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parecia um banho de pequenas gotas
chuva fina
seu rosto coberto de orvalho
minutos também passavam em lentidão
dava tempo para pensar
deixava pra trás algumas dores
não queria mais a solidão
pequena cortina de água, luz e fumaça
buzinas
forte chuva
agora a água lavava seu rosto
suas mãos geladas procuravam abrigo
encontrava ali a dor de estar só
não sabia mais se despedir
longa espera
longo caminho
não partiria mais

Rio de janeiro, 2009
Foto Silvana Cardoso, RJ, Petrópolis, 2018

Presente

Desavisado sentimento que chega enquanto esquece
Margeia, contorna, bate lento, vento leve…
Passeia por entre tempos díspares
Encanta pela lentidão já desconhecida
Encontra amparo, brinca na volta, quando rebate na dúvida
Desavisado sentimento que chega enquanto aquece
Ecoa, por vezes foge
Ah, desavisada canção que toca nas frestas, nas brechas
Brinquedo diferente do tempo que é agora, presente
Presente do tempo para brincar diferente, agora
Sem muito alarde: o presente, o tempo, o vento leve
Brincar de sentir o desavisado sentimento
Que chega enquanto prece

Foto: Silvana Cardoso

Quase Poesia

Sua  poesia inundou meu corpo
Abriu poros, transbordou
Minha pele, suas mãos
Seus sentidos
Suas malicias
Me entrego
Seu suor contamina meu corpo
Beijos passeiam
Pele, química
Nenhum silêncio
Vigília, noite lenta
Sussurros
Manhã molhada
Me perco
Seus olhos me cobrem
Passeiam, sem promessas
Já não responde
Seu gosto na minha boca
Me jogo
Sua poesia corroeu minha alma
Meu vicio
Seu corpo me confundiu
Meu tudo, meu nada,

Quimera
Sem poesia

 

Data indefinida (compilado em dezembro, 2007)
Foto: Silvana Cardoso