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A nossa fé e a fé no outro

Nem sempre é fácil ter fé no outro diante das inúmeras atrocidades humanas, sejam os atentados da última era do terrorismo que vivemos ou mesmo diante dos políticos do nosso país. Mas a verdade é que ter fé ainda nos salva a ter fé de que algo vai melhorar. Sou cristã e espiritualista de formação familiar, mas descobri que acreditar que tudo dará certo é muito mais difícil que crer no subjetivo.
Um dia ouvi que na Alemanha não era preciso ter fé, pois lá tudo funciona perfeitamente para a população. Imagino que isso facilita acreditar que o ar, a água e o sol é tudo que se precisa para viver em paz, quando segurança, educação, saúde e as lei que protegem o cidadão estão em dia. Mas como acordar sem fé no Brasil? Mesmo que eu estivesse na Alemanha ficaria de lá rezando, mantrando, orando, meditando por vós, por nós e por todo o planeta em declínio.
E hoje foi um dia de fé aqui no bairro, já que 8 de setembro é dia de N.Sra da Penna, santa protetora das artes, das ciências e das letras, padroeira da imprensa, que descobri por causa da Tia. Ninguém da minha aldeia profissional a conhece e isso me faz lembrar daquela brincadeira do novo Zorra (programa da Rede Globo), quando Deus resolve questionar a falta de devotos de um determinado santo. Se “Jacarepaguá é longe pra caramba”, já diz a música, imagina conhecer nossa-senhora-da-pena, que fica na Freguesia, uma igrejinha mínima encrustada lá no topo de uma pedra.
Mas hoje o pátio do lado de fora da igrejinha é coberto especialmente para a data, fica lotado para a missa, que nos últimos anos, neste dia, conta com a celebração de Dom Orani. O evento começava às 11 horas, a fila do teleférico estava imensa e subi a pé todo o “morro”. Cheguei derretida e, por sorte ou fé, tinha uma cadeira vazia bem ali na primeira fila, a minha espera.
Deixo de lado as minhas diferenças com a Igreja Católica Romana (prefiro os Ortodoxos) quando o assunto é Jacarepaguá ou Santo Antônio, e ali estava eu de frente para a imagem. Pensava o quanto era estranho ter uma santa que “tecnicamente” é a protetora de uma classe em maioria de ateus ou agnósticos, mas segui ouvindo Dom Orani Tempesta, o Cardeal Arcebispo da nossa cidade. Ele falou sobre o perdão, sobre dar o primeiro passo em direção ao outro, aceitar o outro, sobre as intolerâncias que estamos presenciando mundo afora.
Fiquei ali olhando aquelas pessoas, olhando todos nós, entre crianças e o Sr. José Augusto, fotógrafo e homem de fé, que usa uma máquina analógica e de joelhos faz as imagens na hora da comunhão. E fiquei ali com aquela energia de amor e paz que me fez pensar o quanto me ajuda ter uma fé inabalável nas energias boas do universo e, acima de tudo, ter fé no outro.

Foto: Silvana Cardoso