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ALENTO

Era para ser uma rosa branca, que se fez lilás, que se fez chá. Assim, ganhando um roseiral na tentativa de ter uma roseira branca. Até que a prima Deise deu uma roseira de cachos, como a da nossa infância. Ela afirmou que era branca. Trouxemos. Plantamos. Molhamos. Esperamos. 
Esta semana nasceu um broto, rosa. Olhei em volta já pensando onde plantar a próxima roseira branca. Mas hoje, ao acordar, passei os olhos e lá estava ela, a rosa rosa, aberta para a vida, para o sol fraco do outono, aberta em flor, branca, branca, branca. Ah, quanta alegria diante de uma coisinha tão forte, firme e bela.
Então, olhe em volta, ouça o som da terra, do céu, dos pássaros, mas se não tem por aí, coloque beleza no seu computador,  manda flores virtuais para os familiares, os amigos e descubra, todos os dias, uma forma de se manter firme, com o que alenta o coração. 
Por aqui, rezo por dias melhores, para que 
sejamos fortes
que possamos dar amor
que as flores brotem
que tenhamos empatia
que o mundo amanheça melhor
e que tenhamos fé
todos os dias.
Para embalar, a música do querido Marcos Almeida, que canta e compõe em “esperances”.

Fotos de minha autoria, no jardim da Casa Passarim (a foto do broto cor de rosa está no Instagram da @casa_passarim.
Pedro do Rio, 25 de março de 2020.

Release Trilha DO FILME Minha Fama de Mau

Foi uma honra ser convidada pela equipe de imprensa da Universal Music para escrever o release da Trilha Sonora do longa-metragem Minha Fama de Mau, lançada pela gravadora que um dia fiz parte da equipe de gerentes, onde atuei no marketing e na produção dos DVDs da cia.
E com vocês o meu release da trilha do longa-metragem sobre o nosso tremendão Erasmo Carlos. A-do-r-e-i!

Universal Music Brasil orgulhosamente apresenta a trilha sonora do filme “Minha Fama de Mau”
Mergulho emocionante na música de Erasmo Carlos chega às plataformas digitais no dia 11 de fevereiro de 2019

Eu digo não, digo não,
Digo não, não, não …
Perder uma namorada é uma coisa normal,
Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau!
Tenho que manter a minha fama de mau!
Tenho que manter a minha fama de mau!

Erasmo Esteves conquistou sucesso e ganhou o mundo com os versos da canção que embalou gerações. A música “Minha Fama de Mau”, da dupla Roberto & Erasmo, é de 1964, quando o cantor tinha em Elvis Presley seu maior ídolo. Influenciados pela nova música americana, Erasmo e seus amigos criaram uma sonoridade original para um novo movimento musical, que passou a ser reconhecido pelo nome de Jovem Guarda.
A trilha sonora “Minha Fama de Mau” é um mergulho emocionante na música do “Tremendão” Erasmo Carlos, que a Universal Music tem a honra de lançar, no dia 11 de fevereiro (de 2019), quando chega às plataformas digitais o álbum da trilha sonora do filme de Lui Farias. O longa-metragem “Minha Fama de Mau”, a cinebiografia sobre o cantor e compositor Erasmo Carlos, chega aos cinemas de todo o país no dia 14 de fevereiro de 2019.

 “Queria que as pessoas que assistirem ao filme sentissem a pressão sonora para complementar as alegrias e aventuras que estão rolando na tela. A Jovem Guarda é foda!”, declara Erasmo Carlos

Sob a direção artística do aclamado Max Pierre, a trilha sonora original conta com 17 faixas, sendo nove canções na voz do ator e cantor Chay Suede, que interpreta Erasmo Carlos no longa-metragem, seis músicas interpretadas pelo ator Gabriel Leone (Roberto Carlos) e três canções por Malu Rodrigues (Wanderléa). No filme, os atores são acompanhados pela atual banda de Erasmo Carlos, formada pelo maestro José Lourenço (arranjos, órgão Hammond, pianos, harmônica e flauta), Rike Frainer (bateria), Billy Brandão (guitarras, violão e cítara), Pedro Dias (baixo e vocais), Luiz Lopez (violão, voz guia e vocais) e Dirceu Leite (saxes e flautas).

Uma honra produzir a trilha musical do filme sobre a Jovem Guarda e a vida de Erasmo Carlos, um dos compositores mais importantes da música popular brasileira”, disse o produtor Max Pierre.

Interpretada por Chay Suede, a música de trabalho “Minha Fama de Mau” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) abre a trilha sonora do filme. A versão original foi lançada por Erasmo em 1964, em compacto simples. Na sequência, Chay interpreta o hit “Festa de Arromba” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos), outro sucesso na voz de Erasmo, lançado em compacto simples no ano seguinte. Gabriel Leone empresta a sua voz para uma das emblemáticas canções da dupla, “Parei na Contra Mão”, música que inaugura a parceria Erasmo & Roberto e foi lançada originalmente por Roberto Carlos em 1963, no 78 rotações “Splish Splash/Parei na Contramão”.
Chay Suede volta na faixa 4, “Eu Sou Terrível” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos), tema do clássico musical “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, filme de Roberto Farias, lançado em 1967 – a trilha sonora do longa-metragem foi lançada na mesma época, com o mesmo sucesso do filme. Chay segue emprestando sua voz para “Lobo Mau” (The Wanderer), canção de Ernest Marasco em versão de Hamilton di Giorgio.

“A gente não tinha tanto material da época, muita coisa foi perdida ao longo do tempo. E isso acabou nos dando muita liberdade para retratar o universo daquela época e ir atrás das referências deles, o surgimento do rock no Brasil. O fato de a gente cantar foi abrindo certas portinhas para encontrarmos os personagens.”, afirma Chay Suede

Outro grande clássico da dupla Roberto & Erasmo é revisitado por Gabriel Leone. O rockabilly  “É Proibido Fumar”, originalmente lançado em compacto em agosto de 1964, é considerada uma das canções mais representativas do período. Posteriormente, a faixa foi regravada por diversos artistas, como Raul Seixas, A Bolha, Rita Lee, O Terço, Skank e o próprio Erasmo Carlos, coautor da letra. A música ainda ganhou uma versão em língua espanhola, “Es Prohibido Fumar”, que foi lançada no álbum “Canta A La Juventud”, de 1965. Em 2001, Roberto Carlos também fez uma nova versão da canção para o seu álbum “Acústico”.
A bela e talentosa atriz Malu Rodrigues também apresenta a sua voz em “Prova de Fogo”, clássico de Erasmo Carlos eternizado na voz da “Ternurinha” Wanderléa. Ocupando a oitava faixa, Chay Suede interpreta a balada “Sentado à Beira do Caminho”, também fruto da parceria com Roberto Carlos, gravada originalmente no álbum “Erasmo Carlos e os Tremendões”, de 1970. Chay segue em ritmo de brasa com “Vem Quente Que Estou Fervendo” (Carlos Imperial/Eduardo Araújo), registrada originalmente por Erasmo no compacto simples de 1967. De uma safra menos conhecida, Gabriel Leone agora apresenta “Susie”, um rockabilly de Roberto Carlos, gravada em LP de 1962. Na letra, o Rei revela as aventuras que fez para tentar conquistar um “broto”.
Malu Rodrigues interpreta ainda “Meu Anjo da Guarda” (Rossini Pinto/Fernando Costa), canção gravada originalmente no disco de 78 rotações que marcou a estreia de Wanderléa, lançado em 1962. A balada “Gatinha Manhosa”, outro clássico da dupla Roberto & Erasmo, também não ficou de fora, e agora ganha a interpretação de Chay Suede. Uma curiosidade: a faixa foi gravada primeiramente no álbum do Renato e Seus Blue Caps (Viva A Juventude, de 1965).
Gabriel Leone encarou o desafio de interpretar “O Calhambeque” (Road Hog), versão de Erasmo Carlos para a música de Gwen Loudermilk & John Loudermilk. Malu e Chay ainda fazem um emocionante dueto na canção “Devolva-me” (Renato Barros / Lilian Knapp), balada que na década de 60 ganhou interpretação de Erasmo e Wanderléa, da dupla Leno e Lilian (em 1962) e hit na voz de Adriana Calcanhoto, que a reapresentou para a geração dos anos 2000.
Também de outra lavra, “P’rá Sempre (Forever)”, canção de De Angelis & Marcucci, em versão de Paulo Murillo, que foi originalmente registrada por Erasmo em 1960, ao lado do grupo “The Snakes”, agora ganha os timbres de Chay Suede.
Fechando oficialmente o álbum, o hit “Amigo”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, interpretado por Gabriel Leone. A canção representa para os milhões de fãs da dupla de compositores a força da amizade entre eles.
Gabriel Leone também interpreta a faixa-bônus “João e Maria”, um dos primeiros registros de Roberto Carlos (música em parceria com Carlos Imperial), lançado primeiramente em 1959, em formato de compacto simples, e depois integrou o repertório do primeiro álbum do Rei, “Louco Por Você”, lançado em 1961.
Minha Fama de Mau” é trilha que busca um recorte da juventude daquele rapaz que queria ser como Elvis Presley, que usava jaqueta de couro, colares e tinha muita atitude. Hoje, cinco décadas depois, ele é o compositor de mais de 650 canções e tem o amor como sua maior expressão. Da fama de mau dos versos da sua música ficou o sucesso, o reconhecimento e um apelido carinhoso daqueles que cercam Erasmo Carlos: Gigante Gentil.

Tracklist “Minha Fama de Mau”:
Músicas, cantores, autores e editores
Minha Fama de Mau com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Irmãos Vitale)
Festa de Arromba com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. EMI)
Parei na Contra Mão com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Irmãos Vitale)
Eu Sou Terrível com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Cap Music)
Lobo Mau (The Wanderer) com CHAY SUEDE
(Ernest Marasco – Versão Hamilton di Giorgio – ed. Warner Chappell
É Proibido Fumar com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlo – ed. EMI)
Prova de Fogo com MALU RODRIGUES
(Erasmo Carlos – ed. Fermata)
Sentado à Beira do Caminho com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. Fermata)
Vem Quente Que Estou Fervendo com CHAY SUEDE
(Carlos Imperial & Eduardo Araújo – ed. Fermata)
Susie com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos – ed. Amigos / Sony Music)
Meu Anjo da Guarda com MALU RODRIGUES
(Rossini Pinto & Fernando Costa – EMI Publishing)
Gatinha Manhosa com CHAY SUEDE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – ed. EMI)
O Calhambeque (Road Hog) com GABRIEL LEONE
(Gwen Loudermilk & John Loudermilk – Versão Erasmo Carlos – ed. Sony Music)
Devolva-me com MALU RODRIGUES & CHAY SUEDE
(Renato Barros & Lilian Knapp – EMI Publishing)
P’rá Sempre (Forever) com CHAY SUEDE
(De Angelis & Marcucci – Versão Paulo Murillo – ed. Universal Publishing)
Amigo com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Erasmo Carlos – Ed. Amigos Sony ATV e ECRA Sony ATV)
Faixa-bônus:
João e Maria
com GABRIEL LEONE
(Roberto Carlos & Carlos Imperial – ed. Amigos /Sony Music e Templo / EMI Publishing)
Ficha Técnica – Trilha Sonora:
Trilha musical MINHA FAMA DE MAU
“Um filme de Lui Farias”
Uma produção
Universal Music, Indiana Produções Cinematográficas e Coqueiro Verde Records
Dirigida por Max Pierre
Seleção de Repertório: Lui Farias
Cantores atores
Chay Suede (Erasmo Carlos)
Gabriel Leone (Roberto Carlos)
Malu Rodrigues (Wanderléa)
Arranjos, órgão Hammond, pianos, harmônica e flauta: José Lourenço
Bateria: Rike Frainer
Guitarras, violão e cítara: Billy Brandão
Baixo e vocais: Pedro Dias
Violão, voz guia e vocais: Luiz Lopez
Saxes e flautas: Dirceu Leite
Gravação, edição digital e mixagem: Marcelo Saboia
Assistente executiva: Eva Straus
Arregimentador: Genilson Barbosa
Gravado no Cia. dos Técnicos em outubro/novembro 2015
Mixado no Escritório do Saboia
Masterizado na Visom Digital por Ricardo Dias

Sobre a Universal Music:
A Universal Music Group é a empresa líder mundial no mercado de música, com forte posicionamento nos negócios de gravação, edição musical e merchandising, com selos próprios ou licenciados em 60 territórios. O Grupo Universal Music (UMG) possui o mais extenso catálogo da indústria fonográfica, incluindo os mais populares artistas e suas gravações realizadas nos últimos 100 anos. Fazem parte da Universal Music Group a Universal Music Publishing, líder em edição musical, a Bravado, empresa de merchandising de produtos originais dos artistas, e a GTS, divisão global de agenciamento artístico e produção de eventos. A Universal Music Group é uma unidade da Vivendi, companhia mundial de mídia e comunicações.

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Luciana Bastos: (21) 2108-7657 / 99802-6248 – luciana.bastos@umusic.com
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Por um jardim verdinho e florido

Traço um plano para as minhas empreitadas. E foi assim, dando voz ao plano de ter um jardim verdinho, florido e com algumas árvores, que hoje tenho um quintal para chamar de meu.
Digo um quintal e não um jardim, digo capim e não gramado, já que a equação chuva versus grama é algo que pode te levar a falência. Por aqui ainda gramo, literalmente, para ter um gramado cuidado, com as árvores sem as touceiras de capim navalha em volta de seus troncos. E flores.
A primeira relação desastrosa com o dia a dia no verde foi a samambaia, quando a deixei na varanda pelos três dias que fiquei no Rio. Quando retornei, todas as folhas haviam se transformado em comida de formiga, onde num trabalho cooperado só restou os caules.
Então a equação é assim: você planta e as formigas comem, chove, e as formigas dão uma sumida, mas a grama cresce absurdamente. É nessa hora que paga-se uma pessoa para roçar a grama, que roça junto o seu jovem e belo Ipê Rosa, presente da sua comadre amada. Então é assim que funciona: se as formigas não comem, um distraído te elimina dois anos de crescimento da árvore que você plantou com tanto cuidado.
Moral da questão: para transformar um quintal num belo jardim verdinho e florido é preciso ter coragem para contratar um jardineiro. Coragem para confessar ao profissional que não sou rica, mas abusada, e que necessito de um jardim bem cuidado e florido. Depois, fazer o cursinho de jardinagem para iniciantes que peguei o telefone.
Logo após vir morar aqui fui convidada para um leilão, dar lance e tudo mais. Foi numa casa lindíssima em Itaipava. Jardim suntuoso de flores e folhagens, com árvores centenárias, parecia locação do núcleo rico da novela das nove. Após a venda da casa tudo que pertenceu aos donos da mansão de oito quartos – de tapetes, camas e quatros, a toalhas bordados e copos diversos, milhares de itens – abasteceu o grande leilão por dois dias.
Derrotada nos lances de uma estante, uma chuva torrencial caiu e resolvi me refugiar na varanda, na cia de dois senhores que estavam lá sentadinhos há horas. Me cheguei e fui entender que ali se tratava de dois funcionários de décadas da família – o motorista e O JARDINEIRO.
Hoje, passado uns meses daquele dia, tomei a decisão de que é chegada a hora de abrir mão daquele vestido novo, daquele armário da lavanderia, do jantar com amigos no Rio, daquela viagem distante. É chegado o momento de todos os fundos de reserva dos próximos meses serem destinados ao quintal. E quem me conhece já imagina que naquela noite chuvosa e frustrante no leilão peguei o telefone do jardineiro da mansão. Sim, peguei.
E aquela garota que plantava margaridas com o pai é hoje uma jovem senhora que pretende transformar o seu quintal num belo e bem cuidado jardim, numa pequena e fofa casa na serra.
Vamos a isso 2019.

 

 

O Menino cão

Escrevi este pequeno relato de amor na segunda-feira e faço dele minha homenagem ao cão espancado em Osasco. Desejo que a sua morte possa ajudar a consolidação de leis mais severas para os muitos casos de maus tratos e abandono de animais.

O Menino cão
Hoje foi uma manhã com sol fraquinho, com trégua na chuva constante dos últimos dias. Acordei com Dudu em meio ao ritual da preguiça me chamando para levantar, mas o relógio não havia despertado. Embromei mais alguns minutos e ouvi sua barriguinha roncar de fome. Sorri e lhe desejei parabéns pelos seus três meses de vida.
E como já é fato que com o passar dos anos ficamos propensos a sermos condescendentes diante de crianças, cá estou meio avó de Dudu – sem poder ouvir um choro ou um pedido de colo que já paro tudo para atender aos seus apelos. Mas hoje conversei seriamente com Dudu sobre seu aniversário, sobre ele estar deixando de ser um bebê para ser um menino cão.
E o menino cão que se chama Dudu já sabe seu nome, ganha voto de confiança e já retorna das suas andanças no quintal, quando não encontro a ponta de suas orelhas no meio do gramado e grito: Duduuuuu!!! Ele vem correndo feliz, faço a ridícula dança do “muiiiiito bemmmmm, você vai ganhar um petiiiisco”, ele senta e garante um pedaço do bifinho industrializado.
Dudu tem máscara caramelo em volta dos olhos, orelhas de raposa, sendo o restante do seu pequeno corpinho branco como a neve. Não vai crescer muito, já que a raça Podengo Português Pequeno não passa de uns quatro quilos. Aos três meses de pura alegria, sono, fome, xixi, cocô e começa tudo outra vez, Dudu deve ter agora quase dois quilos e uns quarenta centímetros. E como todo filhote, ele é lindo!
Há vinte anos não tinha um bebê cão em casa e há quatro sem animais, pois meu último cachorro, o Cisco, virou uma estrelinha aos quinze anos, em 2014. Foi grande companheiro e sua partida me deixou sem querer bichinhos.
Percebo que algumas pessoas não conseguem entender o amor de humanos e seus animais, mas se aquele do coração mais duro der a oportunidade de um animalzinho indefeso lhe oferecer amor incondicional, deitar encostadinho ao seu lado, ou junto aos seus pés, essa pessoa vai amolecer e se deixar amar.
Foi assim que não resisti mais e Dudu entrou na minha vida. Uma revolução que hoje, aos três meses, por ser seu aniversário, fiz algumas de suas vontades, como ficar deitado no meu colo enquanto trabalho. Também expliquei que já sou uma jovem senhora, meio sedentária e muito sem fôlego para correr por toda a manhã enquanto ele foge com o brinquedo preferido – uma galinha de plástico batizada de Cocó, presente da minha nora e filho.
Sei que preciso ser mais durona, mas vou esperar mais uns dias e até combinamos hoje de colocar em prática uma resolução de ano novo: Dudu vai dormir na sua caminha aos quatro meses. Mas confesso que adoro acordar com aquele focinho geladinho do menino cão no meu rosto, quando estica as suas patinhas para o alto, barriga rosa à mostra e me solicita apenas um carinho de bom dia.
Ah, será que vou resistir?

Texto e foto, Pedro do Rio, Petrópolis, 3 de dezembro de 2018.

 

 

Meu texto no livro “Como se encontrar na escrita”, da Ana Holanda

Uma honra ter um texto de minha autoria no livro “Como se encontrar na escrita” (Rocco/Bicicleta Amarela), querida Ana Holanda.  É muito amor envolvido.
O texto, “O que aprendi ao lavar roupas”, também foi publicado na revista Vida Simples e pode ser lido no pdf das páinas no link: https://passarimcomunicacao.com/2017/03/01/vida-simples-o-que-aprendi-ao-lavar-roupas/

O QUE APERENDI AO LACAR ROUPA
Sonhei com vovó. Sonhei que estávamos conversando e lavando roupa, como antigamente. Aqueles pequenos prazeres em companhia da matriarca da minha família. Acho que meu inconsciente me chamou para retomar aquela história de lavar roupa que comecei a contar há exatos 12 meses, no dia 27 de dezembro de 2015 – naquele dia de calorão de verão como hoje, de sol forte como hoje, de luz intensa como hoje. Lembro que fui interrompida pela pergunta do tio, se eu sabia com quantos anos o pai dele, meu avô, havia morrido. Busquei os documentos e falei: com 42 anos. Jovem, né? Ele me respondeu “eu tinha quatro anos”. Mais tarde, fui interrompida desta vez pela febre alta que ele estava. No dia seguinte perdi o rumo da prosa ao me deparar com a sua morte. Foi triste e não conseguia mais voltar ao texto.

Hoje, exatos 12 meses daquele dia, eu abro o arquivo no computador, apago tudo e, como na vida, recomeço. Olho pela janela e vejo meus lençóis na corda, balançando como naquele dia. Lembro mais uma vez que sou neta de lavadeira, que os ensinamentos de D. Maria da Penha me fortalecem e me ajudam a passar pela vida como neta de lavadeira. Daquela que, após a morte do jovem marido aos 42 anos, criou os cinco filhos menores de idade “lavando roupa pra fora”. Contava suas histórias e apertos enquanto me ensinava como segurar o pedaço da camisa com as duas mãos, os punhos fechados para, num movimento de vai e vem, esfregar o pano em cima do polegar. Tempos difíceis na década de 40, quando tudo que ela sabia fazer se transformou em trabalho para criar os filhos, o menor com quatro anos – o Tio querido que cito acima.

Tenho uma prima que também gosta muito de lavar roupa, como minha mãe também gostava. É hereditário, falamos! Enquanto alguns se divertem com a confissão, sinto um prazer imenso todas as vezes que separo as roupas para lavar – colocar na máquina, esfregar algumas na mão, pendurar nas cordas, esperar secar para “não dormir no sereno”. Costumo fazer isso nos dias que estou bem calma, com tempo, para aproveitar e conversar comigo mesma, até para não espalhar meus pensamentos por ai em voz alta. E quando faço isso, observo os lençóis que balançam ao vento nos fios de cobre e percebo como aqueles movimentos me enchem de alegria, sentimentos que fazem parte da minha infância.

Lavar roupa parece fácil, mas ser lavadeira na década de 40 não era tarefa simples, já que a lavadeira deveria pegar a roupa na casa do cliente, levar para casa, lavar, engomar, passar e entregar tudo limpinho, esticadinho  e cheirosinho de volta na casa do freguês, e tudo sem maquina de lavar ou ferro elétrico. Mas a profissão que foi desaparecendo dos grandes centros a partir do aperfeiçoamento do advento da máquina de lavar, no final do Século 17, começou mesmo a perder espaço por aqui no início do Século 20, quando a industrialização chegou a terra brasilis. Mas lavar roupa, contar histórias e cantar à beira do rio ainda pode ser uma cena comum em algumas poucas localidades do Brasil, no interior de Pernambuco e Minas Gerais, por exemplo.

Dessa tradição, em 1991, nasceu um grupo de cantoras em Minas Gerais, as Lavadeiras de Almenara. Senhoras lavadeiras que às margens do Rio Jequitinhonha fazem seu ofício e entoam as cantigas que aprenderam com suas mães e avós. Cantam para não esquece-las, com o intuito de não deixar a tradição morrer com a profissão, já que através das músicas também contam suas histórias pessoais e de toda uma região do Brasil. E pelas mãos do músico e pesquisador cultural Carlos Farias o grupo de lavadeiras já tem conhecimento em todo o Brasil. Lavadeiras de Almenara também se apresentam em diversos países, como Portugal e Espanha, já gravaram CD e receberam a medalha Ordem do Mérito Cultural em 2010, pelo Ministério da Cultura.

Voltando para os ensinamentos de vovó, minha Maricota, que me ensinava coisas, ela dizia que ajuda de criança e pouco e quem rejeita é louco. E assim, aprendi a cozinhar e a lavar roupa de verdade. Enquanto me ensinava os afazeres domésticos, também me ensinava sobre sentimentos, sobre as pessoas, sobre fazer caridade levando uma água para o padeiro no portão, pequenos gestos do bem, sobre ter um olhar acolhedor para o outro. Ainda hoje, quando vejo minhas roupas branquinhas e limpinhas voando na corda, me lembro da sua sabedoria de gente sábia.

Mas hoje, creio que lavar roupa na mão não seja algo atrativo para a criançada da atualidade, conversar entre família lavando roupa então, extinção completa. Entretanto, vejo que algumas tradições familiares estão sendo resgatadas após gerações de mães culpadas de filhos órfãos. Cozinhar é uma delas. A grande quantidade de programas sobre culinária e o incentivo através deles para que as crianças retornem com seus pais para a cozinha. Mesmo que seja só um apelo para os pequenos saírem da frente da web, para aprender coisas diferentes, quem sabe este seja o pulo do gato para que as nossas jovens famílias retomem a educação através do coração amoroso e sábio da matriarca, do mais velho, do mais sábio.

Hoje, quando estendo minhas roupas penso naqueles ensinamentos à beira do tanque de pedra da nossa casa de vasta calçada, onde colocávamos as roupas para quarar. Ainda me pego estendendo uma toalha de plástico no sol de lascar para esticar uma toalha de banho para ficar bem branquinha, “mas não pode deixar a roupa esturricar, falha gravíssima para uma lavadeira”, dizia vovó. É preciso ficar de olho, ir molhando aos poucos, com uma água rala de sabão dentro de um balde que balança num braço, enquanto o outro parece distribuir alguma coisa ao vento, com movimentos largos para os lados espalha a mistura em cima da roupa já quente como um ovo frito. E, depois dessa movimentação que se estendia por toda a manhã, enquanto o almoço ficava pronto, é preciso recolher tudo e começar o enxague.

Naquela época não se falava em ócio criativo e como todo ensinamento precisa de uma certa prática para ter sucesso, um dia perguntei para vovó como eu ia descobrir que a roupa já não tinha mais sabão, se estava ou não bem enxaguada. Ouvi: minha filha, não precisa gastar toda a água da casa, apenas encosta a roupa na boca e suga a água que ainda está nela. Se tiver sabão, você vai sentir o gosto e enxagua tudo outra vez. Simples assim, Maricota. Obrigada.

E a vida pode ser simples assim: através das conversas à mesa no jantar ou no comando das colheres de pau. Mas o mais importante é estar entre os nossos para aprender, ensinar ou relembrar os “causos” do passado, os acontecimentos do dia anterior. Aquelas situações que pareciam indissolúveis e tiveram solução. Ou mesmo aquelas histórias bizarras de família que você jamais vai esquecer e recontar com a sua imaginação para os seus filhos. Não importa quanto tempo se passe daquela avó ensinando uma neta a lavar roupa, as memórias e experiências de toda uma vida ainda podem mudar o mundo, ou o pequeno mundo que construímos à nossa volta.

Silvana Texto @silvanaespiritosanto (foto arquivo pessoal)
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