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Matéria escrita para o Coletivo Mulheres Jornalistas = PROJEtO Instrumental Brasileiras, online e gratuito, até 31 de março

Unidas para promover conhecimento, mulheres da cena da música instrumental se reúnem em evento online

Muitos meses já se passaram desde a primeira live, quando os artistas democratizaram suas artes e abriram suas casas para apresentações intimistas e online, logo no início da pandemia. De lá para cá, quase nada mudou para os profissionais de eventos e da indústria do entretenimento, mas uma lei foi criada para amenizar o impacto da pandemia no setor da cultura do Brasil. Foi batizada com o nome do poeta e compositor carioca Aldir Blanc (1946-2020), vítima da Covid-19, uma das primeiras perdas para a classe artística do país. Com o intuito de apoiar produtores e artistas em uma retomada, mas como o pós pandemia ainda parece distante para o setor do entretenimento, a Lei Aldir Blanc vem sendo utilizada por artistas e produtoras neste início de 2021 no formato online.

Unidas para promover conhecimento, mulheres da cena da música instrumental se reúnem em evento online

E foi a partir da Lei Aldir Blanc que nasceu a primeira edição do Instrumental Brasileiras, evento online que reúne mulheres da cena da música instrumental brasileira. Reconhecidas no Brasil e no exterior, produtoras da riquíssima e diversificada cena, unidas para promover conhecimento gratuito. Fazem parte da programação oficinas de música e engenharia de áudio, produção musical e parte técnica de show e eventos, lives com aulas abertas pelo YouTube, Podcasts sobre álbuns de mulheres compositoras que atuam na cena instrumental brasileira, e um videoclipe em homenagem a Léa Freire, uma das maiores flautistas brasileiras.

Com extensa programação, o Instrumental Brasileiras promove e amplifica a mulher na cena instrumental brasileira como cantoras, instrumentistas, técnicas de áudio e produtoras, como Indiara Belo, idealizadora e produtora do evento. Com o desafio de realizar com a Jasmim Manga uma programação com aulas abertas e oficinas, um videoclipe, o evento online pode ser conferido até o dia 31 de março.

 “O projeto nasceu em 2020, durante a pandemia. Então acabou sendo natural abarcar múltiplas possibilidades desde o começo. Mas a primeira ideia para o Instrumental Brasileiras foi para um festival presencial em Paraty.”, reflete Indiara Belo.

Programação completa e inscrições para as oficinas estão no site – www.jasmimanga.com.br– e nas mídias digitais da produtora, Com base em Paraty, cidade histórica do Rio de Janeiro, conhecida por sua vocação para grandes eventos, como a FLIP (Feira Literária de Paraty) e o Bourbon Festival Paraty. 

“Acabamos nos surpreendendo positivamente com o resultado, pois o online nos permite romper as fronteiras geográficas, aproximar pessoas de territórios distantes. Estão sendo muitos os encontros e a partilha. E é essa a nossa intenção, aproximar, para que o Brasil conheça o Brasil.”, complementa Indiara, que conta com uma equipe feminina que pretende explorar as várias etapas da construção da música instrumental. 

São elas: a cantora Ana Malta (oficina: voz instrumental e improviso vocal com ênfase nos ritmos brasileiros), a multi-instrumentista Carol Panesi (oficina: Improvisação e Criatividade), a baterista e percussionista Georgia Câmara (oficina: Percussões no som instrumental) e a multi-instrumentista, Mariana Zwarg (oficina: Arranjo para iniciantes). Além da parceria com o Mulheres do Áudio, coletivo que promove ações de valorização das mulheres que atuam nas diversas áreas de engenharia de áudio, que ministrarão as oficinas de áudio, com as profissionais: Daniela Pastore, Florencia Saravia, Gabriela Terra e Beatriz Paiva Lino.

E a democratização dos eventos online fortalece e aproxima o universo da música instrumental e das mulheres que nele atuam, para que o Brasil reconheça a música do Brasil.

MANTER O RITMO

Ritmo (no Wikipédia): do grego rhythmós – movimento regular. Designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado. O ritmo está inserido em tudo na nossa existência.

E foi quando a pandemia quebrou o ritmo da nossa existência que o movimento de mudança gerou uma nova rede de apoio e oportunidades. Sim, com muitas perdas aqui e no mundo, mas na busca por reinventar a roda todos os dias.

Mas, por aqui, o ano começou com alguns imprevistos cotidianos que embaralharam a minha rotina. Gosto do meu dia organizado e confesso que precisei me encontrar.

Costumo dizer que o movimento faz movimentar, faz girar as energias do universo, seja para conquistar um novo projeto, ou emprego, ou colocar em prática as resoluções de ano novo (até aquelas dos anos anteriores). O que vale é conseguir começar ou recomeçar.

Por aqui, hoje o exercício foi achar a palavra que traduzisse meu desconforto. E achei: ritmo. Então, mesmo que demore uns dias, encontre o seu ritmo regular para se manter em movimento, para não perder o curso da existência, do seu foco.

Carinhosamente,
Silvana


#passarimcomunicação

#minhavoz

#vamosjuntas

A PRIMAVERA, O CANTO DO SABIÁ E A LIBERDADE

Algumas horas nos separam da nova estação. Alguns dias nos separam do primeiro ano do resto de nossas vidas. Seja no pessoal ou no profissional, o desafiador ano de 2020 abalou as estruturas, misturou os sentimentos, refez diretrizes, mas quem semeou vai colher – seja força e coragem, reinvenção profissional ou crescimento espiritual. Não importa a ordem, quem de alguma forma se fortaleceu com 2020 já está fazendo planos para 2021.

Por aqui, quando agosto chegou com seus ventos gelados para iniciar o semear, e enquanto aguardávamos a chegada da primavera, além da semeadura chegavam os pássaros enamorados. E neste agosto, enquanto o home office já era fato numa jornada desleal para muitos, lá fora, o balé e o longo canto do sabiá laranjeira ecoou como todos os anos. Foi a liberdade de ser pássaro versus a prisão de ser humano versus a fumaça das queimadas que dividiu em dois a tragédia do nosso país, com queimadas e Covid-19.

Para muitos o home office é um sofrimento, para outros, a liberdade das amarras do cotidiano profissional. Mas quando se trabalha em casa há mais de uma década, independente, é preciso gostar de cotidianos, da disciplina do plano do dia. E eu gosto. Mas de todas as conquistas que mantiveram a minha carreira em ordem com a liberdade almejada por muitos, algo ainda me faz falta: o dia-a-dia com a equipe.

Mas aqui tivemos equipes organizadas revoando com a chegada da primavera. Trazem aprendizados com a migração, assim como estamos tentando novos aprendizados nestes últimos meses. E por aqui, mais observação menos falação, alguns ninhos em volta da casa, mães desesperadas para alimentar seus bebês pássaros, misturado a saudades diversas que foram sendo diluídas à conta-gotas.

E quanto a liberdade? Bem, Santo Agostinho, um grande filósofo e teólogo que falava do livre arbítrio, disse: não importa se estamos presos, a liberdade está dentro de nós. E nestes últimos meses observar os pássaros ajudou a amenizar dúvidas e acreditar que a cada estação temos muito a aprender, como ensinar um filhote a comer e a voar, enquanto ele se fortalece.

Na foto, nosso pequeno Josué, que em breve seguirá na essência do que chamamos de liberdade. Verão, seja bem vindo para todas as pessoas.

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2021.