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Música, trabalho e paciência | Bourbon Festival Paraty 10 anos

“Ainda não sabemos como vamos voltar, se teremos combustível, mas estamos adorando estar aqui mesmo assim”, ouvi a moça falar para a amiga no gramado repleto do Palco Santa Rita – com famílias com suas crianças, jovens, casais e amigos de todas as idades, cachorros. É a programação que acontece durante a tarde, no palco que fica à frente da Igreja de Santa Rita, na décima edição do Bourbon Festival Paraty, que acontece no meio desse caos no Brasil. Nem tudo foi só alegrias e a tensão invadiu com a possibilidade de não ter equipamentos de som para a montagem, mas tudo foi se resolvendo, a turma ficou de vigília, a estrutura de camarim ficou meio de improviso, mas em cada ruela, em cada muro que se transforma em fundo de palco aconchegante, lá está ela: a música.
Enquanto o Brasil está lutando por dias melhores, nós estamos aqui fazendo cultura pelo país, em Paraty, assim como em outros festivais que estão acontecendo neste momento, como em Curitiba, como o BB Seguros de Blues e Jazz.
Parece que estamos numa bolha, mas não, apenas estamos fazendo a nossa parte para que algo bom não seja diminuído diante da urgência da causa dos caminhoneiros, da causa de dias melhores para todos nós. Estamos fazendo festivas e música por todos eles e por todos nós também, já que a cultura é a identidade de um povo e não pode ser calada.
Hoje, mesmo com as atenções nos noticiários, tivemos uma tarde de celebração e paz e já já o Palco Matriz (montado na praça da Igreja da Matriz) recebe o show do nosso querido Cesar Camargo Mariano com a jovem Madison McFerrin. A noite fecha com a belezura da revelação Blackalbino, que nos brinda com Tony Tornado, o aniversariante da noite, que comemora no palco os seus bem vividos 88 anos.
Como tudo neste país, da muito trabalho, tem que ter muita paciência, mas quando olhamos em volta é um prazer ter a coragem de não desistir e ver que a música está por toda parte, por dentro de todos nós.

Foto Pedro Guida
Rio de Janeiro, 26 de maio de 2018.

Bourbon Festival Paraty 9ª Edição | Junho 2017

Passo por aqui para dizer que vamos realizar a 9ª edição do Bourbon Festival Paraty, que começa amanhã, sexta-feira, dia 9 de junho. Até domingo (11/06), muita música pelas ruas e na praça da Matriz, na charmosa cidade histórica de Paraty. E lá vamos nós dormir pouco, trabalhar bastante e voltar na segunda-feira com a certeza de que fizemos um lindo Festival. Muita honra por fazer parte dessa gente doida que atende pelo nome de Bourbon Street. Já que manter a cultura viva é o nosso maior ato de resistência.

 

Foto: Silvana Cardoso | Centro Histórico Paraty, RJ, 2016

Clipping: https://drive.google.com/open?id=0Byou4MpvKtcTY1JjU24wV2dvdjg

 

A Programação:
::: PALCO MATRIZ :::
Sexta-feira, 09/06
21h: Wallace Roney Quintet (USA)
22h30: Marcinho Eiras “One Man band”
24h: DJ Crizz (Brasil)
Sábado, 10/06
21h: Léo Gandelman
22h30: Joe Louis Walker (USA)
24h: André Frateschi & Miranda Kassin
1h: DJ Crizz (Brasil)
Domingo, 11/06
21h: Hammond Grooves
22h30: Grégoire Maret (SUIÇA) com Thiago Espírito Santo Trio
00h: “3×1” com Mestrinho, Pipoquinha e Alex Buck
1h: DJ Crizz (Brasil)
::: BUSKER Rosário
Sexta-feira 09/06 | 18h: Bárbara Silva
Sábado 10/06 | 15h: Bárbara Silva | 17h: Vasco Faé
Domingo 11/06 | 15h: Jefferson Gonçalves & Kléber Dias | 17h: Bárbara SIlva
::: BUSKER Sta Rita
Sábado 10/06 | 15h: Vasco Faé | 18h: Jefferson Gonçalves & Kléber Dias
Domingo 11/06 | 15h: Bárbara Silva | 18h: Vasco Faé
::: BUSKER Quadra Matriz
Sábado 10/06 | 16h: Jefferson Gonçalves & Kléber Dias | 18h: Bárbara Silva
Domingo 11/06 | 16h: Vasco Faé | 18h: Jefferson Gonçalves & Kléber Dias
::: ORLEANS STREET BAND: todos os dias pelas ruas do Centro Histórico

Bourbon Street Music Club | Festival de Paraty

Conheci a família Bourbon Street no Metropolitan, em 1996, quando fiz shows memoráveis, como do lendário BB King. De lá para cá, fizemos algumas parcerias de sucesso e, em 2014, iniciamos uma nova etapa, onde atuo como assessora do Bourbon no Rio de Janeiro, onde realizo a assessoria de um dos mais importantes festivais de jazz do Brasil, o Bourbon Festival Paraty que, em 2017, chega a sua 9a edição. Também atuei em edições dos festivais Bourbon Fest In Rio e no Mangaratiba Jazz & Blues Festival. Muitos shows também foram realizados pela casa de jazz paulistana neste período, onde posso destacar: Allen Toussaint, a cantora americana Sharon Jones (foto) e a francesa ZAZ.

Clipping: https://drive.google.com/open?id=0Byou4MpvKtcTbFpzLTJaOTdNVnc

Família Bourbon, publicado em: http://entretenimento.r7.com/blogs/bia-willcox/familia-bourbon-e-um-jovem-festival-em-ilhabela-20160624/

Família Bourbon e um jovem festival em Ilhabela | Artigo no R7

Pense no que você faria se após uma viagem resolvesse trazer a cidade visitada para o seu pais. Pois é, uma família brasileira não só pensou mas resolveu trazer, de verdade, New Orleans para São Paulo. E assim, portando cartas de apoio das autoridades oficiais locais e após quatro anos de obras, há exatos 23 anos, nascia o Bourbon Street Club no bairro de Moema, casa de shows e restaurante com a cozinha típica da cidade americana e que foi inaugurada por ninguém menos que BB King.

Essa história me chegou aos ouvidos em 1996, quando conheci Edgard Radesca, o viajante do sonho, que trazia para o show da lenda BB King para o Metropolitan, que na época era a maior casa de espetáculos da América Latina – e que tinha uma equipe que era uma outra família, animada e divertida, mas essa é uma outra história. Voltando ao BB King, como eu fazia a comunicação da casa, segurei a responsabilidade de divulgar o show no Rio de Janeiro. A partir daí, minha parceria profissional e amizade com o Radesca me fizeram entrar na família Bourbon.

A família mais jazzística do país é ligada no 220 e queria que aquela beleza de música, surgida a partir do blues no início do século XX pelos trabalhadores negros norte-americanos, chegasse para todos gratuitamente. Assim, há 13 anos nasceu o primeiro Bourbon Street Festival, por onde já passaram nomes de peso do jazz mundial para shows gratuitos em São Paulo e em diversos outros festivais realizados em cidades como Paraty e Ilhabela.

Mês passado, no Bourbon Festival Paraty, enquanto eu e minha amiga-parceira Maria Inês, assessora da casa em São Paulo, corríamos de um lado para o outro se equilibrando nas ruas pé de moleque da cidade histórica, pensava o quanto de trabalho e alegria cabe nos festivais organizados pelo Bourbon. O quanto de raça, coragem e disposição se faz um festival de música, completamente gratuito, com atrações nacionais e internacionais espalhadas por suas ruas e praças, como na oitava edição do festival em Paraty e na segunda edição de Ilhabela.

Por muitas vezes queremos arrancar os cabelos pela necessidade de ter mais umas vinte pessoas trabalhando, mas tudo se resolve com a fórmula que impera nos trabalhos da equipe: sorriso, boa vontade e um “você pode esperar um pouquinho?”. Principalmente para a assessoria, que pede de tudo, desde a distância que o artista está para chegar a tempo da entrevista, até mesmo ter coragem de solicitar que o Radesca fale para a TV, em link ao vivo, na hora exata da cerimônia de abertura do festival.

Sei que não será diferente no festival Bourbon Folk e Blues Ilhabela, que chega à sua segunda edição neste final de semana, de 24 a 26 de junho. Sei também que o corre-corre será grande; que não vai faltar um cachorro de rua como mascote atrás do palco, misturado conosco e com os artistas; que vai ser difícil acompanhar o Herbert na função de MC, voando para anunciar atrações de um palco para o outro; que o Beto será visto de relâmpago em vários lugares ao mesmo tempo; que os rapazes da montagem e os roadies serão sempre esperados para as comemorações do final de cada noite; que a barriga da Amanda estará maior e que o bebê Felipe chegará em breve; que Inez sempre dará um jeito de resolver o nosso pedido de última hora; que Mafê estará de prancheta na mão esperando o momento que vamos liberar o artista que acabou o show; que devemos sair da frente do Pedro Garrido correndo no meio da rua entre um show e outro; que Regina estará alerta, positivo e operante na função de alimentar todos e distribuir as tão aguardadas camisetas; que Otto vai nos dar aquele suporte para os assuntos tecnológicos; que Murilo – o homem de confiança da grife Bourbon – estará recebendo a imprensa, os convidados e todos nós ao mesmo tempo, sem perder a elegância e a gentileza; que Radesca estará fotografando todos os shows, conversando e contando histórias nos intervalos.

Sei bem que no jovem festival de Ilhabela, além das atrações espalhadas pela ilha, terá a nossa Orleans Street Jazz Band juntando gente pelo meio da rua com sua música e alegria, sei que vamos fazer uma vaquinha para a bebida da festa que adentrará pela madrugada no último dia – regada a muita dança, abraços e fotos –, todos embalados ao som do DJ Crizz, que fecha o palco e continua na função de manter o festival vivo dentro de todos nós. E, nessa hora, penso que a vida poderia congelar neste momento de amor a arte.

Silvana Cardoso,
Assessora de imprensa do grupo Bourbon Street no Rio de Janeiro.
RJ, 20 de junho, 2016

Publicado em: http://entretenimento.r7.com/blogs/bia-willcox/familia-bourbon-e-um-jovem-festival-em-ilhabela-20160624/