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Quase tudo

Aceito que tenho sorte, obrigada!
Não fico sentada esperando por dias melhores.
Acredito que somos felizes quando queremos ser.
Quando não está nublado, descubro beleza em qualquer coisa.
Procuro ver o lado bom dos meus amigos.
Falo verdades, quase sempre, quando posso.
Não gosto de fofocas.
Os sons do dia me alimentam.
Choro vendo comercial de sabonete.
Adoro ouvir histórias de desconhecidos.
Não gosto de mentiras, mas as vezes é necessário para a mãe ficar calma.
Costumo fazer tudo ao mesmo tempo e as vezes alguma coisa sai mais ou menos.
As vitórias alheias me dão coragem para seguir adiante.
Gosto de olhar os meus livros na estante.
Desanimo só por um dia ou algum momento do dia.
Nem sempre é fácil pegar a cara, passar na barra da saia, sair andando por aí.
Meu péssimo dia poderia ser um ótimo dia para alguém.
Andar de bicicleta pela orla é pura liberdade.
Sei que não sei de nada.
Mudo de idéia sem culpa, as vezes.
Prefiro branco e azul a rosa ou vermelho. Adoro preto!
Gosto de ler qualquer coisa.
Amo meu filho incondicionalmente e morreria por ele.
As vezes sou muito impaciente com gente lenta.
Faço o melhor que eu posso, pelo menos tento.
As vezes fico muito cansada.
Nem sempre agrado quando quero agradar.
Quase sempre durmo bem tarde.
Estou sempre a espera de uma boa notícia.
Neste momento, meu foco é o agora.
Faço muitos planos para viajar.
Um bom vinho é sempre uma ótima companhia.
Pessoas ainda me magoam.
Acredito nas pessoas.
Não sei se acredito no amor de hoje.
Adoro usar vestido com bota longa.
Queria operar a miopia e tenho medo.
Bons amigos é uma ótima família.
Telefone me deixa com dor de ouvido.
Tenho alergia no outono, mas amo o outono.
Nem tudo que gosto me faz bem.
Adoro São Paulo, Recife, Olinda, Paraty e Paris.
Preciso viajar mais e mais.
Ainda tenho muito para ver e ouvir.
Nem sempre sou fácil de levar.
Espero que a velhice me encontre em paz.
Observo com cuidado pessoas que gostam de se exibir.
Tenho cautela com estranhos conhecidos.
Preciso ser amada como todas as pessoas.
Ouvir o silêncio me comove.
Música alta em ambiente pequeno é um caos.
Amo cachorros.
Preciso aprender viver a dois.
Pago minhas contas.
As vezes queria alguém para pagar as minhas contas.
Vejo que buscamos os nossos erros.
Podemos perseguir as nossas conquistas.
Não tenho certezas, mas sigo.
Se arrepender não é tão grave assim.
Bom estar em família nos dias felizes, nos tristes também.
Muitas histórias estão nas fotos, na minha estante.
Lembro de cada detalhe do que vivi.
Tento apagar as tristes lembranças.
Sigo com fé em Deus!
Procuro ouvir.
Tento aprender.
E agradeço pela sorte que tenho.

Rio, 11 de Maio, 2009
Foto da foto da bolacha da churrascaria, de 2009,
de Silvana Cardoso

Esquecer, perdoar, deixar no passado

Há alguns anos, um pouco antes da minha avó falecer em 2010, escrevi o texto abaixo. Hoje, ao encontrá-lo, ele foi de extrema importância para acalmar o coração.

Seria sábio esquecer. Seria sábio perdoar.
Creio que assim se faça justiça aos nossos sofrimentos. Primeiro nos perdoar pelas nossas falhas, pelos erros, por sermos errantes de nós mesmos, por uma decisão que naquele momento era o mais acertado a fazer, por não sermos tão corretos como gostaríamos, por não saber como amar aquela pessoa tão diferente dos nossos anseios, por tantas coisas que mapeiam e atormentam o depois do feito. Assim, o perdão de si pode libertar a alma para seguir adiante para o perdão do outro.
Se perdoar aquele que nos fez sofrer, nos deixou numa lama completa não, não é tarefa fácil, imagina  encontrar o próprio perdão.  Muito mais difícil entender como não percebemos que aqueles que amamos, estimamos e confiamos ia nos fazer sobrer. E mesmo sem querer transferir toda a responsabilidade para o outro, passados anos na busca por respostas para o motivo que levou aquela pessoa a nos fazer “aquilo”. Por quê? Mas para que serve tantas respostas? O que pode mudar? Será que alguém, na plenitude da vida e da alma, teve todas as respostas das suas dúvidas? Creio que não. Podemos usar as nossas verdades não como bandeira de arrogância mas como estandarte de sabedoria e esquecer?
Uma vez perguntei para a minha senhora, na plenitude do seu sábio silêncio, já muito idosa, se ela ainda queria saber de alguma coisa antiga, se ela sentia saudades, se queria rever algumas questões da sua vida. Ela me disse que não precisava de mais nada e que ao menos saberia dizer o motivo de ter vivido por tanto tempo. O que ficou para trás não daria mais para resgatar respostas, ela estava muito velha, muitas pessoas já haviam até morrido e de que adiantaria ficar revirando o lixo que alimenta as nossas dores do passado. Por isso devemos deixar no passado tudo que não tivermos resposta. Tentar perdoar e esquecer as faltas alheias. Seguir e esperar por dias melhores.
Sábia senhora que me ensinou a perdoar, calar, amar, esperar e perseverar.
Obrigada Maricota.

Foto: Silvana Cardoso