Alguma Coisa | Texto Livre

Arrumei os armários e as gavetas. Precisava encontrar alguma coisa. Ainda na procura insana e desavisada, não fui além da exaustão. Calças largas de listras finas e camiseta branca, descalça. O que procurava?

Costumo empilhar as muitas letras na cadeira do quarto, para que a viagem que nelas encontro me garanta a segurança necessária dos dias isones. Procuro arruma-los, deixar tudo numa desordem ajustada para quem olha de soslaio. Algumas roupas também ficarão na cadeira, para me lembrar que estive por aqui e ali, sem tempo. Encontro na desordem a ordem de estar aqui.

As letras consomem alteram o sono passeiam pela desordem discorrem pelos sonhos que não lembro muito bem ao acordar. Gavetas e armários, coisas, papéis, escritos e mais e mais e tantas outras que não lembro de quais ainda guardo comigo.

Pessoas, guardo pessoas, para deixar-ir-seguir-voltar-partir-ficar.
E enquanto guardo nas gavetas do armário, perco o que procurava.

RJ, 29 de março de 2009
Foto: Itaipava, Silvana Cardoso

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