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O exercício era: escrever uma carta, cujo narrador é um personagem histórico.

Querido Pai,
Trago notícias e venho por meio desta dividir a minha aflição, pois parece que tudo deu errado nos nossos planos. A concepção de uma nova era a ser contada a partir da minha chegada neste planeta azedou de vez e tudo que combinamos fazer por amor ao próximo vem se transformando em ódio ao próximo. Aquelas barbáries cometidas nas arenas da Idade Média agora são transmitidas via satélite. O Senhor sabe o que é um satélite? Se não, deveria se aprimorar, pelo menos em conter o poder que deu aos homens de boa vontade, pois estão se matando sem piedade e em larga escala – via satélite.
A fome e as pestes estão por todo os lados outra vez e a penicilina já não da conta de manter tanta gente viva, assim como a intolerância mata em teu nome, seja lá qual nome querem te nominar. A velocidade para espalhar medo é tão grande que, para te dar uma noção do que estou falando, meus doze amigos e seus seguidores não sobreviveriam por um dia sequer nestas terras que o Pai me deu. Os inventos diminuíram as distâncias entre os continentes mas, com o tempo, descobriram que poderiam dominar as pessoas e assim se fez a colonização dos povos inferiores. E fizeram escravos e a descolonização gerou guerras e mais guerras. Povos foram dizimados, isolados e continuam em busca de paz e comida pós descolonização. São agora reconhecidos como Terceiro Mundo.
Também não tem comida para todos, meu Pai. Tem muita gente por aqui e continuo a vagar por ai, mas já não me reconhecem e, enquanto falo de amor e paz em Teu nome, crianças morrem de fome e o desamor é a palavra de ordem. Cada um por si, Deus por todos, é o lema. Cada um precisa livrar a sua pele e a química veio para salvar, para criar zumbis e, agora chegou a notícia da droga “dos canibais”. Melhor mesmo é uma que anestesia, em larga escala, para livrar o homem da dor do universo tão infinito. Mas o Senhor deve estar sabendo que, além de tudo isso, agora temos a busca do transumano. Serão “imorríveis”, olha que beleza! E quando tudo der errado por suas próprias escolhas, ao menos vão precisar chamar por Teu nome e isso pode ser uma vantagem.
Mas tenho uma questão grave neste nosso projeto para questionar: qual o motivo do Senhor deixar aquele astronauta da Apollo 8, na véspera do meu aniversário de 1968, por um acidente, registrar a imagem da nossa morada planetária? Perdão a palavra, mas não acreditei quando vi aquela bola azul brilhante, que se fez verdade para aquela teoria da era antiga de Pitágoras, o Grego, que diz ser uma esfera onde habitávamos.
Uma vez ouvi de uma sábia senhora que a ignorância é uma dádiva. Pois é, assim somos apenas a Terra, linda, redonda e azulada, nada menor ou maior para dominar. Na verdade somos apenas, e Eu me incluo, já que estou aqui a falar para as pareces, trilhas humanas como formigueiros em busca de comida para sobreviver até a próxima estação – enquanto outras formigas morrem alagadas, na seca, esmagadas, neste mesmo universo criado por Ti.
Perdão a momentânea desesperança, mas preciso confessar que percebo que falhamos.
Mas ainda creio em Deus Pai, Todo Poderoso.
Com amor, seu filho.
Jesus

RJ, Novembro, 2016
Foto: Silvana Cardoso

Universal Music | Música

Em 1999 fui convidada, por Marcelo Castello Branco e Edison Coelho, para fazer parte da equipe de marketing da gravadora número um do Brasil, a Universal Music. Assumi as gerências de vídeo e da coordenação de Marketing, onde fazia o elo com o depto artístico e demais gerências para realizar a produção das gravações de projetos, como Casa de Samba. Planos de mídia, atendimento aos Selos distribuídos e a produção dos eventos do departamento de marketing para os lançamentos de artistas, como: Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo (primeiro CD solo), João Gilberto, Caetano Veloso, É o Tcham, Cheiro de Amor, Cássia Eller, e muitos outros nomes da nossa MPB. Em 2000, a consolidação do novo formato digital que revolucionou o mercado mundial da música, o DVD. De  imediato, para inaugurar a nova fase do mercado, o primeiro DVD da gravadora (já com telas de navegação) foi do show Prenda Minha, de Caetano Veloso. A grande festa de lançamento, para 300 convidados, também era a comemoração pela marca de 1 milhão de cópias vendidas do CD homônimo. A partir daí, realizamos inúmeras gravações de shows inéditos, como “Cassia Eller Acústico MTV” e “Sandy & Junior – Quatro Estações”, abrimos o arquivo da gravadora e relançamos em DVD os primeiros VHS de Zeca Pagodinho, Sandy & Junior, Cássia Eller, Zizi Possi, dentre tantos outros. Foram quase três anos, intensos, entre o Departamento de Marketing e o de DVD, que me fortaleceram como profissional.  Já fora do quadro de funcionários, fui convidada para coordenar o DVD Jorge Ben Jor Acústico MTV (gravação e entrega do produto). Trabalho dinâmico e enriquecedor, que me traz saudades diversas.