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ESTREIA DA ORQUESTRA DE MENINAS CHIQUINHA GONZAGA

Elas estavam ensaiadinhas e super animadas para a estreia no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, no Rio de Janeiro. Mas, por conta das medidas restritivas do município naquela semana, o sonho foi adiado.
Mas amanhã, 4af, 16 de junho de 2021, com um friozinho na barriga e um imenso prazer, vamos acompanhar o concerto de estreia da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, composta por 52 meninas entre 8 e 17 anos, estudantes da rede púbica de ensino da cidade do Rio de Janeiro. Sob a batuta da maestrina Priscilla Mesquita, a apresentação que acontece às 19 horas, conta com a participação mais que especial da cantora Elba Ramalho e do Coro Laboratório Juvenil do Rio de Janeiro, composto por 30 meninas.
Sem a presença do público, a estreia acontece com transmissão pelo canal www.youtube.com/orquestranasescolas, ao vivo do Imperator – Centro Cultural João Nogueira, tradicional teatro do Rio de Janeiro, situado no bairro do Meier.
Com patrocínio da Uber, a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga é um desdobramento das integrantes da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca, programa do Instituto Brasileiro de Música e Educação, que busca modificar a vida de milhares de crianças, adolescentes e jovens em diferentes municípios do estado do Rio de Janeiro, com a transformação social por meio da educação e da música.

Parte do elenco em ensaio da OSJ Chiquinha Gonzaga em foto de Rafael Ribeiro

MATéria produzida para o coletivo mulhetes jornalistas

PROGRAMA ORQUESTRA NAS ESCOLAS DEVERIA ESTAR ESPALHADO POR TODO O PAÍS
http://mulheresjornalistas.com/?p=2295

Conhecer Moana Martins é acreditar que tem muito mais pessoas fazendo o bem que podemos imaginar. E esse “muito mais” já soma milhares de jovens, crianças e professores, impactados com o Programa Orquestra nas Escolas (https://www.youtube.com/orquestranasescolas), projeto do Instituto Brasileiro de Música e Educação, que a professora coordena junto à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. E assim como estes jovens, a pianista que também tem formação em Etnomusicologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é do interior da Bahia e conheceu a música ainda menina, numa escola pública. Sua escolha por se tornar uma musicista mudou o rumo da sua história. Mas Moana abriu mão de uma carreira de artista, com uma possível carreira internacional, para se dedicar a “transformar vidas e famílias através da música e da educação”, como costuma dizer. 

Filha e de uma família simples, Moana relembra sua vida de menina. “Eu e a minha irmã Morgiana somos muito amigas e parceiras. Na infância e adolescência nos criamos mutuamente. Meu pai saía para o trabalho e nós cuidávamos da casa, íamos juntas para a escola e cuidávamos uma da outra. Tenho a alegria de ter sido sua primeira professora de piano e, quando, no interior da Bahia, constituí minha primeira escola de música, ela era a melhor professora de piano da instituição, aquela que fazia os alunos se apaixonarem pela música.”

Determinada, a baiana do “Maior Povoado do Mundo”, slogan do município de Eunápolis, povoado criado a partir da finalização da construção do ramal de acesso da rodovia que ligaria Porto Seguro a atual BR-101. Mas aquele povoado, assim como a pianista, desejava crescer e foi emancipado em 1988, dois anos antes da estudiosa Moana se radicar no Rio de Janeiro, onde cursou seu bacharelado em Piano pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-RJ). E foi no Rio de Janeiro que a pianista concretizou projetos como o Orquestra nas Escolas, que tem Concerto de Natal no dia 15 de dezembro, transmitido ao vivo direto da Cidade das Artes, às 19 horas, pelo canal do programa www.youtube.com/orquestranasescolas. “O Programa Orquestra nas Escolas traz consigo a tecnologia educacional do Som+Eu, o primeiro projeto que iniciamos aqui no Rio de Janeiro, no Morro da Providência. Hoje é um grande mosaico, porque tem sido forjado e aperfeiçoado por instrumentalidade de muitas mãos, inclusive professores, gerentes de  educação e servidores da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.”, declara Moana.

Desde 2017 o projeto viabiliza o conhecimento, o estudo e a formação de jovens como músicos de Orquestra, inclusive o Programa promove também a ajuda financeira para a aquisição do instrumento musical do estudante. Programa ousado para um município com tantas diferenças como o Rio de Janeiro, mas após apenas três anos, já possui dezessete orquestras, que assinam com o nome de Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca, a OSJC, que tem a grandiosa Cidade das Artes como sua “casa” de ensaios. É de lá que estão sendo transmitidos alguns concertos, a partir dos estudos à distância, durante o período do isolamento social, como o que homenageou Tom Jobim, em setembro, a ópera O Morro Canta Canudos, em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra e o Concerto de Natal, Só Risos. Apresentação da OSJC que acontece no dia 15 de dezembro com o Unicirco Marcos Frota.

“Desde o início da pandemia nós tínhamos essa certeza no coração: não podemos de maneira alguma calar, deixar calar a música dos meninos e meninas. Precisamos reinventar nossa maneira de vivenciar essas atividades e continuar oferecendo aos alunos as condições de aprendizagem. A gente foi encontrando  junto com as crianças e os professores a forma, o tempo, como manter a chama acesa até que isso tudo acabasse. Íamos fazendo o planejamento mensal das atividades. No dia 16 de março foi o primeiro dia de atividades remotas e de lá para cá não paramos um só dia.

Posso dizer que tivemos um crescimento exponencial em números de participantes, nas ações de divulgação do projeto, no crescimento musical dos meninos. Está na fala dos próprios jovens músicos e de suas famílias: o vínculo foi mantido e hoje somos um coletivo ainda mais unido e fortalecido.”, reflete Moana, como a Coordenadora do Programa Orquestra nas Escolas.

Com a ideia central de promover a experiência do conviver, do conhecer e de reconhecer suas potencialidades, o Programa busca preparar estes jovens para viver em sociedade como cidadãos autônomos, críticos e solidários. Assim a pianista busca mergulhar os estudos desses jovens em repertórios de artistas como Moraes Moreira e do maestro Tom Jobim, este último em parceria com o Instituto Antonio Carlos Jobim.

“O projeto Tom nas Escolas foi um presente maravilhoso, que teve como inspiração o nosso grande arquiteto dos sons, nosso maestro brasileiro. As músicas do Tom Jobim, recheadas de tão grande riqueza poética, foram recebidas pelos meninos e meninas com muito entusiasmo e rememoradas  pelas famílias com um tom de saudade e de memórias.

Recebi centenas de depoimentos incríveis, mas gostaria de compartilhar apenas um, que ouvi de Josué, um dos violistas da OSJC. Ele disse: como eu pude viver até hoje sem ouvir essas músicas? Não consigo desapegar, quando mais eu ouço, mas eu viajo, são tantos os pensamentos…”, reflete Moana, que completa. “Na espera do ensaio, eu e Josué passamos uns 30 minutos conversando. A gente compartilhou as paisagens que vinham à nossa cabeça a partir das músicas do Tom Jobim.  E sobre os shows com as divas Maria Luiza Jobim e a Leila Pinheiro foram momentos inesquecíveis para mim também, principalmente porque as músicas do Tom são a trilha sonora da minha vida.  Tenho uma grande alegria na minha vida e me realizei mais uma vez nos concertos do Tom nas Escolas, nossas orquestras estavam lindas. Ver os meninos e meninas apresentando a Educação Pública para o mundo, na sua perspectiva plena, me faz devanear.“

Mas todos os braços que trabalham para unir música e educação não são suficientes para manter o tamanho do sonho de Moana, em espalhar orquestras   e transformar vidas. A partir deste entendimento a intensa busca por patrocínio, para viabilizar a parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Foi assim que uma empresa se uniu ao projeto, como conta a pianista. “A Uber acreditou na capacidade de transformação e desenvolvimento social potencializado pela  OSJC e o Programa Orquestra nas Escolas, quando ainda não estávamos deste tamanho e neste nível de desenvolvimento. Em 2019 a empresa nos ofereceu a infraestrutura necessária para potencializar o desenvolvimento das crianças e jovens. Hoje nós somos o maior programa de Música e Educação do Brasil, em número de beneficiários e ações sócio-educacionais. Temos  muita gratidão ao patrocínio desta empresa e acreditamos que ainda há muito para fazer juntos pelas crianças e jovens do Rio de Janeiro, estendido às suas famílias e suas comunidades.”, reflete Moana.

Domingo, 29 de novembro, dez e vinte da manhã. Dia e horário que recebi pelo telefone o retorno para as perguntas desta matéria, encaminhadas na véspera para a pianista. A resposta dizia: “Vim à São Paulo buscar uns instrumentos para as violinistas do Lins*, são pequenininhas e os instrumentos que temos estão inadequados pra elas. Volto amanhã cedo, logo que a loja abrir. Respondo tudo à noite.” Sim, esta é Moana Martins cuidando dos seus meninos e meninas do Programa Orquestra nas Escolas. Viva ela!!

 *Lins de Vasconcelos é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde  alunos de uma escola do município participa do Programa Orquestra nas Escolas.