Silvio Tendler | Caliban Prod.Cine- matográficas | Cinema

Em 2004 iniciei minha parceria com o cineasta Silvio Tendler, quando realizei o lançamento nacional do documentário Glauber – Labirinto do Brasil, quando era sócia na Ciranda. A partir daí, um encontro profissional e de grande amizade foi contruido, pontuado também pela parceria com Ana Rosa Tendler e a Caliban, a produtora do Silvio, dirigida por Ana. Coordenei as estreias de documentários de Tendler, como Utopia e Barbárie e Milton Santos, além do documentário Hotxuá, de Letícia Sabatella e Gringo Cárdia, quando todo o processo de lançamento foi realizado pela Caliban – circuito, marketing, comunicação, comercialização e festivais. Além do pré-lançamento de Tancredo. Em 2016, realizei pesquisa para roteiro de documentário, ainda em fase de aprovação. Por isso, ainda inédito nesta página. Já já vamos contar, prometo.

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Arrumar os armários ou arrumar a vida

Vou organizar o meu armário! Pensei, ao me deparar com o dia geladinho e clarinho de outono. Todo mundo parece gostar de outono – seu colorido e nuances de laranja. Não é diferente comigo. Mas o que a estação repleta de vento fresco e noites estreladas também me propicia é a mudança do armário. Isso mesmo, aquele movimento de trocar a gaveta dos biquínis pela gaveta das meias-calças de algodão, mesmo sem deixar de ir para a praia. E esse movimento precisa acontecer quando paro de sentir aquele calor de fritar ovo na calçada.

Assim, o movimento de hoje me fez lembrar do amigo que organizava uma “faxina pesada” no início desta semana, coincidentemente (arram) após ter finalizado um relacionamento. O amigo está em paz e a limpezinha estava animada de verdade. Isso faz lembrar alguma coisa? Pois é, sem querer ou perceber precisamos faxinar, arrumar ou organizar a casa ou os armários, mas o movimento precisa ser de dentro para fora e honesto.

Um dia, quando troquei a casa grande e repleta de armários por um quarto na casa dos tios, meu objetivo de dar um tempo de tudo que era conhecido nos últimos trinta anos. Pensava em voltar a estudar fora, ou perto, ou quase longe; precisava estar desocupada das milhares de contas para pagar; de tarefas; ter mais tempo para não fazer nada; brincar de carrinho com meu afilhado; passar uns dias na serra; ler muito; deitar e olhar para o teto. Hoje, no domingo geladinho e quase ensolarado, fui rever estes últimos meses no armário apertado no quarto que foi um dia da vovó.

A minha busca pela conquista de mais duas gavetas levou minha Tia fazer um movimento de ação, que gerou um entra e sai do quarto e um vestir e tirar de roupas, uma troca de coisas em seus espaços habituais. Acho que ela estava sem arrumar qualquer armário ou sentimento nos últimos dez anos, tempo que soma o cuidado com a minha avó, com o meu tio e a sua própria mãe, tendo os dois últimos partido entre dezembro e abril. Fiquei emocionada.

Olho para ela e vejo que a tia esticou, parece que remoçou, parece que vai seguir e reconquistar as suas gavetas, suas portas de armário, a sua vida esquecida enquanto cuidava dos seus, dos meus.

Penso que às vezes não precisamos ir muito longe para reconquistar nossa liberdade ou para sermos nós mesmos. É preciso perceber esse movimento e ir à luta para dar uma faxina geral ou uma arrumada nas gavetas e, com sorte, correr para colocar aqueles vestidos de meia-estação na gaveta nova.

E quando me perguntam sobre liberdade, respondo: hoje quero fazer caber tudo que sobrou das minhas escolhas em duas portinhas fininhas e nas novas três gavetas conquistadas pelo amor. Quanto à liberdade? Carrego comigo, como estado de espírito.

 

Rio, 1 de maio, 2016
Silvana Cardoso | Texto publicado no Facebook
Foto: Silvana Cardoso

Herança de Mim | Artigo Site Eu Vejo Beleza

Quando acordamos para a nossa história, percebemos que parte dela está no DNA que carregamos; daquela cintura fina e corpinho esbelto da mãe, mas também das tristezas e angústias que ela carregava no dia a dia; do humor ácido e maldosamente divertido do pai; da generosidade e acolhimento ao outro da avó; do amor pelos bichos do tio. E assim somos um pouco de todos que nos fazem parte. Com o tempo, vamos ficando mais parecidos com todos eles, mesmo que no fundo sejamos nós mesmos. Quantas vezes alguém fala que você é a cara da sua mãe e você diz com todas as letras: EU? Pois é, você se parece com a sua mãe, na aparência e, se deixar, nos piores defeitos, naqueles que você sempre suportou pelo simples motivo de não poder mandar a sua mãe pastar, catar batatas ou algo pior. Toda herança genética, aquela que o médico coloca na ficha quando você vai fazer um check up – a probabilidade do câncer, da insuficiência cardíaca, da diabetes, ou todas as outras-, não são tão temerosas quando a de ser uma pessoa triste, sem perspectiva, sem amor a vida.  Tive um câncer em 2014 sem nenhum diagnóstico de câncer na família, convivo bravamente com a sua ausência mês a mês, mas a minha maior batalha foi encontrar beleza na vida, na luz do dia, algo que não havia em minha mãe. E como diz Miriam, minha grande-sábia-amiga “presta atenção, pois somos cópia de nossas mães”.  E assim, fui buscar um caminho diferente para achar amor à vida, sem perder o meu DNA. Hoje, quando olho para o tempo, para o que vivi, as vezes triste, penso que o DNA fala mais alto, mas acredito que podemos dar um duplo carpado e mudar o caminho, a história.  É um exercício, mas assim sigo.  Hoje, após uns meses de perdas diversas, acordo animada para espremer minhas duas laranjas, que a tia deixa (com amor e cuidado) em cima da mesa, coloco meus mantras, músicas sacras ou algo parecido no meu som, pego minha misturinha de comida para pássaros, abro o portão e atravesso a rua. Olho em volta, envio beijos para o céu, na direção da tamarineira, do flamboyant, e entro na praça. Rolinhas, viuvinhas, canários, curiós e pombos (claro), começam a revoar, acompanham meus passos, se postam por perto a espera da iguaria que lhes dedico todos os dias pela manhã.  Herança de vovó, que fazia migalhas do miolo de pão do café da manhã e, de dentro do avental, distribuía a saborosa comida aos pássaros no nosso quintal. Herança que passou para o tio-querido, que se foi em dezembro último. Herança que herdei com amor, com DNA do ser feliz, do acreditar que podemos ser pássaro – livres e cantantes. Passarim de mim para o meu DNA seguinte (Diego). E sigamos a cantar por aí.

Silvana Cardoso | 27 de fevereiro, 2016

Publicado emhttp://euvejobeleza.com.br/historias-inspiradoras/heranca-de-mim/

Caesar – Como Construir Um Império | Teatro Sesc Copacabana RJ

Estrelada por Caco Ciocler e Carmo Dalla Vecchia, o espetáculo Caesar – como construir um Império, cumpriu curta temporada no Espaço Sesc – Arena (RJ), de 12 de fevereiro a 6 de março de 2016. Sucesso de crítica e público, a montagem, do clássico “Julius Caesar”, de William Shakespeare, tem adaptação e direção de Roberto Alvim e trilha original composta pelo filósofo Vladimr Safatle.

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Almoço de Domingo

Os últimos meses foram no melhor estilo “deixa a vida me levar”, que nem sempre é fácil. Mas adoro domingo e hoje planejei ir a praia, mas Diego pediu o carro para procurar um “gabinetizinho” de banheiro. – Mas tenho que estar de volta às 12h30 por causa da GVT. Isso quer dizer que não poderia ir para a praia até lá, o que seria o mesmo que concluir que não iria mais para a praia. Quando ele já estava de saída, perguntei: quer cia? O que levantou uma onde festiva de “pode-ser-bom”, “mas você quer?”, “vamos”, “preciso-voltar-bla-bla-bla”. E tudo se transformou naquela antiga e conhecida confusão “vamos-logo-mãe”. E como acreditar que eu trocaria a praia pela Leroy-Amoedo-Makro? Troquei, claro. E conversamos muito também, claro. Depois da correria, voltamos para a casa dele nos exatos 12h26 e ofereci fazer o seu feijão, Diego achou “um filminho que eu ia gostar de rever”, me deu umas cervejas, o feijão só tinha gosto das vinte mil linguiças que ele cortou, conversamos enquanto o almoço era feito, o filme passava e fui ficando tonta, e com fome, a entradinha foi tabule com nirá, que havia deixado na geladeira dele ontem à tarde, e fui ficando tonta, e conversamos, claro, enquanto o filme rolava e comemos um lindo almoço de domingo: feijão, arroz e nuggets. Pois é, sem planejamento é ainda melhor, claro. Minha mãe dizia – você é muito agitada para essa criança. Quando eu respondia que ótimo, alguém – sem cobrança. Apenas um filminho, uma cerveja, uma atenção. Passei mais de dois terços da minha vida – corrida – em sua cia. Ele é uma paz.

Amor é uma palavra que não se explica e sim um sentimento que se vive. E fiquei emotiva, claro.

 

25 de novembro, 2015

 

 

Matheus Nachtergaele | Processo de Conscerto do Desejo | Teatro Poeirinha RJ

Matheus Nachtergaele estreou no Rio de Janeiro o aclamado “Processo de Conscerto do Desejo”, dirigido e encenado pelo ator, em novembro de 2015, no teatro Poeirinha. Acompanhado pelos músicos Luã Belik (violão) e Henrique Rohrmann (violino), Matheus recita textos de Maria Cecília Nachtergaele, mãe do ator, falecida em 1968. Após a estreia nacional no Rio, no primeiro semestre de 2016 foram mais duas temporadas e alguns festivais e o espetáculo estreou no Sesc Pompéia, em SP (onde o trabalho de assessoria foi realizado em parceria com a assessoria do Sesc). Em julho do mesmo ano, na FLIP – Festa Literária de Paraty, duas apresentações para o Sesc Paraty marcou o lançamento de “A Mariposa”, livro com os poemas do espetáculo, seguido de apresentações para lançamento do livro na Cidade das Artes, RJ.

 

Foto: Leonardo Aversa

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