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MANTER O RITMO

Ritmo (no Wikipédia): do grego rhythmós – movimento regular. Designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado. O ritmo está inserido em tudo na nossa existência.

E foi quando a pandemia quebrou o ritmo da nossa existência que o movimento de mudança gerou uma nova rede de apoio e oportunidades. Sim, com muitas perdas aqui e no mundo, mas na busca por reinventar a roda todos os dias.

Mas, por aqui, o ano começou com alguns imprevistos cotidianos que embaralharam a minha rotina. Gosto do meu dia organizado e confesso que precisei me encontrar.

Costumo dizer que o movimento faz movimentar, faz girar as energias do universo, seja para conquistar um novo projeto, ou emprego, ou colocar em prática as resoluções de ano novo (até aquelas dos anos anteriores). O que vale é conseguir começar ou recomeçar.

Por aqui, hoje o exercício foi achar a palavra que traduzisse meu desconforto. E achei: ritmo. Então, mesmo que demore uns dias, encontre o seu ritmo regular para se manter em movimento, para não perder o curso da existência, do seu foco.

Carinhosamente,
Silvana


#passarimcomunicação

#minhavoz

#vamosjuntas

MATÉRIA PARA O COLETIVO MULHERES JORNALISTAS | Um RH mais humanizado pode ser um legado da Pandemia?

https://mulheresjornalistas.com/?p=2391
Por: Silvana Cardoso do Espirito Santo
Uma mulher consegue uma entrevista de emprego mas, na data, seu pequeno filho de dois anos amanhece com muita febre. É possível imaginar que esta mãe ligará para o RH da empresa para avisar que está impossibilitada de comparecer e pede uma nova oportunidade ou ela pede para alguém da família ajudar ou desiste da entrevista e leva a criança ao médico? 

Com o mercado de trabalho em revolução neste ano de 2020, mesmo que a pergunta acima esbarre na jornada profissional da mulher em home office, a resposta passa pela culpa de uma mãe priorizar o trabalho, passa pela angústia de não poder falar a verdade sobre o filho com febre. Aliás, ainda no Brasil atual, quando as mulheres começam a conquistar espaço de voz por igualdade, mesmo agora, é possível imaginar um pai nesta situação? 

Para nos ajudar a entender melhor estas e outras questões do mercado de trabalho para as mulheres em 2021, vamos conversar um pouco com Ticyana Arnaud, a Consultora de RH e Especialista em Recolocação Profissional que vem espalhando sua voz para promover um RH mais humanizado. – linkedin.com/in/tarnaud . E por acreditar neste novo olhar para quem busca um espaço no mercado de trabalho, com a experiência de duas décadas como gestora de pessoas em RH de empresas privadas, Ticyana pediu demissão no início deste ano com o sonho da sua independência em home office, quando chegou a pandemia. 

MJ: Ticyana, como está a sua jornada independente? E o que você pode compartilhar com mulheres e mães, agora com jornada integral.

Ticyana Arnaud: Comecei a empreender em março deste ano, uma semana antes de fechar tudo aqui no Rio de Janeiro. Foi um desafio lidar com a casa cheia, com marido e três filhos em casa. Demorei um tempo para conseguir administrar o caos. Aumentamos a velocidade da internet, organizamos os horários de estudos, tarefas da casa e lazer. Deixo um bilhete na porta quando estou em atendimento, assim ninguém pode entrar, mas algumas vezes eles ignoram, mas dou um desconto.

MJ: Você pode nos ajudar a responder a questão que abre este texto – a mãe com o bebê com febre no dia da entrevista? 

Ticyana Arnaud: Entrar em contato com o RH para remarcar e explicar a situação. É possível encontrar um RH acolhedor. É uma situação comum, já aconteceu de uma candidata ficar muito preocupada caso fosse aprovada, pois tinha um exame marcado no SUS há seis meses. Eu tranquilizei e disse que era para ficar despreocupada, que ela não seria eliminada do processo. E foi contratada.

MJ: Neste novo tempo das relações profissionais, com mulheres administrando suas carreiras em home office, como você observa esta relação com o empregador?

Ticyana Arnaud: Compreensão e transparência nas relações. Estas questões passam por jornada  de trabalho, que vem gerando grandes debates com a chegada da pandemia. Se antes essa profissional se ausentava da empresa quando o filho ficava doente, hoje esses problemas já não chegam na empresa, pois não existe a falta ou atrasos. A mãe e o filho estão no mesmo ambiente.

Algumas dicas para as mães:

  1. Ajuste as expectativas e entregas à sua realidade, pois seu trabalho vai render de acordo com a dinâmica da casa. Se o seu filho dorme na parte da tarde, deixe para realizar as atividades mais complexas nesse horário;
  2. Se precisar finalizar um trabalho, tenha em sua mesa home office alguns materiais para distrair seu filho, como papéis e canetas. Convide seu pequeno para trabalhar com a mamãe;
  3. Peça ajuda, você não precisa vestir a capa da mulher-maravilha e tentar dar conta de tudo sozinha e tenha por perto pessoas que você pode contar. E por mais difícil que possa parecer, livre-se da culpa.

MJ: Quais conflitos você tem percebido nestas relações de home office?

Ticyana Arnaud: Alguns gestores estão ultrapassando o limite e enviando mensagens em grupos de WhatsApp depois do expediente e nos finais de semana. A demanda de trabalho está sendo cobrada por todos os canais. E isso está gerando uma sobrecarga no profissional.

MJ: Cobrança para a reinvenção passa por todas as camadas e hierarquias profissionais. Qual a sua sugestão para os gestores?

Ticyana Arnaud: É imprescindível que as empresas tenham cautela e respeitem a jornada de trabalho. Ajustar as expectativas.

MJ: Você possui quase 200 mil seguidores no Linkedin e vem se consolidando como uma mentora para profissionais que buscam recolocação no mercado de trabalho. Com a chegada de 2021, a pandemia ainda desafiando a economia e as relações profissionais, uma dica para as mulheres que buscam se firmar e ter reconhecimento no mercado de trabalho – com filhos, família, home office e tudo que ajuda e atrapalha até chegar a almejada conquista de uma carreira de sucesso.

Ticyana Arnaud: Tenha um plano de carreira. Escreva todos os seus objetivos a curto e a médio prazo. Crie metas para alcançar estes objetivos. Exempl
Objetivo: Ser  promovida a Gestora da minha área;
Meta: Cursar uma pós graduação em Gestão de Pessoas;
Prazo para conclusão da meta: X meses.

O LinkedIn é uma vitrine, onde todo profissional deve sempre atualizar a rede de netwoking e se posicionar como profissional da sua área. Mesmo se não estiver buscando recolocação é importante estar atento ao que está acontecendo no mercado de trabalho, como os outros profissionais da sua área estão se capacitando e quais as tendências. Além disso, importante manter o perfil sempre atualizado e criar conteúdo para publicar. Estas ações podem favorecer o surgimento de oportunidades incríveis, como convite para entrevista de emprego ou até mesmo oportunidades de negócios.

MJ: Um RH mais humanizado está mais próximo em 2021, em um novo ano que já chega fragilizado com a pandemia? 

Ticyana Arnaud: É o que desejo. Profissionais que acolham e tenham mais empatia. Não podemos jamais esquecer que sempre serão pessoas lidando com outras pessoas e sem elas a empresa não obtém resultados. Esse olhar mais atento faz toda a diferença, as empresas estão se adaptando a essa nova modalidade de trabalho, e os profissionais também. A atenção está dividida e é preciso observar como a funcionária está lidando com essa nova rotina. Conversar com cada uma, entender qual a sua realidade faz toda a diferença. Imagina uma mulher que tem um bebê em casa e não tem rede de apoio? A creche está fechada, ela trabalha e cuida do bebê. É exaustivo e certamente a atenção estará dividida.

Para 2021, o tema que está ganhando a pauta dos gestores e líderes é a preocupação com as novas formas de trabalho, que mesmo com todo o aprendizado de 2020, os desafios ainda são muitos, quando falamos na gestão de pessoas em home office. E a gestão remota é a principal questão dos entrevistados da pesquisa “Os principais desafios de liderança para 2021 (https://abrhsp.org.br/conteudo/noticias/gestao-remota-um-dos-principais-desafios-para-2021/), publicada em artigo pela ABRH SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo).

Pensar em relações profissionais mais humanizadas por gestores e líderes também passa por ajustar expectativas, ter mais confiança e mais humanidade com as equipes.  Pontos que podem ser um dos legados, do bem, deixados pela pandemia do Covid-19.

Ainda não temos todas as resposta, mas já entendemos que olhar e perceber o outro com mais empatia e gentileza é tão importante quanto o exercício de olhar para nós mesmos.  Para isso, podemos usar a sugestão da Ticyana Arnaud, que sempre diz aos seus orientandos: “Seja a história que você gostaria de contar.”

A PRIMAVERA, O CANTO DO SABIÁ E A LIBERDADE

Algumas horas nos separam da nova estação. Alguns dias nos separam do primeiro ano do resto de nossas vidas. Seja no pessoal ou no profissional, o desafiador ano de 2020 abalou as estruturas, misturou os sentimentos, refez diretrizes, mas quem semeou vai colher – seja força e coragem, reinvenção profissional ou crescimento espiritual. Não importa a ordem, quem de alguma forma se fortaleceu com 2020 já está fazendo planos para 2021.

Por aqui, quando agosto chegou com seus ventos gelados para iniciar o semear, e enquanto aguardávamos a chegada da primavera, além da semeadura chegavam os pássaros enamorados. E neste agosto, enquanto o home office já era fato numa jornada desleal para muitos, lá fora, o balé e o longo canto do sabiá laranjeira ecoou como todos os anos. Foi a liberdade de ser pássaro versus a prisão de ser humano versus a fumaça das queimadas que dividiu em dois a tragédia do nosso país, com queimadas e Covid-19.

Para muitos o home office é um sofrimento, para outros, a liberdade das amarras do cotidiano profissional. Mas quando se trabalha em casa há mais de uma década, independente, é preciso gostar de cotidianos, da disciplina do plano do dia. E eu gosto. Mas de todas as conquistas que mantiveram a minha carreira em ordem com a liberdade almejada por muitos, algo ainda me faz falta: o dia-a-dia com a equipe.

Mas aqui tivemos equipes organizadas revoando com a chegada da primavera. Trazem aprendizados com a migração, assim como estamos tentando novos aprendizados nestes últimos meses. E por aqui, mais observação menos falação, alguns ninhos em volta da casa, mães desesperadas para alimentar seus bebês pássaros, misturado a saudades diversas que foram sendo diluídas à conta-gotas.

E quanto a liberdade? Bem, Santo Agostinho, um grande filósofo e teólogo que falava do livre arbítrio, disse: não importa se estamos presos, a liberdade está dentro de nós. E nestes últimos meses observar os pássaros ajudou a amenizar dúvidas e acreditar que a cada estação temos muito a aprender, como ensinar um filhote a comer e a voar, enquanto ele se fortalece.

Na foto, nosso pequeno Josué, que em breve seguirá na essência do que chamamos de liberdade. Verão, seja bem vindo para todas as pessoas.

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2021.

MATéria produzida para o coletivo mulhetes jornalistas

PROGRAMA ORQUESTRA NAS ESCOLAS DEVERIA ESTAR ESPALHADO POR TODO O PAÍS
http://mulheresjornalistas.com/?p=2295

Conhecer Moana Martins é acreditar que tem muito mais pessoas fazendo o bem que podemos imaginar. E esse “muito mais” já soma milhares de jovens, crianças e professores, impactados com o Programa Orquestra nas Escolas (https://www.youtube.com/orquestranasescolas), projeto do Instituto Brasileiro de Música e Educação, que a professora coordena junto à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. E assim como estes jovens, a pianista que também tem formação em Etnomusicologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é do interior da Bahia e conheceu a música ainda menina, numa escola pública. Sua escolha por se tornar uma musicista mudou o rumo da sua história. Mas Moana abriu mão de uma carreira de artista, com uma possível carreira internacional, para se dedicar a “transformar vidas e famílias através da música e da educação”, como costuma dizer. 

Filha e de uma família simples, Moana relembra sua vida de menina. “Eu e a minha irmã Morgiana somos muito amigas e parceiras. Na infância e adolescência nos criamos mutuamente. Meu pai saía para o trabalho e nós cuidávamos da casa, íamos juntas para a escola e cuidávamos uma da outra. Tenho a alegria de ter sido sua primeira professora de piano e, quando, no interior da Bahia, constituí minha primeira escola de música, ela era a melhor professora de piano da instituição, aquela que fazia os alunos se apaixonarem pela música.”

Determinada, a baiana do “Maior Povoado do Mundo”, slogan do município de Eunápolis, povoado criado a partir da finalização da construção do ramal de acesso da rodovia que ligaria Porto Seguro a atual BR-101. Mas aquele povoado, assim como a pianista, desejava crescer e foi emancipado em 1988, dois anos antes da estudiosa Moana se radicar no Rio de Janeiro, onde cursou seu bacharelado em Piano pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-RJ). E foi no Rio de Janeiro que a pianista concretizou projetos como o Orquestra nas Escolas, que tem Concerto de Natal no dia 15 de dezembro, transmitido ao vivo direto da Cidade das Artes, às 19 horas, pelo canal do programa www.youtube.com/orquestranasescolas. “O Programa Orquestra nas Escolas traz consigo a tecnologia educacional do Som+Eu, o primeiro projeto que iniciamos aqui no Rio de Janeiro, no Morro da Providência. Hoje é um grande mosaico, porque tem sido forjado e aperfeiçoado por instrumentalidade de muitas mãos, inclusive professores, gerentes de  educação e servidores da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.”, declara Moana.

Desde 2017 o projeto viabiliza o conhecimento, o estudo e a formação de jovens como músicos de Orquestra, inclusive o Programa promove também a ajuda financeira para a aquisição do instrumento musical do estudante. Programa ousado para um município com tantas diferenças como o Rio de Janeiro, mas após apenas três anos, já possui dezessete orquestras, que assinam com o nome de Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca, a OSJC, que tem a grandiosa Cidade das Artes como sua “casa” de ensaios. É de lá que estão sendo transmitidos alguns concertos, a partir dos estudos à distância, durante o período do isolamento social, como o que homenageou Tom Jobim, em setembro, a ópera O Morro Canta Canudos, em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra e o Concerto de Natal, Só Risos. Apresentação da OSJC que acontece no dia 15 de dezembro com o Unicirco Marcos Frota.

“Desde o início da pandemia nós tínhamos essa certeza no coração: não podemos de maneira alguma calar, deixar calar a música dos meninos e meninas. Precisamos reinventar nossa maneira de vivenciar essas atividades e continuar oferecendo aos alunos as condições de aprendizagem. A gente foi encontrando  junto com as crianças e os professores a forma, o tempo, como manter a chama acesa até que isso tudo acabasse. Íamos fazendo o planejamento mensal das atividades. No dia 16 de março foi o primeiro dia de atividades remotas e de lá para cá não paramos um só dia.

Posso dizer que tivemos um crescimento exponencial em números de participantes, nas ações de divulgação do projeto, no crescimento musical dos meninos. Está na fala dos próprios jovens músicos e de suas famílias: o vínculo foi mantido e hoje somos um coletivo ainda mais unido e fortalecido.”, reflete Moana, como a Coordenadora do Programa Orquestra nas Escolas.

Com a ideia central de promover a experiência do conviver, do conhecer e de reconhecer suas potencialidades, o Programa busca preparar estes jovens para viver em sociedade como cidadãos autônomos, críticos e solidários. Assim a pianista busca mergulhar os estudos desses jovens em repertórios de artistas como Moraes Moreira e do maestro Tom Jobim, este último em parceria com o Instituto Antonio Carlos Jobim.

“O projeto Tom nas Escolas foi um presente maravilhoso, que teve como inspiração o nosso grande arquiteto dos sons, nosso maestro brasileiro. As músicas do Tom Jobim, recheadas de tão grande riqueza poética, foram recebidas pelos meninos e meninas com muito entusiasmo e rememoradas  pelas famílias com um tom de saudade e de memórias.

Recebi centenas de depoimentos incríveis, mas gostaria de compartilhar apenas um, que ouvi de Josué, um dos violistas da OSJC. Ele disse: como eu pude viver até hoje sem ouvir essas músicas? Não consigo desapegar, quando mais eu ouço, mas eu viajo, são tantos os pensamentos…”, reflete Moana, que completa. “Na espera do ensaio, eu e Josué passamos uns 30 minutos conversando. A gente compartilhou as paisagens que vinham à nossa cabeça a partir das músicas do Tom Jobim.  E sobre os shows com as divas Maria Luiza Jobim e a Leila Pinheiro foram momentos inesquecíveis para mim também, principalmente porque as músicas do Tom são a trilha sonora da minha vida.  Tenho uma grande alegria na minha vida e me realizei mais uma vez nos concertos do Tom nas Escolas, nossas orquestras estavam lindas. Ver os meninos e meninas apresentando a Educação Pública para o mundo, na sua perspectiva plena, me faz devanear.“

Mas todos os braços que trabalham para unir música e educação não são suficientes para manter o tamanho do sonho de Moana, em espalhar orquestras   e transformar vidas. A partir deste entendimento a intensa busca por patrocínio, para viabilizar a parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Foi assim que uma empresa se uniu ao projeto, como conta a pianista. “A Uber acreditou na capacidade de transformação e desenvolvimento social potencializado pela  OSJC e o Programa Orquestra nas Escolas, quando ainda não estávamos deste tamanho e neste nível de desenvolvimento. Em 2019 a empresa nos ofereceu a infraestrutura necessária para potencializar o desenvolvimento das crianças e jovens. Hoje nós somos o maior programa de Música e Educação do Brasil, em número de beneficiários e ações sócio-educacionais. Temos  muita gratidão ao patrocínio desta empresa e acreditamos que ainda há muito para fazer juntos pelas crianças e jovens do Rio de Janeiro, estendido às suas famílias e suas comunidades.”, reflete Moana.

Domingo, 29 de novembro, dez e vinte da manhã. Dia e horário que recebi pelo telefone o retorno para as perguntas desta matéria, encaminhadas na véspera para a pianista. A resposta dizia: “Vim à São Paulo buscar uns instrumentos para as violinistas do Lins*, são pequenininhas e os instrumentos que temos estão inadequados pra elas. Volto amanhã cedo, logo que a loja abrir. Respondo tudo à noite.” Sim, esta é Moana Martins cuidando dos seus meninos e meninas do Programa Orquestra nas Escolas. Viva ela!!

 *Lins de Vasconcelos é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde  alunos de uma escola do município participa do Programa Orquestra nas Escolas.

MULHERES JORNALISTAS NA 66a FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE 2020

Venho contar que minha carreira foi pontuada com oportunidades e desafios. Quase sempre nesta ordem, pois aceitar uma oportunidade passa pelo desafio de vencer obstáculos. Mas agora, como jornalista colaboradora do Coletivo Mulheres Jornalistas, além de honrada, venho sendo desafiada pela Letícia Fagundes a mostrar mais a cara e fazer umas entrevistas em vídeo.
Desafio aceito! E aqui está o resultado: a participação do Mulheres Jornalistas na 66a Feira do Livro de Porto Alegre 2020, onde desenvolvemos juntas os convidados e fiquei com três das cinco entrevistas que estão dentro da programação especial do evento, que este ano é online.
Assim, a jornalista Ana Holanda, a médica Marcia Rachid e a apresentadora Maria Beltrão conversaram comigo sobre seus lançamentos literários e suas carreiras.
Tão bom quanto o desafio foi perceber que estas três mulheres não são apenas bem sucedidas nas suas carreiras, elas encontraram a sua missão profissional e, com isso, encontraram a voz que chegará ao outro, que levarão com elas para toda a vida. E isso é lindo!

Cards por Coletivo Mulheres Jornalistas
Montagem: @patifernandes

Ana Holanda: LINK MJ https://youtu.be/o2h27p1TBS0
LINK FEIRA DO LIVRO POA 2020:
https://feiradolivropoa.com.br/2020/11/02/coletivo-mulheres-jornalistas-entrevista-a-jornalista-e-professora-ana-holanda/

Marcia Rachid LINK MJ: https://youtu.be/rUZUnWisn4E
LINK FEIRA DO LIVRO POA 2020: https://feiradolivropoa.com.br/2020/11/05/mulheres-jornalistas-entrevista-marcia-rachid/

Maria Beltrão LINK MJ: https://youtu.be/XEzu2kRAPcE
LINK FEIRA DO LIVRO POA 2020:
https://feiradolivropoa.com.br/2020/11/05/mulheres-jornalistas-entrevista-maria-beltrao/

MULHERES JORNALISTAS NO ENCONTRO COM A ESCRITA AFETUOSA DE ANA HOLANDA, 6AF, 23/10, às 20h

Vamos dar luz ao positivo, para as boas notícias, para as pessoas que fazem a diferença na sua área de atuação? Notícia ruim sempre haverá, mas sempre teremos boas noticias para compartilhar e o melhor a fazer em tempos de desordem é dar luz para estas boas notícias. Vamos  dar voz a estas mulheres que fazem da sua vida algo que ajuda e acolhe o outro, seja com a medicina, com uma reportagem de denúncia, uma professora que incentiva a escrita ou a música. E escrever com afeto, onde as palavras acolhem quem está lendo é a busca da querida jornalista, escritora e professora, Ana Holanda, que conversa comigo nesta 6af, 23 de outubro, às 20h, a convite do necessário Coletivo Mulheres Jornalistas @mulheresjornalistasoficial. Apenas 30 minutos de boa conversa sobre como a escrita nos acolhe em todos os momentos das nossas vidas, seja no pessoal ou no profissional. E nunca se escreveu tanto, mas se for amorosamente e com afeto, melhor. Espero vocês! @anaholandaoficial @jornalista_leticiafagundes 

ENTRE AS IDEIAS E O AMANHECER

Corri fechei os olhos tentei me esforcei mas não deu tempo…
olho no relógio do celular:
4:58 ouvi o início dos gorgeios com piados baixinhos, um gritinho do Bem-te-vi e os sabiás, em um breve acordar com seu canto curto. A Cigarra, umazinha só, ao longe. Nova tentativa;
5:08 as cigarras que andam umas taradas estão a todo vapor. Bem-Te-Vi agora são bem-te-vis e uns gritam e outros perguntam. Sabiás já dobram seus cantos, cada um com o seu. Os Galos duelam na vizinhança, que com o acordar dos pássaros e das cigarras, eles se empenham, sabe?
5:12 passou um Jacú barulhento embaixo da janela do quarto, mas como eles não andam sozinhos já já o barulho da bandeja do comedouro caindo com o peso do seu corpinho do tamanho de um Chester;
5:18 já começou a clarear. A cabeça meio pesada das poucas horas de sono ainda está repleta de ideias e penso na Monja X meu dia de trabalho com os olhos ardendo;
5:25 Maritacas cruzam o céu e acordam as Cambaxirras que chegam por último com seus corpinhos pequeninos que ecoam alto seu bom dia;
5:29 resolvi sair para fotografar a montanha. Coloquei meu robe de malha cinza que ganhei do Samuel (pai da DonaNora Carol) em um Natal feliz, um lenço no pescoço e me aventurei no amanhecer geladinho. Quase fui atropelada por um Colibri que buscava seu dejejum no bebedouro vazio da varanda. Ao longe, uma pomba Juriti e seu cucuru. O Jacú e seu lamento um-um-um estava descansando e seguiu para o abacateiro. De baixo, achei dois Pica-Pau de crista amarela na investida dos abacates abertos pelo Tucano que já estava de saída passou de leve por cima da minha cabeça. Mas o Jacú com seu corpinho de chester e rabo de pavão balançou tudo e os bichinhos do sítio de Monteiro Lobato se foram. Vi a lua se despedindo enquanto um avião cortava o céu… imaginei estar ali, voando como um pássaro, sem passado presente ou futuro, voando, apenas;
5:40 Dudu, que ainda tinha os olhinhos apertadinhos de sono, me largou no meio do gramado molhado e repleto de cascas de abacates e voltou para dentro de casa. Sábio cão. Hora de fazer o mesmo.
5:45 melhor deixar o dia amanhecer com seus encantos. Vão as coisas e ficam as ideias. Bom dia.
Pedro do Rio, Petrópolis, RJ, 9 de outubro de 2020.

No Instagram, dez fotos do amanhecer que ilustram o texto.
https://www.instagram.com/p/CGIGzYspO4N/?utm_source=ig_web_copy_link

IDEIAS E COISAS NA MADRUGADA

Tenho acordado as quatro da manhã que, para mim, diferente dos galos da vizinhança, é quatro da madrugada. Ainda escuro, tento dormir, uso técnicas da meditação, mas a cabeça cheia de coisas e ideias não me deixa continuar a jornada do descanso.
Consegue entender que ideia é uma coisa e coisa é outra coisa? Pois bem, coisa não parece confuso se eu escrevesse problemas, questões e afins, minhas e, na grande maioria, das outras pessoas que me cercam.
Mas como a vida é movimento e nem sempre o movimento é leve e cadenciado, existem coisas que parecem mais montanha-russa e melhor ser coisa mesmo para ter uma levesa que a vida nos ensina ter.
Posso incluir no departamento coisas, o calor que estou cada dia mais desacostumada, o ventilador que resseca a respiração da alérgica, que para controlar a respiração nestas horas da madrugada, de boca aberta e com os galos cantando e a cabeça girando é coisa que ganha o comum nome de insônia. Mas não sou comum e essa coisa de acordar na madrugada nem sempre é divertido. Sim, acordar às quatro da madrugada, ir fazer xixi, Dudu aproveita para ir também, voltar, organizar o corpo e a cabeleira, fechar os olhos e, nada.
Mas hoje lembrei da Monja (a Coen) nas ideias, ali já perto das quatro e meia da madrugada. Um dia ela disse que se estamos acordando no meio da noite ou demorando para dormir, quem sabe o melhor é não insistir e aproveitar com algo produtivo. E cá estou nesta falação nos vossos ouvidos aproveitando a sugestão da sábia Monja que cada vez mais me devolve aos ensinamentos do Budismo e do Induismo.
Entre coisas e ideias, já abandonei as coisas e vou ali anotar umas ideias antes do amanhecer acontecer além dos galos e aí levanto para fotografar as montanhas e o dia começará por aqui sem uma nova tentativa de não ter os olhos ardendo por todo o dia. Silêncio, os passarinhos ainda estão dormindo, melhor eu apoveitar e ir também.

Pedro do Rio, 4h55 de 9 de outubro de 2020.
Foto cedida gentilmente pelo mestre @leoaversa São Petersburgo, 1991.

Publicado também no perfil do Instagram: https://www.instagram.com/p/CGIErixpgxZ/?igshid=ku4vfpgtst3y

NA PRIMAVERA, O AMANHECER

Hoje, como ontem, os amanheceres estão assim, sem filtro. Voltaram as cigarras, as maritacas, os japus e seus assovios, as cambaxirras e os sabias. Como é primavera até os bem-te-vis estão animados e todos tagarelas. Com isso tudo ao amanhecer, como dormir enquanto a festa acontece lá fora num colorido assim… 5’54” de sábado que chega alaranjado, que chega repleto de sons, enquanto o gramado do jardim ainda molhado do sereno ou rocio, como se fala por aqui. Meu bom dia de hoje para amanhã, nessa explosão de cor e vida ao amanhecer. E ainda olho a imensidão de hoje e me agradeço por ver beleza no caos. É primavera, te amo.

Pedro do Rio, Petrópolis, 3 de outubro 2020.

NA PRIMAVERA, A LUA

Todas as mudanças de estação ela nos brinda com cores entre o prateado intenso e o alaranjado. Marte sempre lhe fazendo cia, que por vezes, daqui, parece um cristal laranja avisando que somos mortais. No céu, a lua a imensidão do universo brinda a todos, todos os dias com a sua vastidão de beleza e mistério. Que sejamos seus humildes discípulos de tamanha grandeza silenciosa, que entorpece nossos olhos e sentidos em meio ao caos. Que possamos ver e ainda sentir o belo. E assim seja.

Pedro do Rio, Petrópolis, 2 de outubro de 2020.