Arquivo da tag: Mulheres Jornalistas

CINEMA BRASILEIRO TEM DNA FEMININO DESDE 1930

Publicado no Mulheres Jornalistas: https://mulheresjornalistas.com/cinema-brasileiro-tem-dna-feminino-desde-1930/cultura/

Aos 17 anos, a paulistana Tereza Trautman trocou a medicina por um curso de interpretação e direção, se aproximou de cineastas como Luiz Sérgio Person, João Silvério Trevisan e Carlos Reichenbach e, aos 22 anos, lançava seu primeiro longa, “Os homens que eu tive”, em 1973. Escrito, editado e dirigido pela jovem cineasta, após seis semanas em cartaz e com sucesso de público e crítica, o filme foi censurado pela ditadura militar e liberado somente em 1980, com o título: “Os Homens e Eu”. Nele, Tereza falava da liberdade e da individualidade da mulher, além do roteiro abordar a independência sexual feminina, esta última, uma das conquistas com a chegada da pílula anticoncepcional, quando as mulheres conquistaram o domínio do seu corpo, com a possibilidade da decisão de engravidar, ou não, de fazer sexo por amor e com um único parceiro, ou não. Protagonizado por Darlene Gloria, o cartaz de “Os homens que eu tive” já sinalizava, e mostrava, a ousadia da diretora.

A cineasta à frente do seu tempo, Tereza Trautman, que assina cinco produções cinematográficas, mudou seu foco quando decidiu ser uma mulher que apoia o cinema nacional. E falar de cinema nacional é jogar luz nessas mulheres que dedicaram suas vidas ao cinema do Brasil, desde a década de 1930, como a histórias da Tereza e de muitas outras que podem ser conferidas na série “As Protagonistas”, de Tata Amaral. A cineasta narra, dirige e faz comentários nos 13 episódios da série, quando se debruçou sobre o audiovisual brasileiro a partir da produção de mais de 70 cineastas mulheres. A diretora foi buscar trechos dos filmes e obras audiovisuais, documentos, fotos, recortes de jornais da época de cada produção, depoimentos das autoras e de pesquisadores para contar a trajetória dessas mulheres, a partir de 1931, com o filme “O caso do dominó preto”, de Cleo de Verberena.

Década por década, Tata inventariou essas cineastas. Foi buscar nas produções, a partir de meados dos anos 1970, a consolidação da mudança do comportamento feminino, bem como seu espaço na sociedade, quando impulsionadas pelas lutas feministas no mundo todo, as cineastas brasileiras passaram a produzir e discutir seu papel como artistas e profissionais. “Elas nos mostram que não existe apenas um “feminismo”, mas “feminismos”, reflete Tata Amaral, que afirma: “Estas cineastas criaram personagens femininas longe dos estereótipos”. Em 1970, década-chave para o avanço dos direitos femininos, quando as cineastas brasileiras realizaram mais de 200 filmes que desafiaram o regime militar, o ambiente machista e se arriscaram expondo sua sexualidade e seu imaginário. Mais que ser censurada com suas produções e retratada pela série, Tereza Trautman assumiu o compromisso de defender a produção independente do cinema nacional e, em 2004, estreou não um longa-metragem, mas um canal por assinatura com programação original e exclusiva, o CINEBRASILTV, que, neste mês, comemora 17 anos de existência.

E foi assim que a ideia da cineasta Tereza Trautman de abrir um canal de audiovisual se tornou uma realidade para autores jovens e consagrados, que produzem documentários autorais investigativos, séries ficcionais inéditas que refletem comportamentos, conflitos e relações humanas. Séries documentais que resgatam tradições das curvas do Brasil profundo. E foi dentro deste conceito que o CINEBRASiLTV produziu, ao lado de cineastas de todos os cantos do país e diretores como Silvio Tendler, Betse de Paula, Cao Hamburger, Jorge Durán, Renato Tapajós, Toni Venturini, Orlando Senna e Paloma Rocha, alguns títulos que são referência para o cinema nacional, como Pobres Diabos, A Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha, Antena da Raça, Na Boca do Povo, Fabiana, Sementes da Educação. A criadora do canal reflete: “Ao meio dia de 10 de julho de 2004, com a exibição de “A Descoberta do Brasil”, de Humberto Mauro, o patrono maior do cinema brasileiro, entrou no ar o CINEBRASiLTV. Desde então, continuamos singrando pelos mares, mesmo em meio a tempestades, torcendo para que o mau tempo passe e que possamos ganhar a tão sonhada liberdade. Liberdade não só de ideias, da qual nunca abrimos mão, mas finalmente a liberdade econômica cuja falta sempre nos sufocou”.

Atualmente o canal possui na sua grade de títulos em produção um número que cobrirá a sua programação até o ano de 2025, com títulos exclusivos e originais, claro. Em julho, para comemorar o aniversário, a programação passa pelo Brasil de Glauber Rocha, com a produção original do canal, o documentário em longa-metragem, “Antena da Raça – O Filme” (Brasil, 2020), de Paloma Rocha e Luís Abramo. Selecionado para o Festival de Cannes 2020, o filme resgata o ideário (e memória) de Glauber Rocha questionador e provocador, ao recriar a estética do Programa Abertura, comandado pelo cineasta na TV Tupi entre 1979 e 1980, período da Lei da Anistia. Declara Tereza: “E estamos comemorando o aniversário com a estreia do longa documental “Antena da Raça” e, neste momento, sentimos o quanto Glauber nos faz falta, com o seu espírito irreverente, brilhante e objetivo”.

Como Tereza Trautman, Adélia Sampaio, Helena Ignez, Helena Solberg, Sandra Kogut, Letícia Parente, Sonia Andrade, Ana Maria Magalhães, Tizuka Yamasaki, Suzana Amaral, Lucia Murat, Carla Camurati, Anna Muylaert, Laís Bodanzky, Viviane Ferreira, Eliane Caffé, Yasmin Thainá, Graci Guarani, Heloisa Buarque de Holanda, Julia Rezende e Tata Amaral são alguns nomes que destacamos de mulheres de cinema e do audiovisual brasileiros, para não esquecermos o que elas conquistaram de espaço e reconhecimento para todas as gerações que estão chegando e que ainda vão chegar.

Foto: Tereza Trautman, foto Camila Freitas, divulgação Tangerina Entretenimento

MULHERES E ASSÉDIO: CORAGEM PARA DENUNCIAR E APOIO

Alguns relatos de assédio moral, bem como abuso psicológico com mulheres que conheço, gerou o artigo a seguir, publicado no Instituto Mulheres Jornalistas (link no fim do texto). No título, um pouco do que é preciso para dar conta dessa grave e desleal forma de se viver o feminino: coragem para denunciar e apoio para continuar. Minha mentora e eterna fonte para assuntos de relacões humanas nas empresas, Ticyana Arnaud colaborou na matéria. Meus agredecimenatos à LETÍCIA FAGUNDES e para as entrevistadas que cito no texto.
Crédito: Ilustração Designed by Freepik

Foi ali no final do século IXX para o começo do século XX que a revolução industrial precisou da mão de obra feminina, para dar conta das produções em grande escala, para suprir o mundo do consumo capitalista. Foi dali que elas ficaram com várias jornadas, como filhas, mães, irmãs que ficavam com os caçulas para a mãe trabalhar. E no mundo dominado por homens de todas as nacionalidades, uma coisa é certa: mulher é boa mão de obra, mas não venha querer mandar em mim. Combinado?

Errado. Começamos a desobedecer neste quesito com mulheres que já no início do século XX desbravaram as artes, as engenharias, as academias das ciências. Mas como podemos chegar na segunda década do século XXI com essa distante realidade para a equiparação do reconhecimento do feminino quando se fala em mercado corporativo, na sua grande maioria liderado por homens? Onde está a voz, a independência individual e liberdade conquistadas a partir dos ganhos conquistados por mulheres, por vezes consideradas feministas ou acadêmicas em suas áreas, que levantaram bandeiras e gritaram em megafones para serem ouvidas? Elas já venceram aquelas batalhas para estarmos hoje onde estamos. Mas no dia a dia a luta continua companheira, na árdua tarefa de serem boas mães, ótimas esposas, eximias cozinheiras e donas de casa. Mas o que perdemos em um século? Imagino que a oportunidade de, primeiramente, ser independente emocionalmente do ser masculino, pois para se brigar de igual para igual ainda em tempos atuais, vale ser uma mulher mais dura, mais firme e menos mimimi. E qual o motivo dessa dureza para sobreviver? Para primeiro ser ouvida, ganhar adeptos e, depois, assumir um lugar de fala, de independência para não precisar mais suportar assédio moral, manter um emprego para pagar as contas do mês.

No país, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mulheres são as responsáveis pela renda doméstica em metade dos lares brasileiros, onde são as gestoras da casa. Mas resta saber o que ainda falta para entenderem que ser mulher é muito mais trabalho e menos mimimi. É claro que desejamos que em um futuro próximo possamos ser sensíveis como somos de verdade, amorosas como devemos ser, mas duras e firmes como já sabemos como deve ser na hora que a pressão bate. E a pressão sempre bate para mulheres que são independentes e fortes em seus ideais, sejam as mais experientes ou as mais jovens, o que se faz atualmente é uma união que não se via entre o gênero feminino nas décadas passadas. Ser forte para assumir que não será possível continuar sob a gestão de um dono de empresa que, acima de tudo, não pode ser “mandado” por uma mulher. Quem vive nessa seara sabe que até o empreiteiro da reforma do banheiro torce o nariz se a “dona” da casa resolver ser a porta voz do que deve ou não ser feio, inclusive deixar o chão limpo após a bagunça do dia trabalhado. Homem, até os mais modernos, não gostam de mulheres de “opinião”, que fazem debate. Sim, ninguém mais ouve calada atrocidades como, “Quem banca sou eu; Quem paga o seu salário sou eu e você vai fazer o que eu mandar”. E ouvi um áudio com esta sentença enquanto conversava com mulheres para esta reportagem.

Mas o preço do desmande é alto e muitas abaixam a cabeça para manter seu emprego, seu salário ou até mesmo seu cliente, quando se é uma pequena empreendedora MEI (Microempreendedor Individual). Foi assim com a jornalista e especialista formada em Influência Digital – Conteúdo e Estratégia pela PUCRS, Petra Sabino, de 37 anos, e mãe de uma menina de 7 anos, que já perdeu a conta do número de assédio que sofreu na carreira. “Me parece que a maioria dos homens, seja do campo conservador ou progressista, não está preparado para aceitar a mulher em um cargo de liderança. O masculino precisa se reafirmar a todo o momento e a maneira de fazer isso é subjugando as mulheres. Possuo tantos casos de assédio moral e sexual nesses anos como profissional de comunicação que até daria um livro”, desabafa Petra.

Já Miriã Antunes, Relações Públicas, ficou doente com a relação toxica na empresa que trabalhou em 2019, quando, após os inúmeros abusos psicológicos, desencadeou uma alergia emocional e uma severa amigdalite. Ela comenta: “No meu último emprego formal de CLT, trabalhava em uma empresa que ajudava outras a formar líderes. Entretanto, seus próprios líderes eram chefes tóxicos e não líderes. Na época, o meu chefe controlava cada e-mail que eu enviava para os clientes, enviava mensagens com cobranças fora do horário de trabalho e limitava a minha forma de falar, inclusive”. Atualmente, como empreendedora, Miriã, reflete: “Mulher não é menos capaz que um homem para liderar, muito pelo contrário, infinitas pesquisas mostram o quanto mulheres tem mais sensibilidade e o quão dão conta de executar mais tarefas ao mesmo tempo. O que mulheres muitas vezes têm é o medo de denunciar, o preconceito que podem passar e, por isso, muitas vezes, recuam na hora em que devem resistir ao inaceitável. Não suportei mais e pedi demissão”, finaliza.

A Consultora de RH e Especialista em Recolocação Profissional, Ticyana Arnaud, confirma os relatos que ouvimos (todos os dias) e afirma: “O assédio é uma coisa comum, que acontece o tempo todo e sabemos disso, infelizmente. Mas ainda existe o medo que as mulheres sentem em denunciar quando existe esse tipo de situação, seja o seu chefe ou o colega de trabalho. Para que se possa conquistar mudanças é importante fazer uma denúncia contra o assédio e, sendo uma empresa com RH, o departamento deve acolher a funcionária e orientar que faça a denúncia e ainda deve trabalhar a conscientização interna da corporação. Já existem leis que amparam estas mulheres em situação de assédio, seja ele qual for – moral, sexual ou psicológico”, indica Ticyana. Sim, é preciso coragem, mas é preciso apoio e acolhimento para todas as mulheres que se sintam em situação de vulnerabilidade. E Ticyana se refere a LEI Nº 9.029, de 13 de abril de 1995,  onde o Artigo 1o diz: É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7o da Constituição Federal (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015).

Saindo do mercado profissional formal e corporativo, um outro olhar de Petra Sabino, que atua como membro do Conselho Municipal da Mulher de Chapecó, em Santa Catarina: “Percebo que na agricultura familiar as discussões estão avançando e as mulheres estão se organizando, se ajudando e se unindo para resolver suas questões pessoais. Estão olhando mais para si”, enfatiza. Imagina uma mulher, agricultora no interior do Brasil como líder de fala? Sim, é possível. Por isso se faz tão importante o agrupamento de associações de federações, como a que a Petra é membro, para que o pensamento possa começar pela autoestima, passar pela independência emocional, para conseguir entender que outras mulheres também estão na mesma situação. Já na área da agricultura familiar de grandes grupos, o patriarcado já se rendeu às suas filhas, como gestoras e administradoras dos negócios da família. Sendo esse um pequeno, mas representativo ganho. Já para aquelas mulheres que nascem sabendo e são à frente do seu tempo, que carregam bandeiras, a luta já começa a ser ganha, mas precisa de mais adesão e apoio, até mesmo dos homens que já descobriram que ser um parceiro será mais fácil para todos, já que daqui por diante não vamos recuar, voltar para as fábricas sem saber qual seria a carga horária, nunca mais.

Nesse quesito, muito se tem perdido na pandemia, quando o mercado corporativo ainda não se adaptou para as questões do home office versus a carga horária de suas funcionárias, principalmente as que possuem filhos pequenos ou em idade escolar. E se o gestor, o gerente ou o chefe for do gênero masculino… bem, assim começamos tudo outra vez, lá para o topo desta página.

https://mulheresjornalistas.com/mulheres-e-assedio-coragem-para-denunciar-e-apoio/direitos-humanos/direitos-da-mulher/

VINÍCIUS DE MORAES: SEU AMOR E OUtRAS BELEZAS – ESCRItO PARA O SItE MULHERES JORNALIStAS

Por Silvana Cardoso, jornalista Rio de Janeiro
Instituto Mulheres Jornalistas

Chefe de Reportagem: Juliana Monaco
Vinícius de Moraes: seu amor e outras belezas

Quem amou mais que Vinícius de Morais? Poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata, que nos deixou há 40 anos, em 1980, mas também nos deixou em sua diversa obra a certeza de que seus 66 anos foram para amar e viver intensamente. E sempre vale testemunhar o vasto amor em seu acervo, em verso e prosa, em músicas inesquecíveis, eternizadas em parcerias geniais. Um acervo para especialistas em literatura, amadores, apaixonados por música. Mas em tempos de amor enclausurado, a ideia deste texto é convidar para experimentar a possibilidade de amar sem medo, pois sofrer e sentir saudade e pedir para o ser amado voltar estão sempre presentes na obra amorosa de Vinícius. Que passa pelo amor efêmero, pela melancolia, pelo sensual, pela humildade, pelo perdão. E o compositor sabe pedir perdão para a amada, seu ser maior e, como ninguém, viveu a verdade da sua poesia, com nove casamentos, com mulheres inteligentes que lhe deram filhos, amor e nem sempre abaixaram a cabeça para os seus pedidos de desculpas.

Toda a cronologia, além de muitas histórias e muitos escritos, e toda uma vida cantada pelo mundo, está em dois endereços digitais que abrigam o acervo de Vinicius de Moraes: o site oficial que leva seu nome e o recém-lançado acervo Vinícius de Moraes, idealizado e produzido por sua neta Julia Moraes. Com o intuito de proteger manuscritos do desgaste do tempo, o arquivo apresenta não só os poemas, mas ensaios, peças de teatro, discursos, cartas trocadas em seu período de exílio e como diplomata. São mais de 11 mil documentos originais, 34 mil imagens, que foram distribuídos como Correspondências, Produção Intelectual e Documentos Diversos. Um projeto feito em família, já que o design e a coordenação técnica são do sobrinho-neto Marcus Moraes e a direção geral é da VM Cultural, pelas filhas Georgiana de Moraes e Maria Gurjão de Moraes. Vale também conferir a obra e biografia de Vinícius de Moraes em livros, documentários e em seus canais nas mídias digitais.

Mas na semana do Dia dos Namorados, fica a dica para conhecer também o jovem que, aos 20 anos, já havia publicado quatro livros de poemas e, só por isso, já vale contemplar a obra de um dos mais ilustres autores do nosso país. Mas para falar do que começou no modernismo de Mário de Andrade e invadiu Vinícius, a melhor tradução desse amor do amor, das formas do amor, do amor efêmero, humilde, da saudade e sensual, já que, em seus poemas e letras de música, o amor e a mulher amada sempre estavam em primeiro lugar, seja pela conquista, seja pela beleza do ser amado, mas a cada estrofe está lá aquele amor que não se mede para a hora do pedido de perdão. Ou mesmo o amor eterno amor, para sempre com Eu sei que vou te amar, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, que diz: Eu sei que vou te amar / Por toda a minha vida eu vou te amar / Em cada despedida eu vou te amar / Desesperadamente, eu sei que vou te amar / …; o amor que chega sem pedir autorização, quase não correspondido no poema Ternura, de 1938, que diz: Eu te peço perdão por te amar de repente / Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos / Das horas que passei à sombra dos teus gestos / Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos / Das noites que vivi acalentado / Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo.

Em Orfeu Negro, texto que estreou no teatro em 1956, mas que desde 1942 Vinícius perseguia a ideia de transpor o mito grego de Orfeu para uma favela carioca. Assim nasceu a tragédia carioca em três atos, história ambientada no Carnaval que apresenta um herói negro, Orfeu, e sua amada, Eurídice. Ganhou Oscar como filme estrangeiro em 1959, dirigido por Marcel Camus, numa coprodução Brasil-França-Itália, e nova versão de Cacá Diegues em 1999, com o nome de Orfeu do Carnaval. O amor proibido e repleto de conflitos de Orfeu e Euridice também marcou o início da parceria com Tom Jobim, que assinou as trilhas da montagem teatral e do filme de 1959. Mas o texto de Vinícius de Moraes apresenta o Carnaval, a favela, o negro no protagonismo, mas todo o contexto estava a serviço da sua poesia, do amor de dois jovens, como diz uma das falas do personagem principal: “São demais os perigos desta vida / Para quem tem paixão, principalmente / Quando uma lua surge de repente / E se deixa no céu, como esquecida. / E se ao luar que atua desvairado / Vem se unir uma música qualquer / Aí então é preciso ter cuidado / Porque deve andar perto uma mulher. / Deve andar perto uma mulher que é feita / De música, luar e sentimento / E que a vida não quer, de tão perfeita. / Uma mulher que é como a própria Lua: / Tão linda que só espalha sofrimento / Tão cheia de pudor que vive nua.”

Como não amar Vinícius de Moraes, como deixar de falar de obra tão fenomenalmente representada pelo amor e amizade entre o poeta e seus pares, pelo amor pelas mulheres, que dedicou muito da sua obra. Como Gilda, sua última mulher, 40 anos mais jovem, sua única viúva, como ele mesmo dizia que ela seria, que após um pedido de autógrafo em Niterói, no Rio de Janeiro, a jovem fã estudante de Letras encontrou o poeta novamente em Paris, uma década depois, e se tornou sua mulher pelos dois últimos anos de vida de Vinícius de Moraes. E assim, Gilda Queiroz Mattoso deu ao Poetinha a leveza de jovem a um homem apaixonado, pelas mulheres e pela vida.

Para embalar o desejo de estar apaixonado, ficamos com o célebre Soneto da Fidelidade, que foi musicada por Tom Jobim e ganhou, e ainda ganha, estudos literários. Quem não amaria ter coragem de amar assim?

Viva Vinícius!! Viva o amor!

Soneto da Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

http://www.viniciusdemoraes.com.br
Acervo Vinícius de Moraes 
Foto, direitos reservados, VM Cultural.

FRIENDS: AMIGOS PARA SEMPRE!

Texto novo escrito para o Mulheres Jornalistas. Publicado hoje 6/6/21. Passa lá e conheça o MJ: https://mulheresjornalistas.com/friends-amigos-para-sempre/cultura/
Foto divulgação: HBO MAX

Como viver uma vida inteira sem aquele amigo que dividiu com você as melhores histórias da sua vida? Quem sabe os piores também, mas estes sempre rendem as melhores risadas tempos depois dos acontecimentos. Sejam eles vexames impublicáveis ou não, são os amigos que vão somar nos momentos mais importantes das nossas vidas. E quantas vezes ficamos longe por anos de uma pessoa muito importante em um determinado período da nossa vida e, de repente, um hiato se faz pelas circunstâncias de cada um? Mas um belo dia, acontece algo e o telefone toca, um esbarrão na rua ou mesmo um convite de casamento ou aniversário e estará lá aquela amizade sendo reescrita como se o tempo não houvesse passado.

Pensando exatamente nisso, como não imaginar o reencontro de alguns amigos que por anos dividiram suas vidas com o mundo? Sim, os amigos da aclamada série americana Friends estão de volta para euforia e desespero de seus fãs brasileiros. A euforia: pelo reencontro de Rachel Green (Jennifer Aniston), Monica Gelle (Courteney Cox), Phoebe Bulfay (Lisa Kudrow), Joey Tribbiani (Matt Leblanc), Chandler Bing (Matthew Perry) e Ross eller (David Schwimmer), que aconteceu em episódio único, exibido nos EUA no dia 27 de maio, pela HBO Max. O desespero: pelo motivo do episódio Friends: The Reunion só chegar por aqui no dia 29 de junho. Enquanto aguardamos este hiato de um mês, fica a torcida para que a pirataria não ganhe força.

Mas como seis amigos conquistaram o planeta em um momento em que nem pensávamos com muita certeza na capacidade do mundo globalizado, em 1994, quando a série estreou? Com dez temporadas, 236 episódios, muitos prêmios e considerada pela publicação americana TV Guide como uma das melhores produções da TV de todos os tempos, numa lista com apenas cinquenta nomes, parece uma boa fórmula para Friends, criada por David Crane e Marta Kauffman. Tamanha fama levou o elenco ao patamar de 1 milhão por episódio, fato que gerou rumores sobre os motivos para o fim da série, em 2004. Mas celebrar 25 anos de amizade vale mais um encontro, certo? Sim. E quando isso acontece 17 anos depois, mais ainda são as expectativas dos fãs originais, assim como aqueles que foram conquistados com a chegada da série nas plataformas de streaming, como a jovem Prêmio Nobel da Paz, a sempre corajosa menina Malala Yousafzai, fã declarada dos amigos que até participa de um quiz no episódio especial – Malala e outras celebridades foram convidadas para o jogo de perguntas disputado pelos amigos, numa lembrança do que aconteceu na quarta temporada.

É claro que os jovens fãs de Friends entendem que os atores da série não eram celebridades há 25 anos, quando começou a ser exibida. Mas não é difícil imaginar o que aconteceu com a carreira e, consequentemente, com a vida desses atores e atrizes ao sair de um cachê de 22.500 dólares americanos por episódio, na primeira temporada, para o cachê de 1 milhão de dólares americanos por episódio, na décima temporada. E basta digitar o nome de cada um deles e estão lá os aplausos, mas estão lá também as derrotas, como casamentos desfeitos e dependência de drogas. Mas como são amigos de uma das mais aclamadas séries que reuniu os conflitos da vida de jovens entre 20 e 30 anos, moradores de Nova York, podemos também dizer que, após 236 episódios em dez anos de convivência, sim, são todos amigos. Mas parece que esta amizade se fortaleceu mesmo quando se uniram e juntos decidiram, em uma negociação coletiva, que desejavam que seus cachês fossem iguais, a partir da terceira temporada.

Desde a primeira temporada, ficou evidente que o roteiro pretendia dar o mesmo peso aos seis personagens de Friends. E como todo bom programa de TV que ganha longevidade, seus atores também começaram a ganhar torcidas pelos desfechos dos conflitos de seus personagens. Mas será que após 17 anos de distância daquele 6 de maio de 2004, seria possível fazer um reencontro capaz de revirar as vidas já meio que organizadas no desfecho do último episódio da décima temporada? Para uma das séries de maior sucesso da HBO, Sex and the City, com prêmios e mais prêmios, seis temporadas e seu fim também chegou em 2004, dois longas-metragens resolveram a ausência sentida pelos fãs das quatro amigas, entre 30 e 40 anos de idade, que também moravam em Nova York e, além de dividirem questões amorosas, os conflitos giravam em torno dos dilemas da vida da mulher moderna. Mas os criadores de Friends perguntaram aos atores sobre a hipótese de um filme ou mesmo um episódio com novos conflitos para as personagens, já que os fãs especulavam tais possibilidades.

Nas entrevistas do elenco, concedidas para promover a estreia do episódio especial, fica claro que esta possibilidade foi deixada de lado e a explicação dos seus criadores é mais que coerente, quando falam que Monica, Phoebe, Rachel, Chandler, Joey e Ross terminaram o programa muito bem, a vida de todos é muito boa, e eles (seus criadores) teriam que criar mais histórias e bagunçar o final feliz com todas essas coisas legais que deixaram na vida dos personagens. E parece que foi uma sábia decisão transformar o tempo de 1h39 de Friends: The Reunion em um reencontro de seis grandes amigos que não se viam há algum tempo, que relembram histórias das dez temporadas, que trocam confidências, uma partilha com os fãs no grande teatro, como nos episódios. Pelas críticas nesses poucos dias após a exibição do episódio, já podemos contar os dias para a chegada de Friends: The Reunion por aqui, no dia 29 de junho.

Para dar conta de esperar, confira o trailer oficial da reunião.

MATÉRIA PARA O COLETIVO MULHERES JORNALISTAS | Um RH mais humanizado pode ser um legado da Pandemia?

https://mulheresjornalistas.com/?p=2391
Por: Silvana Cardoso do Espirito Santo
Uma mulher consegue uma entrevista de emprego mas, na data, seu pequeno filho de dois anos amanhece com muita febre. É possível imaginar que esta mãe ligará para o RH da empresa para avisar que está impossibilitada de comparecer e pede uma nova oportunidade ou ela pede para alguém da família ajudar ou desiste da entrevista e leva a criança ao médico? 

Com o mercado de trabalho em revolução neste ano de 2020, mesmo que a pergunta acima esbarre na jornada profissional da mulher em home office, a resposta passa pela culpa de uma mãe priorizar o trabalho, passa pela angústia de não poder falar a verdade sobre o filho com febre. Aliás, ainda no Brasil atual, quando as mulheres começam a conquistar espaço de voz por igualdade, mesmo agora, é possível imaginar um pai nesta situação? 

Para nos ajudar a entender melhor estas e outras questões do mercado de trabalho para as mulheres em 2021, vamos conversar um pouco com Ticyana Arnaud, a Consultora de RH e Especialista em Recolocação Profissional que vem espalhando sua voz para promover um RH mais humanizado. – linkedin.com/in/tarnaud . E por acreditar neste novo olhar para quem busca um espaço no mercado de trabalho, com a experiência de duas décadas como gestora de pessoas em RH de empresas privadas, Ticyana pediu demissão no início deste ano com o sonho da sua independência em home office, quando chegou a pandemia. 

MJ: Ticyana, como está a sua jornada independente? E o que você pode compartilhar com mulheres e mães, agora com jornada integral.

Ticyana Arnaud: Comecei a empreender em março deste ano, uma semana antes de fechar tudo aqui no Rio de Janeiro. Foi um desafio lidar com a casa cheia, com marido e três filhos em casa. Demorei um tempo para conseguir administrar o caos. Aumentamos a velocidade da internet, organizamos os horários de estudos, tarefas da casa e lazer. Deixo um bilhete na porta quando estou em atendimento, assim ninguém pode entrar, mas algumas vezes eles ignoram, mas dou um desconto.

MJ: Você pode nos ajudar a responder a questão que abre este texto – a mãe com o bebê com febre no dia da entrevista? 

Ticyana Arnaud: Entrar em contato com o RH para remarcar e explicar a situação. É possível encontrar um RH acolhedor. É uma situação comum, já aconteceu de uma candidata ficar muito preocupada caso fosse aprovada, pois tinha um exame marcado no SUS há seis meses. Eu tranquilizei e disse que era para ficar despreocupada, que ela não seria eliminada do processo. E foi contratada.

MJ: Neste novo tempo das relações profissionais, com mulheres administrando suas carreiras em home office, como você observa esta relação com o empregador?

Ticyana Arnaud: Compreensão e transparência nas relações. Estas questões passam por jornada  de trabalho, que vem gerando grandes debates com a chegada da pandemia. Se antes essa profissional se ausentava da empresa quando o filho ficava doente, hoje esses problemas já não chegam na empresa, pois não existe a falta ou atrasos. A mãe e o filho estão no mesmo ambiente.

Algumas dicas para as mães:

  1. Ajuste as expectativas e entregas à sua realidade, pois seu trabalho vai render de acordo com a dinâmica da casa. Se o seu filho dorme na parte da tarde, deixe para realizar as atividades mais complexas nesse horário;
  2. Se precisar finalizar um trabalho, tenha em sua mesa home office alguns materiais para distrair seu filho, como papéis e canetas. Convide seu pequeno para trabalhar com a mamãe;
  3. Peça ajuda, você não precisa vestir a capa da mulher-maravilha e tentar dar conta de tudo sozinha e tenha por perto pessoas que você pode contar. E por mais difícil que possa parecer, livre-se da culpa.

MJ: Quais conflitos você tem percebido nestas relações de home office?

Ticyana Arnaud: Alguns gestores estão ultrapassando o limite e enviando mensagens em grupos de WhatsApp depois do expediente e nos finais de semana. A demanda de trabalho está sendo cobrada por todos os canais. E isso está gerando uma sobrecarga no profissional.

MJ: Cobrança para a reinvenção passa por todas as camadas e hierarquias profissionais. Qual a sua sugestão para os gestores?

Ticyana Arnaud: É imprescindível que as empresas tenham cautela e respeitem a jornada de trabalho. Ajustar as expectativas.

MJ: Você possui quase 200 mil seguidores no Linkedin e vem se consolidando como uma mentora para profissionais que buscam recolocação no mercado de trabalho. Com a chegada de 2021, a pandemia ainda desafiando a economia e as relações profissionais, uma dica para as mulheres que buscam se firmar e ter reconhecimento no mercado de trabalho – com filhos, família, home office e tudo que ajuda e atrapalha até chegar a almejada conquista de uma carreira de sucesso.

Ticyana Arnaud: Tenha um plano de carreira. Escreva todos os seus objetivos a curto e a médio prazo. Crie metas para alcançar estes objetivos. Exempl
Objetivo: Ser  promovida a Gestora da minha área;
Meta: Cursar uma pós graduação em Gestão de Pessoas;
Prazo para conclusão da meta: X meses.

O LinkedIn é uma vitrine, onde todo profissional deve sempre atualizar a rede de netwoking e se posicionar como profissional da sua área. Mesmo se não estiver buscando recolocação é importante estar atento ao que está acontecendo no mercado de trabalho, como os outros profissionais da sua área estão se capacitando e quais as tendências. Além disso, importante manter o perfil sempre atualizado e criar conteúdo para publicar. Estas ações podem favorecer o surgimento de oportunidades incríveis, como convite para entrevista de emprego ou até mesmo oportunidades de negócios.

MJ: Um RH mais humanizado está mais próximo em 2021, em um novo ano que já chega fragilizado com a pandemia? 

Ticyana Arnaud: É o que desejo. Profissionais que acolham e tenham mais empatia. Não podemos jamais esquecer que sempre serão pessoas lidando com outras pessoas e sem elas a empresa não obtém resultados. Esse olhar mais atento faz toda a diferença, as empresas estão se adaptando a essa nova modalidade de trabalho, e os profissionais também. A atenção está dividida e é preciso observar como a funcionária está lidando com essa nova rotina. Conversar com cada uma, entender qual a sua realidade faz toda a diferença. Imagina uma mulher que tem um bebê em casa e não tem rede de apoio? A creche está fechada, ela trabalha e cuida do bebê. É exaustivo e certamente a atenção estará dividida.

Para 2021, o tema que está ganhando a pauta dos gestores e líderes é a preocupação com as novas formas de trabalho, que mesmo com todo o aprendizado de 2020, os desafios ainda são muitos, quando falamos na gestão de pessoas em home office. E a gestão remota é a principal questão dos entrevistados da pesquisa “Os principais desafios de liderança para 2021 (https://abrhsp.org.br/conteudo/noticias/gestao-remota-um-dos-principais-desafios-para-2021/), publicada em artigo pela ABRH SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo).

Pensar em relações profissionais mais humanizadas por gestores e líderes também passa por ajustar expectativas, ter mais confiança e mais humanidade com as equipes.  Pontos que podem ser um dos legados, do bem, deixados pela pandemia do Covid-19.

Ainda não temos todas as resposta, mas já entendemos que olhar e perceber o outro com mais empatia e gentileza é tão importante quanto o exercício de olhar para nós mesmos.  Para isso, podemos usar a sugestão da Ticyana Arnaud, que sempre diz aos seus orientandos: “Seja a história que você gostaria de contar.”

MATéria produzida para o coletivo mulhetes jornalistas

PROGRAMA ORQUESTRA NAS ESCOLAS DEVERIA ESTAR ESPALHADO POR TODO O PAÍS
http://mulheresjornalistas.com/?p=2295

Conhecer Moana Martins é acreditar que tem muito mais pessoas fazendo o bem que podemos imaginar. E esse “muito mais” já soma milhares de jovens, crianças e professores, impactados com o Programa Orquestra nas Escolas (https://www.youtube.com/orquestranasescolas), projeto do Instituto Brasileiro de Música e Educação, que a professora coordena junto à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. E assim como estes jovens, a pianista que também tem formação em Etnomusicologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é do interior da Bahia e conheceu a música ainda menina, numa escola pública. Sua escolha por se tornar uma musicista mudou o rumo da sua história. Mas Moana abriu mão de uma carreira de artista, com uma possível carreira internacional, para se dedicar a “transformar vidas e famílias através da música e da educação”, como costuma dizer. 

Filha e de uma família simples, Moana relembra sua vida de menina. “Eu e a minha irmã Morgiana somos muito amigas e parceiras. Na infância e adolescência nos criamos mutuamente. Meu pai saía para o trabalho e nós cuidávamos da casa, íamos juntas para a escola e cuidávamos uma da outra. Tenho a alegria de ter sido sua primeira professora de piano e, quando, no interior da Bahia, constituí minha primeira escola de música, ela era a melhor professora de piano da instituição, aquela que fazia os alunos se apaixonarem pela música.”

Determinada, a baiana do “Maior Povoado do Mundo”, slogan do município de Eunápolis, povoado criado a partir da finalização da construção do ramal de acesso da rodovia que ligaria Porto Seguro a atual BR-101. Mas aquele povoado, assim como a pianista, desejava crescer e foi emancipado em 1988, dois anos antes da estudiosa Moana se radicar no Rio de Janeiro, onde cursou seu bacharelado em Piano pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-RJ). E foi no Rio de Janeiro que a pianista concretizou projetos como o Orquestra nas Escolas, que tem Concerto de Natal no dia 15 de dezembro, transmitido ao vivo direto da Cidade das Artes, às 19 horas, pelo canal do programa www.youtube.com/orquestranasescolas. “O Programa Orquestra nas Escolas traz consigo a tecnologia educacional do Som+Eu, o primeiro projeto que iniciamos aqui no Rio de Janeiro, no Morro da Providência. Hoje é um grande mosaico, porque tem sido forjado e aperfeiçoado por instrumentalidade de muitas mãos, inclusive professores, gerentes de  educação e servidores da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.”, declara Moana.

Desde 2017 o projeto viabiliza o conhecimento, o estudo e a formação de jovens como músicos de Orquestra, inclusive o Programa promove também a ajuda financeira para a aquisição do instrumento musical do estudante. Programa ousado para um município com tantas diferenças como o Rio de Janeiro, mas após apenas três anos, já possui dezessete orquestras, que assinam com o nome de Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca, a OSJC, que tem a grandiosa Cidade das Artes como sua “casa” de ensaios. É de lá que estão sendo transmitidos alguns concertos, a partir dos estudos à distância, durante o período do isolamento social, como o que homenageou Tom Jobim, em setembro, a ópera O Morro Canta Canudos, em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra e o Concerto de Natal, Só Risos. Apresentação da OSJC que acontece no dia 15 de dezembro com o Unicirco Marcos Frota.

“Desde o início da pandemia nós tínhamos essa certeza no coração: não podemos de maneira alguma calar, deixar calar a música dos meninos e meninas. Precisamos reinventar nossa maneira de vivenciar essas atividades e continuar oferecendo aos alunos as condições de aprendizagem. A gente foi encontrando  junto com as crianças e os professores a forma, o tempo, como manter a chama acesa até que isso tudo acabasse. Íamos fazendo o planejamento mensal das atividades. No dia 16 de março foi o primeiro dia de atividades remotas e de lá para cá não paramos um só dia.

Posso dizer que tivemos um crescimento exponencial em números de participantes, nas ações de divulgação do projeto, no crescimento musical dos meninos. Está na fala dos próprios jovens músicos e de suas famílias: o vínculo foi mantido e hoje somos um coletivo ainda mais unido e fortalecido.”, reflete Moana, como a Coordenadora do Programa Orquestra nas Escolas.

Com a ideia central de promover a experiência do conviver, do conhecer e de reconhecer suas potencialidades, o Programa busca preparar estes jovens para viver em sociedade como cidadãos autônomos, críticos e solidários. Assim a pianista busca mergulhar os estudos desses jovens em repertórios de artistas como Moraes Moreira e do maestro Tom Jobim, este último em parceria com o Instituto Antonio Carlos Jobim.

“O projeto Tom nas Escolas foi um presente maravilhoso, que teve como inspiração o nosso grande arquiteto dos sons, nosso maestro brasileiro. As músicas do Tom Jobim, recheadas de tão grande riqueza poética, foram recebidas pelos meninos e meninas com muito entusiasmo e rememoradas  pelas famílias com um tom de saudade e de memórias.

Recebi centenas de depoimentos incríveis, mas gostaria de compartilhar apenas um, que ouvi de Josué, um dos violistas da OSJC. Ele disse: como eu pude viver até hoje sem ouvir essas músicas? Não consigo desapegar, quando mais eu ouço, mas eu viajo, são tantos os pensamentos…”, reflete Moana, que completa. “Na espera do ensaio, eu e Josué passamos uns 30 minutos conversando. A gente compartilhou as paisagens que vinham à nossa cabeça a partir das músicas do Tom Jobim.  E sobre os shows com as divas Maria Luiza Jobim e a Leila Pinheiro foram momentos inesquecíveis para mim também, principalmente porque as músicas do Tom são a trilha sonora da minha vida.  Tenho uma grande alegria na minha vida e me realizei mais uma vez nos concertos do Tom nas Escolas, nossas orquestras estavam lindas. Ver os meninos e meninas apresentando a Educação Pública para o mundo, na sua perspectiva plena, me faz devanear.“

Mas todos os braços que trabalham para unir música e educação não são suficientes para manter o tamanho do sonho de Moana, em espalhar orquestras   e transformar vidas. A partir deste entendimento a intensa busca por patrocínio, para viabilizar a parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Foi assim que uma empresa se uniu ao projeto, como conta a pianista. “A Uber acreditou na capacidade de transformação e desenvolvimento social potencializado pela  OSJC e o Programa Orquestra nas Escolas, quando ainda não estávamos deste tamanho e neste nível de desenvolvimento. Em 2019 a empresa nos ofereceu a infraestrutura necessária para potencializar o desenvolvimento das crianças e jovens. Hoje nós somos o maior programa de Música e Educação do Brasil, em número de beneficiários e ações sócio-educacionais. Temos  muita gratidão ao patrocínio desta empresa e acreditamos que ainda há muito para fazer juntos pelas crianças e jovens do Rio de Janeiro, estendido às suas famílias e suas comunidades.”, reflete Moana.

Domingo, 29 de novembro, dez e vinte da manhã. Dia e horário que recebi pelo telefone o retorno para as perguntas desta matéria, encaminhadas na véspera para a pianista. A resposta dizia: “Vim à São Paulo buscar uns instrumentos para as violinistas do Lins*, são pequenininhas e os instrumentos que temos estão inadequados pra elas. Volto amanhã cedo, logo que a loja abrir. Respondo tudo à noite.” Sim, esta é Moana Martins cuidando dos seus meninos e meninas do Programa Orquestra nas Escolas. Viva ela!!

 *Lins de Vasconcelos é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde  alunos de uma escola do município participa do Programa Orquestra nas Escolas.

MULHERES JORNALISTAS NO ENCONTRO COM A ESCRITA AFETUOSA DE ANA HOLANDA, 6AF, 23/10, às 20h

Vamos dar luz ao positivo, para as boas notícias, para as pessoas que fazem a diferença na sua área de atuação? Notícia ruim sempre haverá, mas sempre teremos boas noticias para compartilhar e o melhor a fazer em tempos de desordem é dar luz para estas boas notícias. Vamos  dar voz a estas mulheres que fazem da sua vida algo que ajuda e acolhe o outro, seja com a medicina, com uma reportagem de denúncia, uma professora que incentiva a escrita ou a música. E escrever com afeto, onde as palavras acolhem quem está lendo é a busca da querida jornalista, escritora e professora, Ana Holanda, que conversa comigo nesta 6af, 23 de outubro, às 20h, a convite do necessário Coletivo Mulheres Jornalistas @mulheresjornalistasoficial. Apenas 30 minutos de boa conversa sobre como a escrita nos acolhe em todos os momentos das nossas vidas, seja no pessoal ou no profissional. E nunca se escreveu tanto, mas se for amorosamente e com afeto, melhor. Espero vocês! @anaholandaoficial @jornalista_leticiafagundes