Por 365 dias as estatísticas cruéis sobre mulheres, gritam.
Em silêncio! No silêncio! Sendo silenciadas!
Passei o dia das mulheres em silêncio, com o desejo de não ver notícias ou estatísticas. Com vontade de apagar da mente todas as crueldades acumuladas contra as mulheres do mundo. Mas republiquei na outra rede uns vídeos curtos de manifestações pelo mundo.
E destaco o coletivo Las Tesis, criado em 2018 por quatro mulheres Chilenas, que cantam com os olhos vendados, sobre ser mulher e ser violentada de diversas formas. É tão potente que o movimento ganhou as ruas com centenas de mulheres em outros países do mundo em 2019, como em Paris, Austrália, Espanha, EUA e México. As músicas que entoam são textos de autoras feministas em um formato performático. E a música que ganhou o mundo em 2019 é baseada nos textos da antropóloga feminista argentina Rita Segato.
E, enquanto em silêncio, dentro gritava indignada como todas que vão pelas ruas, mas ainda ouvimos silêncios que gritam em olhos abandonados de mulheres que pedem socorro em um canto qualquer do mundo.
E mesmo sem ver, ouvimos.
São gritos das estatísticas da ONU, quando uma mulher ou menina é morta, por seus parceiros ou familiares, a cada 10 minutos no mundo. No Brasil, a cada seis horas uma mulher é morta e, na velocidade do cronômetro de um jogo de futebol, a cada 44 minutos uma mulher sofre violência.
Por que ainda morremos?
Porque o estado de direito não nos defende com leis mais severas.
Por que os homens, em sua maioria, continuam se esquivando da fala em favor das mulheres?
Porque ainda nos tratam como objeto e não como sujeito.
Não vamos desistir de gritar e denunciar!
Cansada, mas com coragem. Silvana
Para ouvir, Elza Soares, Mulher do Fim do Mundo
Texto da newsletter Nós e o tempo em espanhol pelo sensível e talentoso amigo, Junior Medeiros.





