Sonho de São Luiz | Amor

– Ô Galega, vamos para São Luiz? A gente pega uns três dias por lá e fica ali pelo Sítio Histórico. Tem um hotelzinho bacaninha que já fiquei. Vamos a Alcântara. Vamos namorar e tomar café da manhã juntos. A gente anda por lá. Acho que você vai gostar, minha bela!
– Vamos. Vou adorar conhecer São Luiz pelos seus olhos e quem sabe você conhecer algo novo pelos meus. E assim andaremos na sua praça; e compraremos tanja-limão; descobriremos a Rua do Sol que se encontra com a Rua das Flores.
E Alcântara conheceremos juntos: e podemos deitar à sombra do fícus que insiste em ter sede ao fundo da ruína; e na Casa de Cultura a moça-guia se espantará por você não lembrar do ovo de madeira de cerzir da vovó, aquele que sumiu. E quando o tambor de crioula cantar para mim pelas mãos do Seu João, dentro da Igreja do Rosário dos Pretos, você me consola?
Ao lado da igreja de N. Sra. da Vitória, padroeira de São Luiz, oraremos todos os dias. E todos os dias o meu bom dia será respondido com “Bomdiameuamor”.
E, na despedida, você me perguntará se seria um sonho e digo: seria um sonho. Mas a torta de caranguejo clandestinamente embalada no alumínio insiste em me confundir. E, até o próximo sonho, nós sempre teremos São Luiz.

Aeroporto Marechal Cunha Machado, São Luiz do Maranhão, 18 de julho, 2016

Foto: Silvana Cardoso

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