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Gratidão e sorte, plantar amigos

O que fazer quando tudo está em crise? E como dar conta da situação atual do mundo, do país, do Rio de Janeiro, do vizinho, do amigo, do parente, daqueles que perambulam abandonados pelas ruas, como as nossas crianças ou mesmo os venezuelanos ou todos os seres abandonados nesta grande diáspora que vivemos? Digo e repito para mim todos os dias “acredita Silvana, acredita”. Por vezes ao menos tenho algo concreto para acreditar, mas acredito. E posso te dizer que dar conta é impossível, mas como dizem os sábios “cante a sua aldeia e cantarás o mundo”. E, assim, tento cantar a minha aldeia, os meus, e percebo que estar fazendo algo pelo outro também ajuda a vislumbrar além do meu próprio umbigo.
Mas é claro que nada é tão simples, que bate uma labirintite, uma falta de apetite, uma vontade danada de dormir, alguém grita que vai deprimir já já. É quando o melhor a fazer é ligar o botão de alerta e aproveitar aquele tempinho que sobra para ajudar na campanha de leite em pó do Inca Voluntários, entrar em um grupo que da suporte, e um ombro amigo, para pessoas que convivem com portadores de Alzheimer, levar o cachorro da amiga para passear ou ajudar outra numa mudança. O que vale é se ocupar e continuar na busca por novas oportunidades, produzir alguma coisa boa, seja o seu trabalho que te paga as contas, seja para ocupar a mente que insiste em dizer que tudo está fora da ordem mundial.
E assim, dentre outras coisas, com um tempinho extra na agenda, voltei a plantar, já comecei a dar mudas de presente aos amigos e busco um curso de jardinagem grátis para fazer em muito breve. Gosto de acordar e ver as florezinhas brotando todos os dias quando o sol chega perto das onze horas da manhã.
Todos os dias percebo mais e mais que ter um tempinho para fazer algo pelo outro é o grande mistério que cabe em nós, no nosso gesto de acolhimento. E hoje agradeço pelos amigos que tenho, pelos amigos dos meus amigos que também tenho comigo, por plantar amigos e acreditar neles, apenas. Sou uma pessoa de sorte. Namastê.

Na foto (de minha autoria), o amigo Shake – Golden do Leon e da Andrea – dorme antes do passeio de domingo, após tentar comer meu tênis. Porque o amor é azulzinho.

Quase tudo

Aceito que tenho sorte, obrigada!
Não fico sentada esperando por dias melhores.
Acredito que somos felizes quando queremos ser.
Quando não está nublado, descubro beleza em qualquer coisa.
Procuro ver o lado bom dos meus amigos.
Falo verdades, quase sempre, quando posso.
Não gosto de fofocas.
Os sons do dia me alimentam.
Choro vendo comercial de sabonete.
Adoro ouvir histórias de desconhecidos.
Não gosto de mentiras, mas as vezes é necessário para a mãe ficar calma.
Costumo fazer tudo ao mesmo tempo e as vezes alguma coisa sai mais ou menos.
As vitórias alheias me dão coragem para seguir adiante.
Gosto de olhar os meus livros na estante.
Desanimo só por um dia ou algum momento do dia.
Nem sempre é fácil pegar a cara, passar na barra da saia, sair andando por aí.
Meu péssimo dia poderia ser um ótimo dia para alguém.
Andar de bicicleta pela orla é pura liberdade.
Sei que não sei de nada.
Mudo de idéia sem culpa, as vezes.
Prefiro branco e azul a rosa ou vermelho. Adoro preto!
Gosto de ler qualquer coisa.
Amo meu filho incondicionalmente e morreria por ele.
As vezes sou muito impaciente com gente lenta.
Faço o melhor que eu posso, pelo menos tento.
As vezes fico muito cansada.
Nem sempre agrado quando quero agradar.
Quase sempre durmo bem tarde.
Estou sempre a espera de uma boa notícia.
Neste momento, meu foco é o agora.
Faço muitos planos para viajar.
Um bom vinho é sempre uma ótima companhia.
Pessoas ainda me magoam.
Acredito nas pessoas.
Não sei se acredito no amor de hoje.
Adoro usar vestido com bota longa.
Queria operar a miopia e tenho medo.
Bons amigos é uma ótima família.
Telefone me deixa com dor de ouvido.
Tenho alergia no outono, mas amo o outono.
Nem tudo que gosto me faz bem.
Adoro São Paulo, Recife, Olinda, Paraty e Paris.
Preciso viajar mais e mais.
Ainda tenho muito para ver e ouvir.
Nem sempre sou fácil de levar.
Espero que a velhice me encontre em paz.
Observo com cuidado pessoas que gostam de se exibir.
Tenho cautela com estranhos conhecidos.
Preciso ser amada como todas as pessoas.
Ouvir o silêncio me comove.
Música alta em ambiente pequeno é um caos.
Amo cachorros.
Preciso aprender viver a dois.
Pago minhas contas.
As vezes queria alguém para pagar as minhas contas.
Vejo que buscamos os nossos erros.
Podemos perseguir as nossas conquistas.
Não tenho certezas, mas sigo.
Se arrepender não é tão grave assim.
Bom estar em família nos dias felizes, nos tristes também.
Muitas histórias estão nas fotos, na minha estante.
Lembro de cada detalhe do que vivi.
Tento apagar as tristes lembranças.
Sigo com fé em Deus!
Procuro ouvir.
Tento aprender.
E agradeço pela sorte que tenho.

Rio, 11 de Maio, 2009
Foto da foto da bolacha da churrascaria, de 2009,
de Silvana Cardoso