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Cartas e fotografias

Acredito que ouvir faz parte do caminho de aprender e ontem fui ouvir e aprender no enconro com a amiga-querida Ana Holanda (www.anaholanda.com.br). Durante o dia, emoções e desafios para uma turma repleta de mulheres maravilhosas e corajosas, expostas com os seus anseios. Quase ao fim do dia, no slide, uma foto com algumas cartas empilhadas. Ana diz: “Olhem a imagem e façam um parágrafo em dez minutos”. Hoje com o peito repleto de gratidão por tanto partilhar, exponho aqui o pequeno texto “Cartas e Fotografias”.
Trouxe na mudança o que era mais importante e isso incluia uma daquelas caixas antigas de camisa, repleta de fotografias do casamento. Mamãe estava doente e já não poderia morar mais sozinha. Optei por levar suas coisas para a minha casa como se fosse uma pequena viagem, sem ela perceber que estava em outro endereço. Sua memória já confusa pelo Alzheimer não apagou momentos felizes como contidos naquela caixa de fotos do casamento, com cartinhas, bilhetes e postais que papai enviava quando namoravam. Enquanto revirávamos a caixa, e as lembranças, mamãe remontava o seu quebra-cabeças de memórias felizes. E, naqueles dias, foi bom vê-la feliz por alguns instantes.

Foto da foto do casamento da mamãe (Jacy) e do papai (Antônio Hilton), em 1963.

 

Uma homenagem | Amor

Na semana “Dos Pais”, um texto antiguinho para lembrar que no próximo domingo estarei no Espirito Santo me conciliando com o  lugar que meu pai amava, após 39 anos.

Hoje acordei e inevitavelmente era Dia dos Pais. Sempre acordo meio aborrecida culpando o comércio, mas hoje fiz diferente e foi bom perceber a celebração da vida, desse retribuir de afeto – aquele que o filho recebeu, aquele que o pai deu sem pedir nada em troca. Apenas uma data como tantas outras, mas as vezes é bom ter uma data.
Hoje acordei e descendo a rua vi o movimento de pais orgulhosos e suas crias. Na mesma calçada vi uma filha que parecia chegar de longe para a comemoração deste ano, outra adolescente que andava de mãos dadas com o pai e os dois estavam uniformizados com a camisa do Flamengo. Imaginei aquele pai a espera de um belo garoto para bater uma bolinha, mas ele não me pareceu menos orgulhoso com a garota vestida com a camisa do time do coração.
Hoje percebi pais e filhos de todas as idades, pois a rua estava cheia deles, felizes e repletos de carinhos diversos. Fiquei lembrando dos meus amigos e seus filhos, alguns com filhotes ainda pequeninos. Pensei no longo caminhar que ainda terão a partir de então, mas também pensei no quanto a vida é feita dessa convivência. Da trabalho, cansa, mas faz parte da continuidade e faz parte também não desistir deles, por nada neste mundo. E vamos protegê-los, mesmo que não sejam pequeninos, como quando precisávamos falar “dá a mão” para atravessar a rua.
Dia dos Pais é acordar com as lembranças de uma garotinha que voava à frente de uma bicicleta imensa, sentada numa cadeirinha com almofada branca, com franjas e flores verde bandeira, conduzida pelo seu pai. E a menina que ainda mora em mim não lembra com detalhes desses passeios, mas sim da sensação do vento na cara e, como relâmpagos,  casas, pessoas, ruas e carros que passam voando pelos meus olhos.
Hoje só quero dar um abraço nos meus amigos para homenagear o meu pai que partiu jovem, aos 46 anos.

 

Escrito e enviado para amigos em 14 de agosto, 2011. RJ, Humaitá
Foto: Parque Lage, 2016