Esse debate acalorado sobre falta de trabalho X vamos realizar os nossos sonhos, rendeu antes e depois da sessão, mas me pareceu muito mais que saber ou não saber escrever. E a questão me fez lembrar a célebre frase de Clarice Lispector, que disse: Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.
E muitas vezes não sabemos mesmo como ir. Mas quando o amigo, a terapeuta e o texto da peça de teatro indicam a mesma coisa? Melhor não estar distraído e tenha certeza que pode ser um chamado.
Foi assim que, de repente, ao falar todos os dias sobre eventos mais sustentáveis, buscando entender o porquê da falta de conscientização de gestores, produtores e afins, criei um projeto para debater o tema, o Diálogos Circulares ESG – Turismo e Entretenimento, que acontece dia 29 de outubro no Rio.
Foi um pouco de Clarice que me encheu de certezas, da minha vocação e do meu talento, para realizar algo tão necessário, e grande: um evento em parceria com a PUC-Rio, gratuito, para 150 pessoas, um dia inteiro e 26 convidados, com nomes importantes e representativos para os recortes que demos nos seis painéis – produzindo com a amiga Betina Dowsley, fazendo a curadoria e todo o restante, sem patrocínio. Foi no, vambora? E Betina, disse: Vambora!
Acredito que o chamado precisa da centelha da coragem, que faz mover a engrenagem do não vou mais esperar, aliada ao mistério da fé na vida, da certeza que vai dar certo. Que já deu tudo certo!
Voltando ao monólogo, ao sair do teatro dei carona para a amiga-atriz, que me disse: Não sou escritora, mas vou escrever o meu espetáculo. Dai, pensei: talvez ela não saiba que é escritora.
Um lindo final de semana. Com amor, Silvana





