mudando por causa disso.

MJ: Sabemos das dificuldades do dia a dia de um correspondente de conflitos, mas com a tecnologia e velocidade da informação, como ficou para se proteger?
Titi Mesquita: Ficou mais perigoso. Antigamente não viam o que estávamos produzindo. Agora eles possuem internet, acompanham a notícia numa CNN 24 horas, sabem o que está acontecendo e quando chegamos no dia seguinte no vilarejo eles comentam, falam “eu não gostei.” Eles também entendem a imagem e como eles estão sendo retratados. A bronca com a imprensa ficou maior.

MJ: O que é sagrado numa cobertura de conflitos?
Titi Mesquita: A única coisa que me interessa em guerra é a população civil. Mulheres e crianças e o que está acontecendo com eles. 

MJ: Quando ou onde, no front do conflito, você achou que não iria voltar?
Titi Mesquita: Alguns medos, em alguns momentos, é isso ai: acabou, game over. Alguns. Mas eu não falo sobre isso porque eles  (nossa  família) se preocupam comigo o tempo todo. Não quero que fiquem pensando. Já passou.

MJ: O que a levaria de volta para uma zona de conflito?
Titi Mesquita: Adoro o trabalho de campo, mas acho que nesta altura da minha vida, não. É um trabalho muito físico. Aquele colete à provas de balas que colocamos pela manhã pesa quinze quilos e ao final do dia ele está pesando cinquenta quilos. Um desastre físico. Trabalhamos em equipe. Estar em um grupo onde você precisa correr numa situação de perigo seria complicado, sem querer impor uma maneira de ter que me proteger de algum risco (as equipes, geralmente formadas por homens). Acho que não seria mais tão produtiva como eu fui, mas dá vontade de ir. Parece louco, mas é extremamente enriquecedor ver seres humanos, pessoas vivendo nesse limite, no meio de um conflito. Mostrar como vivem. E como fantásticos eles são. Você presencia provas de força, de resiliência que não se vê normalmente. Na Bósnia, 300 artilharias por dia e resolvi falar com um casal em Mostar. Eles vivendo no porão da casa já destruída, pois se recusaram a sair, já que ele era médico e não queria abandonar a cidade. Ela professora de inglês. Uma das coisas que eles tinham muito orgulho de falar era que apesar de tudo a padaria sempre abria. E a mulher com todas as dificuldades, o banho e ela  pegou um espelhinho e passou o batom para irmos comprar o pão, e pensei: esse é o ser humano que eu quero conhecer.

MJ: Pandemia X conflitos.
Titi Mesquita: Está bem difícil. Estamos reclamando por estarmos isolados, mas tenho equipe trabalhando na rua e cobrindo CTI de hospital e não estão segurando a onda. As vezes eles falam que precisam dar um tempo. É um trabalho. As vezes não está bom, mas é o nosso trabalho e vamos fazer. 

MJ: Casamento e conflito. Seu segundo marido, onde se conheceram?
Titi Mesquita: Sim, o Gordon. Foi numa cobertura longuíssima no Peru que nos conhecemos. Foi na invasão da embaixada japonesa em Lima. Sequestradores entraram durante uma recepção cheia de gente. Foi algo cinematográfico, tanto a entrada dos sequestradores como a entrada da polícia na casa. Achávamos que seria uma negociação rápida, mas eu estava chefiando a equipe e fui ficando e foram dois meses e meio que fiquei lá, mas durou uns quatro meses. Fecharam a rua e a imprensa do mundo trabalhando de cima de um prédio que dava para ver a casa e os sequestradores se comunicavam conosco com cartazes nas janelas. Com o tempo pedimos para a polícia nos deixar ficar mais próximo da casa e numa aproximação meu cinegrafista pulou para dentro da casa e foi uma loucura. Filmou tudo e mandou a fita por um fotógrafo que entrou junto. Dei a ideia dele “esquecer” o rádio comunicador lá dentro e começamos a ter uma comunicação direta com os sequestradores. Foi um sucesso. Sai da resposta… Essa cobertura rendeu muitas histórias (risos). Não tinha muita coisa para fazer ali, parados, esperando pelos acontecimentos (mais risos). Assim fomos nos conhecendo e começamos. Mas foram muitos anos nos encontrando como podia, pelo mundo. Até morarmos juntos demorou uns dez anos. 

MJ: E o que aquece o coração da Titi?
Titi Mesquita: Estar com meu marido, lendo, leio muito, gosto de muito de cinema, de ficção, da dança. As mesmas coisas que me faziam feliz antes, quando era mais jovem.  

MJ: 63 anos. Como se sente?
Titi Mesquita: Risos. Olha eu aqui com uma vida mais acertada. Uma senhora digna e comportada (mais risos).

Se somos feitos de histórias para contar, a carioca do mundo Cristiana Mesquita, o apenas Titi, tem uma coleção delas. Conta com o brilho de quem ama o que viveu e vive. Mas seu dia a dia ainda é intenso, falando com os correspondentes da América Latina, escolhendo o que será notícia para a AP News distribuir. Atua com seriedade e comprometimento com a noticia, como aquela jovem que embarcou no amor e na profissão com o coração. Que tem por Sandra Passarinho um profundo respeito, “minha guru, minha escola”, como afirmou para fechar esta nossa conversa
E poderia ficar horas conversando e aprendendo com Titi Mesquita. 

CRIASOM É FESTIVAL DE ECONOMIA CRIATIVA FEITO POR PESSOAS CRIATIVAS

Amo fazer parcerias com minha amada Maria Inês Costa. E abrimos os trabalhos de 2021 com o Criasom, festival repleto de pessoas queridas, inclusive Maria, que vai falar sobre assessoria de imprensa. E a primeira atração musical do festival é o Blues Etílicos, que faz live show direto de estúdio no Rio de Janeiro, nesta 6af, dia 26 de fevereiro, às 20 horas. A banda é a marca mais forte do blues nacional e há mais tempo em atividade nesse segmento, desde meados dos anos 80.
Apresentação do Blues Etílicos faz parte da extensa programação do festival sobre economia criativa, com música, dezoito bate-papos, com dicas de produtores, empresários e executivos dos diversos campos da produção cultural.
Até 26 de março, além dos bate-papos,  mais quatro shows na programação, como das bandas Blues Beatles, Yuri Prado e Mardi Gras Brass Zookas, Igor Prado and Just Groove e Electric Miles.
Confere lá a programação: https://www.youtube.com/user/eugeniomjrgmail/aboute
Clipping da assessoria de imprensa Passarim&MAIC: https://drive.google.com/drive/folders/1Aghhp54IPd4zv98TEAPJ-r_zds3EhuUp?usp=sharing

LARISSA VEREZA LANÇA LIVRO COM 148 DICAS PARA TRABALHAR EM HOLLYWOOD

Larissa Vereza é um doce de pessoa, que conheci fazendo o seu texto de apresentação para o site da produtora da sua empresária (A gente se Fala). Depois, ela fez duas lindas participações no Festival Estar Bem, que criei no inicio da pandemia. No primeiro ela recitou um poema e, no segundo, ela tocou e cantou lindamente.
Larissa é um talento para as artes e ser filha de famoso (Carlos Vereza) não limitou a atriz e roteirista, que também é cantora e diretora, a se aventurar nos Estados Unidos para buscar uma carreira internacional.
Após quase dez anos morando entre o Brasil e os EUA, Larissa lança “Como tirar seu visto O1 e se mudar para Hollywood – Um passo-a-passo para tornar seu sonho realidade” (e-book pela Amazon Brasil e Internacional, impresso no site da atriz).
O livro de 157 páginas traz 148 dicas que passam pela escolha do bairro onde morar, como encontrar um agente, conseguir testes, como se vestir, bons cursos e até como encontrar a sua turma. 
Para Larissa, que atua em produções nos Estados Unidos, a decisão de escrever o livro veio com a possibilidade de ajudar jovens artistas que desejam investir na carreira internacional nos EUA, como ela fez.
No inicio do ano Larissa me ligou, queria saber se eu poderia fazer o lançameno do livro em janeiro. E foi rapidinho que tudo aconteceu, mas ficou com gostinho de quero mais.

Clipping das matérias publicadas: https://drive.google.com/drive/folders/1JQKP_vNvJXt272mdCNbnTpCVGj2JkQrO?usp=sharing


Robert Cray é PREMIADO homem show

Quando trabalho com artistas que admiro o prazer de sentar e assistir ao show é imenso. Foi assim com a apresentação do guitarrista americano Robert Cray, que no dia 2 de agosto subiu ao palco do Vivo Rio com o seu quarteto para única apresentação. Um showzaço, bradavam os seus fãs após um pouco mais de uma hora e quarenta minutos de show, incluindo o bis. Aos 66 anos, comemorados no Brasil, ele não pensa em parar de tocar tão cedo e nós agradecemos. O trabalho teve ótimo retorno de mídia e tivemos um Vivo Rio lotado. Foi um show memorável. Dos bastidores, saber que comemoramos aniversário no mesmo dia, 1 de agosto, foi também um bom presente para mim. Parabéns, Mr. Cray.

Foto de parte da página do Segundo Carderno, do O Globo, com enytrevista concedida ao Sergio Luz e artigo escrito por Silvio Essinger.
Segue link: https://oglobo.globo.com/cultura/musica/nao-me-vejo-como-os-herois-da-guitarra-de-antigamente-diz-robert-cray-23833161

Metropolitan | Casa de espetáculos

Em 1996 assumi a assessoria de imprensa do Metropolitan, na época, a maior casa de espetáculos da América Latina, do empresário Ricardo Amaral, sob a regência do jovem Bernardo Amaral. Após um ano, duas situações de grande desafio: buscar uma pessoa para substituir Ana Paula Romeiro, minha dupla que foi gerenciar o depto de imprensa da gravadora BMG e aceitar o convite dos Amaral para assumir como diretora a produção, a agenda de shows, a comunicação e, posteriormente, o artístico da casa. Neste percurso, outras seis casas do empresário como a academia Estação do Corpo, a pizzaria Gattopardo e o ainda Hipopotamus, esteve, num determinado momento, todos sob a minha gerência de comunicação.

No Metropolitan, foram estimados em torno de 300 espetáculos no período de três anos – entre 1996 e 1999. Shows, teatro, espetáculos de mágica, ou mesmo o ainda desconhecido Ultimate Fighter (luta em octagono conhecida em todo o mundo). Foi neste período que se apresentaram no Brasil os internacionais: BB King, David Bowie, Lou Reed, Oasis, Robert Cray, Alanis Morissette, Björk, Nathalie Cole, o mágico David Coperfield, cias de ballet internacionais, dentre tantos outros. E os nacionais, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, todo o Pop Rock nacional, o Axé, a chegada do Sertanejo.

Neste mesmo período, coordenei a Metropolitan News, publicação mensal com distribuição gratuita para os frequentadores da casa. Seu conteúdo falava sobre a programação do mês, matérias especias e colunismo social.

Aqueles anos foram de extrema importância para a minha carreira, além ter sido uma grande aventura.

Clipping: https://drive.google.com/open?id=0Byou4MpvKtcTY3QyeVZqSXJpMDg

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